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Custos de lançamento para órbita devem despencar em 15 anos, diz estudo

Homem observa laptop com gráfico em queda enquanto foguete é lançado no fundo.

Colocar qualquer coisa no espaço sempre foi absurdamente caro. Cada quilo extra de equipamento vinha acompanhado de um custo enorme, o que restringia quem conseguia lançar missões e até onde elas podiam ir.

Só que esse cenário pode estar mudando - e bem mais rápido do que muita gente imaginava.

Uma nova pesquisa indica que o preço para chegar à órbita tende a cair de forma acentuada nos próximos 15 anos.

Se essas projeções se confirmarem, o espaço pode deixar de ser apenas destino de satélites e virar um ambiente onde empresas fabricam produtos, cientistas conduzem testes e setores inteiros nascem do zero.

Nesse futuro, o acesso ao espaço não ficaria limitado a governos e a um pequeno grupo de grandes corporações.

Uma queda acelerada nos custos de lançamento

Os pesquisadores calcularam que, em 2025, o envio de 1 quilograma de carga útil para a órbita baixa da Terra custou, em média, $3,868.

A expectativa é de uma redução de mais de 58%, chegando a $1,569 em 2030. Em 2040, a estimativa aponta para apenas $273 por quilograma.

Para chegar a esses valores, a equipe analisou o maior banco de dados global de lançamentos de foguetes já reunido.

Esse conjunto de dados inclui mais de 4,400 lançamentos realizados entre 1960 e 2025 e acompanha como os preços de lançamento evoluíram ao longo do tempo.

O estudo também concluiu que o custo de alcançar a órbita caiu cerca de 96% desde 1960.

Por que economistas estão prestando atenção

A pesquisa foi liderada pelo Dr. Alessio Terzi, da Bennett School of Public Policy, da Universidade de Cambridge, e pelo Dr. Francesco Nicoli, do Instituto Politecnico de Turim.

“Space is no longer a science-fiction fantasy or a purely scientific pursuit, it is becoming a marketplace,” disse o Dr. Terzi.

“As launch costs fall and commercial activity expands, we are entering an era where spacefaring is like any other economy, driven by incentives, trade and investment, and economists should be paying more attention.”

A lógica é direta: quando o custo de transporte cai, normalmente fica mais fácil para novos negócios surgirem e ganharem escala.

Foi assim com ferrovias, com o transporte por contêineres e com a aviação comercial, que ampliaram mercados ao baratear o deslocamento. O setor espacial pode seguir uma trajetória parecida.

O crescimento já está acelerando

A partir de 2020, a indústria espacial passou por uma fase de avanço rápido.

Isso se explica principalmente pelo aumento da demanda por lançamentos de satélites para comunicações, navegação, previsões meteorológicas e observação da Terra.

Desde 2020, a quantidade de carga útil enviada à órbita cresceu 31% ao ano. Já no período de 2000 a 2019, a média anual de crescimento foi de apenas 4%.

Em 2025, cerca de 4,900 toneladas foram colocadas em órbita. Os autores projetam que a capacidade anual de envio de cargas pode alcançar 9,100 toneladas até 2030.

Em 2024, o valor da indústria espacial superou $600 bilhões, aproximadamente o equivalente a toda a economia da Suécia.

“SpaceX alone could achieve this with eighty flights of its new superheavy rocket Starship, which will be fully reusable,” afirmou Terzi.

Na avaliação dele, esse número pode chegar a 32,000 toneladas por ano em 2040.

Os custos de lançamento continuam caindo

O estudo identificou um padrão consistente: sempre que a massa total de carga lançada ao espaço dobrava, o custo médio para colocar 1 quilograma em órbita diminuía 21.2%.

Os autores compararam essa dinâmica com a expansão dos navios a vapor no século XIX. À medida que o comércio global crescia, o frete em navios a vapor caía cerca de 15.5% sempre que os volumes de carga dobravam.

“The cost of space launch technology is now falling faster than during one of history’s greatest transport revolutions,” disse Terzi.

“Steamships cut costs through explosive growth in global trade. Space technology, by contrast, has achieved even steeper declines at a far smaller scale.”

“This suggests there is plenty of scope for further cost reductions and the industry may now be on the cusp of a comparable economic boom.”

Acesso ao espaço mais barato

De acordo com o estudo, depois da queda do Muro de Berlim em 1989, os custos de lançamento passaram a cair mais de duas vezes e meia mais rápido do que durante os anos da Guerra Fria.

“State-led competition during the Cold War did not foster cost efficiency on the same scale as the ensuing era of international space cooperation and private sector involvement,” disse Nicoli.

Com preços menores, podem ganhar viabilidade iniciativas que hoje são complexas demais ou caras demais.

Há décadas, cientistas demonstram interesse em usar o ambiente sem peso do espaço para cultivar cristais, fabricar cabos avançados de fibra óptica e observar como tecidos vivos se desenvolvem.

Empresas também investigam maneiras de produzir medicamentos e até órgãos bioimpressos em 3D em órbita.

Novas possibilidades vão se abrir

Os pesquisadores destacam ainda que viajar para distâncias maiores no espaço não é o mesmo que atravessar longas distâncias na Terra.

Sair do poço gravitacional do planeta exige quantidades enormes de energia; porém, uma vez em órbita, ir para destinos como a Lua ou Marte requer aumentos de energia bem menores do que muitos supõem.

“Rapidly falling launch costs could open the way to space colonization and commercial activity far beyond low Earth orbit,” disse Terzi.

“Ever cheaper launch costs could open up possibilities around solar power production in orbit, asteroid mining, and a self-sustaining economy producing fuel, food, and infrastructure in orbit or on the Moon.”

“Major polluting industries currently devastating the biosphere could even be offshored to sit outside the Earth’s atmosphere.”

Um desafio pode desacelerar a tendência

Os autores também alertam que a queda de custos não é garantida indefinidamente.

Atualmente, a SpaceX responde por cerca de 80% de toda a carga útil enviada à órbita no mundo a cada ano.

Segundo o estudo, se uma única empresa concentrar controle demais sobre serviços de lançamento - ou se tensões geopolíticas levarem países a depender apenas de sistemas próprios - a concorrência pode enfraquecer, e os preços podem deixar de cair com a mesma velocidade.

Ainda assim, por enquanto, o padrão de longo prazo aponta para o mesmo lado.

Chegar ao espaço está ficando mais barato em um ritmo raro na história dos transportes, abrindo espaço para atividades económicas que antes existiam apenas em planos de longo prazo e na ficção científica.

O estudo completo foi publicado na revista PNAS Nexus.

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