Nem todo mundo pede um RS mais “raiz” - mas, para quem usa o carro em track days e quer mais precisão, sempre faltou um degrau acima do RS 5 tradicional. Foi justamente para atender esse público que o Audi RS 5 Competition Plus foi criado.
E a Audi levou o recado a sério: além do Competition Plus, também existe o pacote Competition, e ambos foram desenvolvidos não só para o RS 5 como também para o RS 4, como nos explicou Florian Mair, diretor da linha de modelos Audi Sport.
Enquanto nos aproximamos do RS 5 Competition Plus na pit lane do circuito de Ascari, Mair comenta: “Houve um grupo de clientes que nos disse que os RS 4 e RS 5 deviam ser mais focados na utilização em pista e quando lançámos o carro da geração atual em 2020 decidimos desenvolver as versões Competition e Competition Plus”.
Em seguida, ele resume as principais diferenças em relação aos RS “normais”: “a desmultiplicação da direção é fixa (no Competition Plus), há uma nova afinação no diferencial autoblocante quattro, a relação de caixa de velocidades é mais rápida e é possível fazer uma afinação manual da suspensão”.
Melhorar as ligações ao solo
A equipe de engenheiros da Audi Sport criou uma suspensão coilover (chamada “RS sport suspension pro”) para permitir ajustes manuais e, assim, chegar a um bom equilíbrio entre conforto e desempenho.
A altura do solo do RS 4 e do RS 5 Competition Plus foi reduzida em 10 mm em comparação com as versões RS, e o cliente ainda pode baixá-la em mais 10 mm. Ou seja, são 27 mm a menos do que em um A4 e 20 mm a menos do que em um RS 4 ou RS 5 “normal”.
Andrei Filip, engenheiro-chefe de desenvolvimento de chassi, explica que “este tipo de cliente é capaz de trabalhar debaixo do carro, retirar as rodas, levantar o capô e definir as configurações que deseja, alterando extensão, compressão e altura ao solo”.
As versões RS Competition Plus saem de fábrica com uma brochura (com cálculos e instruções gerais) e ferramentas específicas para facilitar esse trabalho.
Outros acertos importantes da suspensão no Competition Plus incluem molas mais rígidas, amortecedores ajustáveis de três vias e barras estabilizadoras mais firmes, com a intenção de deixar o comportamento mais preciso e ágil.
Cada pneu é 10% mais leve (cerca de 2 kg cada). Filip reforça: “Pedimos à Pirelli para desenvolver um pneu específico para uso em pista, mas também nas estradas públicas no quotidiano, sob diferentes tipos de condições climatéricas, exceto neve”.
Ao contrário da versão Competition, que traz desmultiplicação variável de direção, no Competition Plus ela é fixa para que a reação do eixo dianteiro aos movimentos do condutor seja a mais consistente possível.
Por fim - e longe de ser detalhe - o diferencial sport quattro foi recalibrado para aumentar a agilidade e o prazer ao volante, já que o “cérebro eletrónico” passa a enviar mais torque para as rodas traseiras.
Os engenheiros da Audi também garantem que o sistema de freios foi refinado e que, com os pneus Pirelli P Zero Corsa, a nova calibração do software do ABS e os discos cerâmicos RS (opcionais), o carro precisa de menos 2 metros para
parar a partir de 100 km/h.
Mudanças discretas
Como as mudanças mecânicas nas versões Competition e Competition Plus dos Audi RS 4 e RS 5 são incrementais - e não uma revolução -, faz sentido que o visual siga a mesma lógica.
Por fora, o conjunto fica mais escuro graças ao acabamento preto brilhante nos quatro anéis no capô, nas letras do modelo e ao novo acabamento “Sebring Black”.
Os pacotes óticos (opcionais), com retrovisores, lâmina dianteira e abas laterais, além da extensão da soleira das portas e do difusor traseiro em carbono fosco ou carbono brilhante, ajudam a elevar o “drama”.
Para quem quer um visual ainda mais agressivo, dá para escolher rodas de 20” com acabamento brilhante que, a pedido do cliente, podem ser combinadas com pneus de alta performance Pirelli P Zero Corsa, adequados tanto para rua
quanto para pista.
No interior dos três modelos - RS 4, RS 5 Sportback e RS 5 Coupé - os novos pacotes Competition e Competition Plus também trazem novidades.
Assim, temos uma combinação de microfibra Dinamica (45% feita de fibras PET recicladas) e couro com padrão favo de mel, logótipos RS bordados nos bancos com apoio lateral reforçado, comandos em Alcantara preta e cintos de segurança pretos com rebordo vermelho.
Para ajudar a diferenciar as novas versões de topo, há ainda um novo sistema de escapamento esportivo RS (com ponteiras em preto fosco) que “enche” os tímpanos de forma mais enfática.
Isso se deve não só às qualidades do escapamento, mas também à redução de materiais de isolamento acústico entre o compartimento do motor e o habitáculo. Essa redução resultou em 8 kg a menos no peso total dos modelos.
