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Operação Membeca 2026: Exército Brasileiro detalha modernização de blindados, drones e Avibras

Soldados brasileiros com veículo blindado e drone em campo árido durante treinamento militar.

Apronto Operacional da Operação Membeca 2026 em Gericinó

Na quarta-feira (29), o Campo de Instrução de Gericinó, no Rio de Janeiro, recebeu o Apronto Operacional da Operação Membeca 2026. A atividade reuniu militares do Comando Militar do Leste (CML) para evidenciar, na prática, as capacidades operacionais da Força Terrestre. Além de expor tropas e meios empregados no exercício, o encontro foi usado como espaço para o Comandante do Exército apresentar um panorama dos rumos da modernização militar brasileira, abordando assuntos estratégicos como a renovação da força blindada, a adoção de sistemas não tripulados e o fortalecimento da Base Industrial de Defesa - com a presença do Zona Militar.

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Capacidades demonstradas pelo Exército Brasileiro

Ao longo do Apronto Operacional, o Exército Brasileiro exibiu um conjunto variado de capacidades: uma missão de resgate aeromóvel com o helicóptero HM-1 Pantera K2, da Aviação do Exército; ações de tiro de precisão; apoio de fogo de Artilharia de Campanha com uso de artilharia de tubos; patrulha e reconhecimento com viaturas Lince e VBTP-MR Guarani; lançamento de paraquedistas; e, por fim, uma ação ofensiva sincronizada envolvendo blindados e tropas desembarcadas.

Encerrada a demonstração, o Comandante do Exército concedeu uma entrevista coletiva aos jornalistas, quando respondeu perguntas sobre os principais programas de transformação da Força Terrestre e indicou alternativas em análise para ampliar capacidades nacionais diante das novas exigências do ambiente operacional.

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Modernização da Força Terrestre: blindados, drones e Base Industrial de Defesa

Força blindada e a substituição do Leopard 2A5 BR

Entre os temas centrais, esteve o futuro da força blindada brasileira e os estudos voltados a substituir os carros de combate Leopard 2A5 BR. Ao ser questionado pelo correspondente do Zona Militar, Angelo Nicolaci, sobre a busca por uma nova plataforma, o Comandante do Exército enfatizou que a escolha não envolve apenas comprar um novo carro de combate, mas considerar toda a infraestrutura necessária para sustentar uma capacidade blindada contemporânea e duradoura.

De acordo com ele, as atuais Brigadas Blindadas do Brasil continuam em condições de operar por conta do sistema logístico já implantado, ressaltando que os Leopard 2A5 BR, embora sejam de uma geração anterior, ainda conseguem cumprir missões em cenários de alta intensidade.

“\“O mais importante para o processo de busca de uma nova Força Blindada, uma nova plataforma de carros de combate, é a gente enxergar todas as capacidades que a gente já tem para manter a Força Blindada. Porque o que a gente tem hoje, a gente tem duas brigadas blindadas e as duas brigadas blindadas, apesar de serem antigas, elas são sustentadas\”, afirmou o Comandante do Exército.”

Na avaliação do comandante, o atual arranjo logístico integrado é o que assegura alta disponibilidade operacional a essas unidades.

“\“Hoje eu diria para você que elas estariam combatendo um conflito como o da Ucrânia. Estariam combatendo, mesmo sendo um carro antigo, porque eles têm um sistema logístico integrado que permite que elas funcionem\”, destacou.”

Ao tratar do que vem pela frente para a capacidade blindada, o Comandante do Exército explicou que há múltiplos caminhos em avaliação e que, até o momento, não existe uma definição sobre qual plataforma deverá substituir os carros de combate em serviço.

“\“Então, a gente tem dúvida de qual a melhor plataforma, se é uma plataforma alemã ou se é uma plataforma turca\”, afirmou.”

Entre as opções examinadas pelo Exército Brasileiro aparece o Tulpar, da empresa turca Otokar. Trata-se de uma família de blindados modulares pensada para diferentes perfis de emprego, com variantes voltadas ao combate de infantaria e outras configurações direcionadas ao aumento do poder de fogo.

Um dos arranjos que dão destaque ao Tulpar no cenário internacional é a possibilidade de receber a torre Leonardo HITFACT Mk II com canhão de 120 mm - da mesma família de torre adotada no programa Centauro II, comprado pelo Exército Brasileiro como parte da modernização da Cavalaria.

