O complexo de lançamento de Baikonur, seriamente danificado no fim de novembro após uma decolagem de Soyuz, acaba de voltar a receber um voo tripulado com êxito - o primeiro desde o incidente. O retorno acontece em ritmo acelerado, com um detalhe raro: um americano a bordo e a presença do chefe da NASA no próprio cosmódromo.
O acidente na rampa 31/6 e a perda de acesso ao espaço
A Rússia estava sem acesso ao espaço desde 27 de novembro de 2025, quando a Soyuz MS-28 decolou de Baikonur e causou danos significativos à infraestrutura local. O problema foi provocado pela força dos motores, que literalmente arrancou a plataforma de serviço da rampa 31/6.
A situação era ainda mais delicada porque esse era o único pas de tir disponível no país para enviar cosmonautas à órbita. A histórica rampa de Gagarin, por sua vez, está parada desde 2019. Já o cosmódromo de Vostotchny, ainda em obras, segue acumulando atrasos e, definitivamente, não está pronto para receber missões tripuladas.
Apesar de especialistas citarem um período de reparos que poderia chegar a dois anos, a Rússia conduziu um trabalho extremamente meticuloso e concluiu as intervenções em apenas alguns meses. Um voo de teste bem-sucedido com a nave de carga Progress MS-33 confirmou que a estrutura voltou a estar plenamente operacional, abrindo caminho para a retomada dos lançamentos com tripulação.
Uma visita extremamente simbólica
Nesta volta ao cenário, o foguete russo entra novamente em ação em 14 de julho, na missão Soyuz MS-29. A bordo estão os cosmonautas russos Piotr Dubrov e Anna Kikina, além do astronauta americano Anil Menon. A participação dele faz parte do acordo de voos cruzados assinado entre Rússia e Estados Unidos em 2022, que permite que astronautas americanos voem na Soyuz e que cosmonautas russos utilizem as cápsulas Crew Dragon, da SpaceX.
Para marcar a ocasião, Jared Isaacman, o chefe da NASA, viajou pessoalmente a Baikonur. Trata-se de uma visita incomum e carregada de simbolismo, já que é a primeira vez em 8 anos que um administrador da agência espacial americana pisa no cosmódromo.
Em um momento em que a Rússia permanece amplamente isolada no cenário internacional, a presença do dirigente reforça que a cooperação espacial entre os dois países continua, apesar das enormes tensões geopolíticas. Para Moscou, o episódio também funciona como uma vitrine: uma tentativa de indicar que seu programa espacial, hoje enfrentando dificuldades, recupera parte da credibilidade.
Da decolagem à ISS: cronograma e pesquisas do Soyuz MS-29
A Soyuz vai levar a tripulação até a Estação Espacial Internacional (ISS) em um tempo recorde de 3 horas e 48 minutos. Ao todo, serão 261 dias em órbita, com diversas atividades científicas e industriais previstas.
Nesse período, Anil Menon deve focar na produção de semicondutores em microgravidade - uma tecnologia, evidentemente, crucial para a inteligência artificial. O astronauta também vai testar um método de ultrassom assistido por IA, desenvolvido para que futuras tripulações consigam reduzir a necessidade de suporte médico a partir da Terra.
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