Menos peso, melhor performance
A perda de peso pode até parecer pequena, mas, somada à atualização do software da central de controle da transmissão Tiptronic de 8 marchas, trouxe acelerações ligeiramente melhores.
O 0 a 100 km/h é feito em 3,9s no RS 4 Avant (0,2s mais rápido) e em 3,8s no RS 5 Sportback e Coupé (0,1s mais rápido).
Ao mesmo tempo, o limite de velocidade máxima subiu de 250 km/h (ou 280 km/h com a opção Dynamic RS) para 290 km/h, já que as versões Competition provavelmente vão para a pista com frequência - especialmente a Plus.
Finalmente ao volante
Com as diferenças das versões Competition e Competition Plus apresentadas, é hora de descrever a experiência de condução do Audi RS 5 mais radical.
Com o tempo no divertido circuito de Ascari limitado a seis voltas, as três primeiras foram feitas atrás do instrutor de pilotagem da Audi. As três últimas, sozinho.
Nenhuma surpresa com o V6 2.9 litros biturbo (com os turbos no “V”) de 450 cv: ele é incansável e responde muito rápido em qualquer faixa de giro, graças ao pico de torque de 600 Nm entre 1900 e 6000 rpm.
Mas, enquanto em um RS 4 ou RS 5 dá para perceber que estamos chegando perto do limite quando aparece uma tendência mais clara ao subesterço em curvas fechadas (apesar da tração quattro), aqui fica evidente que a traseira do carro se mexe bem mais.
Isso não só aumenta a agilidade como faz a frente parecer muito mais “colada” ao asfalto. O resultado é um ganho nítido de confiança para qualquer piloto, tanto em curvas rápidas quanto nas lentas.
Andrei Filip explica como deixaram o carro mais preciso: “modulámos o corpo do acelerador de uma maneira diferente para que ele abrisse e fechasse mais rápido e, assim, enviamos mais peso para o frente ao levantar o pedal e mais peso para trás quando o pisamos, criando assim um movimento da carroçaria que beneficia a condução desportiva”.
Durante as seis voltas em Ascari, não consegui confirmar a redução prometida na distância de frenagem, mas também não notei qualquer sinal de fadiga do sistema toda vez que exigi dele.
Já nas estradas públicas, o principal foi confirmar que o RS 5 Competition Plus se adapta muito bem ao uso do dia a dia.
Quem quiser evitar chamar atenção demais, o ideal é não “acordar” o V6 no modo “Dynamic”, que amplifica o ronco grave do motor, elevando a marcha lenta até 2000 rpm (em vez das 1500 rpm dos RS “normais”) e usa software específico para gerar os empolgantes pops e bangs.
Mas mesmo quando o asfalto está longe de ser liso como uma mesa de sinuca, o modo “Comfort” ajuda a suspensão a lidar com solavancos e buracos.
Quanto vai custar?
O Audi RS 5 Sportback tem preço de entrada, em Portugal, de 122 810 euros, e o importador nacional ainda está negociando com a casa-mãe e avaliando o eventual interesse de disponibilizar por lá esta versão mais esportiva.
Para termos uma ideia do custo aproximado, basta considerar que, na Alemanha, o pacote Competition adiciona 7875 euros à conta e o pacote Competition Plus aumenta em 11 875 euros.
Ou seja, o total dificilmente ficará abaixo de 135 000 euros por aquelas bandas. Vale o investimento extra? Não existe resposta única: tudo depende do quanto é importante para um condutor (com várias costelas de piloto) ser alguns segundos mais rápido em uma volta (dependendo do tamanho da pista) e com que frequência esses RS vão realmente encarar a pista.
Certo é que, por enquanto, são os RS 4 e RS 5 mais rápidos e eficazes já construídos - pelo menos até que os primeiros eletrificados (híbridos plug-in) sejam apresentados, o que deve acontecer nos próximos dois anos.
Sobre isso, Florian Mair afirmou: “não há necessidade de temer qualquer perda de emoção, pois a propulsão elétrica pode ser muito divertida, como a Audi já provou com o e-tron GT RS. E se o fizermos com mais de 4 cilindros o resultado final
será garantidamente melhor…”.
Ficha técnica
| Audi RS5 Competition Plus | |
|---|---|
| Motor | |
| Arquitetura | 6 cilindros em V |
| Posicionamento | Dianteiro longitudinal |
| Capacidade | 2894 cm3 |
| Potência | 450 cv entre as 5700 e as 6700 rpm |
| Binário | 600 Nm entre as 1900 e as 6500 rpm |
| Transmissão | |
| Tração | às quatro rodas |
| Caixa | automática de 8 velocidades |
| Chassis | |
| Suspensão | Independente nas quatro rodas, 10 mm mais baixa que no RS 5 (e outros 10 mm mais baixa através de ajuste manual) |
| Travões | Discos ventilados (cerâmicos em opção) |
| Prestações | |
| 0 aos 100 km/h | 3,8s |
| Velocidade máxima | 290 km/h |
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