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Novo Citroën C5 Aircross elétrico (Long Range): conforto, autonomia e custo-benefício

Carro SUV Citroën Cloud Ride branco exposto em showroom com grandes janelas e piso claro.

Um volante que você gira com um dedo

O novo Citroën C5 Aircross - especialmente na versão elétrica Long Range - não faz questão de ser o SUV mais esportivo da praça. A aposta aqui é outra: conforto de sobra, boa autonomia e um pacote que parece fazer sentido no bolso, ainda que a experiência em carregadores rápidos públicos nem sempre seja algo que você queira encarar olhando fixo para o visor.

Na prática, ele parece pensado para quem quer rodar mais tranquilo, sem ficar caçando emoções em curvas. O foco está em suavidade e facilidade de uso no dia a dia, com o tipo de condução que combina mais com ruas irregulares e viagens longas do que com uma tocada mais agressiva.

A primeira coisa que chama atenção no novo C5 Aircross é o quão leve é a direção. Mal dá para dizer que você precisa segurar o volante: um toque suave já aponta a dianteira para um retorno apertado. Em comparação com o “primo” da Peugeot, o volante é menos diminuto e mais convencional, mas segue com aquele peso pluma típico no uso urbano.

A direção é ultra-assistida: sem esforço na cidade, um pouco distante em estradas sinuosas.

Essa leveza combina com a personalidade geral do carro. O C5 Aircross não foi feito para quem “ataca” curvas. A suspensão prioriza maciez antes de precisão, e isso aparece assim que você passa por uma lombada ou por um trecho de asfalto remendado.

Suspensão que deixa rua ruim em “soft focus”

A Citroën aposta aqui no seu conhecido conceito “Advanced Comfort”, usando batentes hidráulicos progressivos para suavizar impactos. Em termos simples, a suspensão tem amortecimento hidráulico extra no fim do curso, pensado para filtrar pancadas fortes antes que cheguem à cabine.

No uso urbano, isso vira uma rodagem realmente macia, quase “deslizante”, sobre lombadas, emendas no asfalto e tampas de bueiro. Em velocidades bem baixas, os amortecedores ainda podem dar uma batidinha em obstáculos mais pontudos, mas a sensação geral é de um SUV grande que faz de tudo para proteger os passageiros do que há sob as rodas.

A carroceria balança bastante em curvas, mas esse é o preço desse nível de conforto.

Essa maciez cobra seu pedágio: quando você força o ritmo, o carro parece mais lento para reagir. O rolamento de carroceria é evidente e há pouca leitura do que os pneus estão fazendo. Para muita gente, especialmente quem vem de sedãs Citroën mais antigos, isso é exatamente o que se procura. Para quem gosta de dirigir “de verdade”, nem tanto.

No seu melhor na estrada

Coloque o C5 Aircross em um bom trecho de rodovia e ele começa a fazer todo sentido. A versão elétrica Long Range testada aqui não é particularmente rápida: o 0–100 km/h fica pouco abaixo de nove segundos. No uso cotidiano, isso resolve, mas rivais com aceleração mais pronta vão parecer mais espertos.

O que o Citroën entrega em troca é facilidade. Na versão MAX, a condução semi-autônoma vem de série: piloto automático adaptativo e assistente ativo de faixa trabalham juntos, e o carro ainda consegue fazer trocas automáticas de faixa na rodovia quando o motorista dá seta.

Os níveis de ruído são surpreendentemente baixos. Não há vidro laminado sofisticado, mas o barulho de vento e pneus fica bem contido, ajudado pela ausência de vibração do motor a combustão. A 110 km/h, a cabine segue calma, quase “isolada” do mundo.

O C5 Aircross parece menos um SUV alto e mais um vagão de trem de longa distância com suspensão macia.

O planejador de rota integrado lida com autonomia de forma madura, com previsões realistas e levando em conta velocidades de rodovia. Isso ajuda a organizar viagens longas sem ficar obcecado pelo contador de quilômetros restantes.

Bateria grande, etiqueta mista no carregamento

Autonomia que tranquiliza

O C5 Aircross elétrico usa a plataforma STLA Medium da Stellantis e, na configuração Long Range, compartilha a bateria grande de 97 kWh com o novo Peugeot 3008. A Citroën fala em até 680 km de autonomia no ciclo WLTP - ou algo perto de 420 km reais em rodovia, considerando um consumo por volta de 23 kWh/100 km.

Para quem gosta de comparar com padrões de fora, isso dá algo como 260 milhas de alcance em vias rápidas: suficiente para viagens longas com uma margem confortável. Esse tipo de capacidade pesa mais do que um número de laboratório na manchete.