Com essa configuração, a plataforma ganha maior capacidade de engajamento, ao permitir o uso de munições de 120 mm e reunir, em conjunto, poder de fogo, mobilidade, proteção e potencial de integração com sistemas atuais de gerenciamento de batalha, sensores e sistemas de proteção.

Ainda assim, a seleção de uma nova plataforma blindada envolve fatores que vão além do desempenho do veículo. Entram na conta logística, custos de operação, disponibilidade de peças, transferência de tecnologia, integração com sistemas já existentes e a margem de evolução ao longo do ciclo de vida.

O Comandante do Exército frisou que a decisão sobre a futura plataforma será construída pelo Estado-Maior do Exército, pelo Alto Comando do Exército e pelo Ministério da Defesa, com a intenção de chegar à solução integrada mais adequada para a Força Terrestre.

Sistemas não tripulados (drones) e a ampliação de vigilância

Outro tema que recebeu atenção na coletiva foi o avanço nas tratativas sobre sistemas não tripulados. O Comandante do Exército disse que uma das frentes mais adiantadas, no momento, é a busca por drones de maior porte e capacidade, incluindo plataformas de ataque categoria 3.

Ele acrescentou que o Exército Brasileiro acompanha as soluções desenvolvidas pela Turquia, país que ganhou visibilidade internacional com o emprego de Sistemas de Aeronaves Remotamente Pilotadas em conflitos recentes.

“\“O que está muito adiantado de aquisição é uma conversa sobre drones. Nós temos conversado com a Turquia, sobre drones de ataque, drones de क्षमता maior Categoria 3, como por exemplo os drones que têm capacidade de atacar alvos com precisão. Esse é o nosso principal interesse\”, explicou o comandante.”

Além dos drones voltados ao ataque, o comandante apontou como essencial ampliar as capacidades de reconhecimento e vigilância, sobretudo na faixa de fronteira, para elevar a consciência situacional e permitir respostas mais rápidas a diferentes ameaças.

Essa procura por novos sistemas não tripulados acompanha uma tendência vista nos principais exércitos do mundo, em que drones passaram a ter papel decisivo na aquisição de alvos, na inteligência, na vigilância e no emprego direto contra ameaças.

Centauro II, anticarro, defesa antiaérea e mobilidade aérea

Na entrevista, o Comandante do Exército também comentou o Programa Centauro II e o processo de atualização da Cavalaria no Brasil. Segundo ele, o planejamento prevê a compra de 98 viaturas blindadas Centauro II 8×8, dentro de um projeto mais amplo de transformação da capacidade mecanizada.

Além do Centauro II, o comandante citou a modernização das viaturas EE-9 Cascavel, conduzida pelo Arsenal de Guerra de São Paulo, incluindo a instalação de novos sistemas eletrônicos e a integração de mísseis anticarro.

O reforço da capacidade anticarro, por sua vez, envolve soluções nacionais - como o MAX 1.2 AC, da SIATT - e também a incorporação de alternativas internacionais, como os mísseis Javelin e Spike, ampliando o potencial das tropas brasileiras diante de ameaças blindadas.

Em defesa antiaérea, o Comandante do Exército mencionou a busca por novas capacidades, incluindo o emprego do míssil Stinger. Já na Aviação do Exército, destacou a chegada de helicópteros UH-60 Black Hawk, inserida no esforço de aumentar a mobilidade aérea da Força.

Avibras, ASTROS e MTC-300

Questionado pelo correspondente do Zona Militar sobre a retomada das atividades da Avibras e o apoio do Exército Brasileiro para recuperar uma das empresas estratégicas da Base Industrial de Defesa do país, o comandante reforçou o valor da companhia para a autonomia tecnológica brasileira.

Conforme o Comandante do Exército, estão sendo direcionados recursos para assegurar a continuidade da aquisição de munições para o Sistema ASTROS, enquanto o Míssil Tático de Cruzeiro MTC-300 se aproxima da etapa final antes de entrar em operação.

“\“A notícia da retomada da Avibras é uma notícia muito boa para a defesa do Brasil e para o nosso sistema de defesa\”, afirmou.”

As falas registradas durante o Apronto Operacional da Operação Membeca 2026 indicam que o Exército Brasileiro procura conduzir uma transição gradual de capacidades, preservando os meios atualmente disponíveis ao mesmo tempo em que prepara a incorporação de tecnologias alinhadas aos novos cenários de combate.

Nesse contexto, a modernização da força blindada, a expansão dos sistemas não tripulados, a evolução das capacidades anticarro e o fortalecimento da Base Industrial de Defesa aparecem como eixos centrais da transformação da Força Terrestre para as próximas décadas.

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