Cerimônia marca o fim do AV-8B Harrier II em Cherry Point
Ontem (03), o Corpo de Fuzileiros Navais dos Estados Unidos promoveu uma cerimônia histórica para assinalar o encerramento das operações do caça AV-8B Harrier II, concluindo uma relação de quase quatro décadas da aeronave com o esquadrão VMA-223, os “Bulldogs”. A solenidade foi realizada na Estação Aeronaval dos Fuzileiros Navais de Cherry Point, na Carolina do Norte, e também serviu como símbolo de uma mudança de ciclo na aviação da força.
O evento reuniu mais de 5 mil pessoas, incluindo militares da ativa, autoridades civis e militares, veteranos, familiares e integrantes da comunidade local. Como parte da programação, uma formação com cinco aeronaves fez um voo de demonstração e, em seguida, executou pousos verticais - uma das marcas registradas do Harrier, conhecido pela capacidade de decolagem curta e pouso vertical.
VMA-223 “Bulldogs” e o legado do Harrier nas operações
Para o tenente-coronel John B. Cumbie, comandante do VMA-223, o encerramento da trajetória operacional do Harrier no Corpo de Fuzileiros Navais tem um peso especial para a unidade.
“O Bulldogs tem enorme orgulho de realizar as últimas operações do Harrier no Corpo de Fuzileiros Navais dos Estados Unidos. Como uma plataforma que esteve continuamente destacada em diversas regiões do mundo, o Harrier será lembrado por seu legado em combate, sua lendária capacidade de decolagem curta e pouso vertical e pelos marinheiros e fuzileiros que tornaram essa comunidade especial”, afirmou.
A presença do Harrier nos Fuzileiros Navais americanos teve início em 1971, com a incorporação do primeiro AV-8A. Já o AV-8B começou a operar em meados da década de 1980 e rapidamente se consolidou como um dos principais meios de apoio aéreo aproximado da força.
O VMA-223 adotou o modelo em 1987 e, a partir daí, participou de uma ampla gama de missões e operações militares pelo mundo. Entre os conflitos e campanhas com emprego do Harrier, estão as operações Desert Shield e Desert Storm, a campanha aérea da OTAN na antiga Iugoslávia durante a Operação Allied Force e, posteriormente, as operações Enduring Freedom, Iraqi Freedom, Odyssey Dawn e Inherent Resolve. Em período mais recente, a aeronave também foi utilizada em missões ligadas à crise no Mar Vermelho.
Capacidade STOVL e a última missão operacional do VMA-223
Popularmente apelidado de “jump jet”, o Harrier ganhou destaque por operar a partir de pistas curtas, porta-aviões sem catapultas, navios de assalto anfíbio e outros locais com infraestrutura limitada. Essa flexibilidade foi decisiva para o apoio às Unidades Expedicionárias de Fuzileiros Navais (MEU), garantindo cobertura aérea e suporte direto às tropas em ações expedicionárias.
A missão operacional mais recente do VMA-223 com o Harrier ocorreu há pouco tempo: um destacamento do esquadrão retornou a Cherry Point depois de integrar operações da 22ª Unidade Expedicionária de Fuzileiros Navais no Caribe, incluindo ações na Venezuela.
Modernização: transição para o F-35B Lightning II e futuro do esquadrão
Com a retirada do Harrier, os Fuzileiros Navais seguem adiante com o plano de modernização, que prevê a migração total para uma frota tática de quinta geração, tendo o F-35B Lightning II como principal vetor de combate nos próximos anos.
Embora o AV-8B tenha encerrado sua fase operacional, a trajetória do esquadrão não se encerra. Pelo planejamento atual do Corpo de Fuzileiros Navais, o VMA-223 deverá ser reativado no ano fiscal de 2028 como VMFA-223, passando a operar o caça furtivo F-35B Lightning II.
Com isso, fica oficialmente encerrada uma era de 55 anos de serviço do Harrier nos Fuzileiros Navais americanos, concluindo a história de uma das aeronaves mais marcantes da aviação militar moderna.
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