Carregamento que pode irritar

No papel, a arquitetura de 400V deveria permitir recarga rápida DC de até 160 kW. Na prática, pelo menos neste teste, a coisa foi menos linear. Em uma sessão, com a bateria em torno de 40%, o carro insistiu em ficar perto de 50 kW, mesmo com o pack pré-condicionado antes. Em outro ponto, com estado de carga parecido, sustentou algo como 105 kW até 60%.

A curva de carregamento pareceu inconsistente: às vezes ok, às vezes estranhamente “reta”, e nunca perto dos 160 kW prometidos.

Essa variação deixa o planejamento de viagem mais tenso, principalmente se você está contando com paradas rápidas do tipo “chega e sai”. A Citroën pode melhorar o software via atualização, mas vale entrar sabendo que a velocidade de recarga no mundo real pode ser imprevisível.

Em casa, o cenário melhora. Com wallbox, o C5 Aircross aceita até 11 kW em AC, o que faz sentido para baterias de 73 ou 97 kWh. Uma carga durante a noite é totalmente viável se você tiver um carregador dedicado.

Há, porém, um detalhe para quem usa tarifa fora de ponta: dá para programar o início da recarga, mas não o horário de término. A partir daí, o carro segue puxando energia em linha reta até 80% ou 100%. É menos flexível do que alguns rivais que permitem janelas de horário mais detalhadas.

Tranquilo na cidade, com algumas arestas

Mesmo maior do que a geração anterior, o novo C5 Aircross ainda é bem administrável. Com 4,65 m de comprimento e 1,90 m de largura, não é um “monstro” para os padrões atuais de SUV. O bom raio de giro ajuda, assim como a câmera 360° bem definida, que mostra claramente guias e postes em manobras lentas.

A visibilidade, por outro lado, é mais irregular. O capô é longo e pode intimidar ao avançar devagar em cruzamentos, e o para-brisa é relativamente estreito. Olhar por cima do ombro também sofre por causa da coluna C grossa, o que atrapalha ao sair de vagas em ângulo.

O pedal de freio também pede um período de adaptação. O início do curso é macio e meio “esponjoso”, o que não passa muita confiança no anda-e-para do trânsito. As aletas atrás do volante permitem ajustar a regeneração em três níveis, ajudando a desacelerar mais pelo motor, mas nem no modo mais forte ele vira um elétrico de condução realmente com um pedal só.

Espaço, bancos e aquela sensação de “sofá” da Citroën

Por dentro, o C5 Aircross joga no terreno em que a Citroën costuma ser forte. Há bastante espaço na frente e atrás, e o banco traseiro - agora uma peça única fixa, em vez de três assentos individuais deslizantes - oferece almofadas bem macias e encostos acolchoados com ajuste de reclinação.

Quem vai atrás tem um clima de lounge, especialmente em viagens longas, com espuma farta e bom espaço para as pernas.

A perda dos bancos traseiros individuais diminui a modularidade esperta do modelo anterior, mas o conforto no dia a dia, na real, subiu um degrau. O túnel central é pequeno, então um passageiro no meio não fica com os joelhos lá em cima, embora o encosto central seja mais duro que os laterais.

Há saídas de ar atrás, mas os passageiros traseiros não conseguem ajustar a própria temperatura, ao contrário do Peugeot 3008 relacionado, que pode vir com ar-condicionado de três zonas.

O porta-malas é generoso. Com os encostos traseiros em pé, o C5 Aircross oferece 651 litros. Rebatendo o banco, sobe para 1.668 litros. É espaço suficiente para várias malas grandes, um carrinho de bebê e aquela coleção inevitável de bolsas que aparece em viagens de família.

Design que ousa ser diferente

Mesmo com foco em conforto, o C5 Aircross quer se destacar no visual. Os faróis dianteiros adotam uma assinatura em “C” que lembra o Berlingo reestilizado, agora combinada com tecnologia Matrix LED pela primeira vez em um Citroën. Eles conseguem “recortar” partes do facho para não ofuscar quem vem no sentido contrário, mantendo o restante do farol alto ativo.

Na lateral, há bastante plástico de proteção, dando um ar mais robusto, enquanto as rodas opcionais de 20" preenchem os arcos mais do que estamos acostumados na marca. Atrás, as lanternas em formato de “Y” invadem as colunas C, criando um acabamento dramático, quase de carro-conceito, que chama atenção à noite.

Pequenos inserts coloridos em para-choques e portas permitem uma leve personalização, mesmo com uma paleta geral mais discreta do que o normal para a Citroën.

