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Pape Leão XIV enfrenta suspeitas de IA na encíclica Magnifica Humanitas

Papa Francisco sentado à mesa escrevendo em papel com laptop e crucifixo ao lado em ambiente iluminado.

O sumo pontífice está no centro de suspeitas e acusações.

Pouco depois de o papa Leão XIV divulgar uma encíclica sobre o impacto da IA na humanidade, surgiram questionamentos: teria a própria inteligência artificial ajudado a redigir o documento? De acordo com o The Verge, que repercute uma análise de Linch Zhang publicada no fórum LessWrong, trechos do texto podem ter sido produzidos por um modelo de linguagem.

Suspeitas de uso de IA e resultados dos detectores

Na prática, alguns parágrafos de Magnifica Humanitas seriam compostos por 40 a 100 % de conteúdo escrito por IA, segundo o detector Pangram. Entre os sinais apontados está o uso recorrente do termo “genuinely” (verdadeiramente), associado por alguns leitores ao estilo do Claude, da Anthropic.

Outros internautas também examinaram a encíclica em detalhes. A partir dessa leitura, a conclusão foi de que 62 % do primeiro capítulo teria sido gerado por IA - novamente, conforme o Pangram. Vale registrar que, ao testarmos a primeira parte do texto na versão em francês em plataformas populares de detecção, não chegamos ao mesmo resultado: a maioria avaliou que o conteúdo teria sido totalmente escrito por um humano.

Como destaca o The Verge:

A detecção por IA não é infalível. Diferentes detectores de IA podem exibir resultados diferentes e, mesmo quando há consenso, a precisão não é garantida. No entanto, o Pangram é geralmente respeitado por pesquisadores de IA. Em março de 2025, o Pangram estimava sua taxa de falsos positivos (considerar trabalhos escritos por humanos como gerados por uma IA) em cerca de 1 em 10 000.

Procurado pelo veículo norte-americano, o Vaticano não havia respondido aos contatos até o momento.

O que o texto contém?

Para contextualizar, o papa Leão XIV decidiu abordar uma questão social de grande peso: como a inteligência artificial afeta o trabalho. Elaborado após conversas com cientistas, educadores, lideranças políticas e famílias, o documento alerta que é “realista temer uma contração significativa e rápida dos empregos disponíveis”, com efeitos profundos sobre as famílias, os jovens e as economias locais.

Trabalho, automação e critérios sociais na encíclica

Embora reconheça que a tecnologia pode aliviar as pessoas de tarefas penosas ou repetitivas, Leão XIV rejeita a ideia de que a busca por lucro sirva de justificativa para “escolhas que sacrificam sistematicamente o emprego”. Em vez de reagir apenas quando ocorrem cortes, ele defende que as transformações sejam previstas e conduzidas, e propõe critérios sociais vinculantes sempre que houver automação.

Isso inclui reconversão profissional, participação dos trabalhadores e proteção do emprego. Por essa razão, ele pede que as empresas incorporem a dignidade do trabalho entre seus indicadores de sucesso. Mais detalhes sobre o tema estão no nosso artigo anterior (aqui).


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