Tecnologia de cabine em alta, qualidade percebida em baixa

Ao sentar ao volante, o desenho do painel parece muito mais atual do que antes. Uma faixa reta e larga é dominada por uma tela vertical de 13", acompanhada por quadro de instrumentos digital de 10" e um head-up display.

A organização da tela principal é coerente, e os comandos do ar-condicionado seguem sempre acessíveis como atalhos sensíveis ao toque - você não precisa entrar em menus só para ajustar a ventilação. Num momento em que muitos rivais escondem funções básicas em várias etapas, isso é um alívio.

Onde o C5 Aircross tropeça é na qualidade percebida. A parte superior do painel usa plásticos duros onde você esperaria materiais mais macios. As portas, na frente e atrás, também apelam bastante para superfícies rígidas. Existem faixas grandes de tecido reciclado que clareiam o ambiente e trazem um pouco de calor, mas não disfarçam totalmente a economia.

O interior parece moderno, mas alguns acabamentos soam mais “baratos” do que a tecnologia e o preço sugerem.

O preto brilhante no console central risca fácil e marca digitais, e os botões envernizados no volante não passam sensação premium. Nada disso impede o carro de cumprir o papel, mas coloca o C5 Aircross um degrau abaixo de alguns concorrentes quando o assunto é toque e acabamento.

Equipamentos e preços: valor como arma

A Citroën posiciona o C5 Aircross como o irmão mais acessível dentro da família Stellantis. Na França, os preços começam em €34.300 para o mild-hybrid a gasolina e €39.490 para a versão elétrica, abaixo de modelos equivalentes do Peugeot 3008.

A lista de série é forte já na versão de entrada: piloto automático adaptativo, partida sem chave, a tela de 13", ar-condicionado de duas zonas e rodas de liga de 18" estão incluídos.

Principais versões em resumo

Trim Approx. starting price (France) Key features
Base From €34,300 (mild-hybrid) Adaptive cruise, 13" screen, dual-zone climate, 18" wheels
Plus From €37,240 Rear camera, keyless entry, tinted rear windows, navigation, ambient lighting, rear air vents
Max From €40,180 Matrix LED lights, powered tailgate, 360° camera, head‑up display, electric driver’s seat, heated steering wheel

A bateria Long Range do carro testado ainda não está à venda na Citroën. Por enquanto, os packs grandes de 97 kWh da ACC estão sendo priorizados para o Peugeot e‑3008 e o DS 8. Pelas diferenças atuais de preço, um C5 Aircross MAX completo com a bateria de maior autonomia pode subir o suficiente para ficar fora de alguns incentivos nacionais a elétricos em mercados como a França.

Para quem esse “carro-nuvem” faz mais sentido

O novo C5 Aircross é mais lógico para quem valoriza conforto, espaço e autonomia acima de dirigibilidade afiada. Pense em famílias que fazem viagens longas de rodovia, pessoas que encaram asfalto ruim no trajeto diário ou aposentados trocando um sedã grande por algo mais alto e fácil de entrar.

  • Se você reboca com frequência ou exige respostas esportivas, a suspensão macia e o desempenho moderado podem irritar.
  • Se seu uso é mais em cidade e região metropolitana, a calibração suave, a cabine silenciosa e a direção leve tendem a agradar.
  • Se você viaja bastante, a bateria grande e o bom comportamento em rodovia são argumentos fortes.

Quem pensa em comprar também precisa entender dois termos de EV que aparecem muito neste carro. Autonomia WLTP é um número de laboratório usado na Europa, geralmente otimista em uso de rodovia rápida. Por isso, os 680 km viram cerca de 420 km ao manter velocidades reais. Potência de recarga DC é outro ponto: o pico em kW é só uma parte da história; o que importa tanto quanto é por quanto tempo o carro sustenta potência alta ao longo da curva de carregamento.

Um cenário típico: com uma curva “comportada” mantendo, digamos, 130 kW, uma recarga de 10–80% pode levar algo como 30–35 minutos numa bateria grande como esta. Se o carro passa boa parte da sessão a 50–80 kW, é fácil ficar mais perto de uma hora. Para famílias com crianças pequenas atrás, essa diferença muda bastante o quão prática a viagem elétrica parece.

O C5 Aircross responde a parte dessas dúvidas com conforto, espaço e boa autonomia real, tornando as paradas de recarga menos frequentes. Para quem aceita o jeito mais relaxado e um interior mais honesto do que sofisticado, esse SUV de suspensão macia pode ser, discretamente, uma das compras mais racionais da Stellantis.

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