Se você quer saber se está mesmo atrás de um Impreza, nem precisa abrir o catálogo: olhe para os seus pés. Se estiver de bota de borracha verde, pode escolher qualquer uma das versões aspiradas; se a escolha do dia for um Reebok Classic, então o seu carro é o WRX.
É um estereótipo meio gasto, claro - mas ele explica direitinho o dilema da Subaru com o modelo que está saindo: ou o Impreza vai parar em estradão de terra e rotina de sítio, ou vira ferramenta para encarar trânsito e mão única na cidade. No meio disso, pouca coisa.
É justamente aí que entra a tentativa da Subaru de ganhar espaço no “mainstream”. Um Impreza totalmente novo que, pelo menos no papel, marca os pontos certos para beliscar alguns compradores do segmento C normalmente fisgados por um Golf ou um Focus.
A ideia é boa e até poderia ter dado certo, não fosse o desenho que parece uma lembrança pouco feliz daqueles tempos em que a Coreia construiu sua fama nada invejável de design desajeitado e sem graça.
Dói mais porque, no restante, os ingredientes estão lá. Agora ele é um hatch de verdade, então dá para fazer o básico e o prático - carregar tralha, compras e tudo mais - coisa que o antigo Impreza com porta-malas separado não facilitava.
Por dentro, é aquele Subaru clássico: resistente, com cara de que aguenta o tranco. A qualidade de plásticos e acabamentos poderia ser melhor, mas tudo funciona, é bem confortável e não passa a sensação de que vai começar a se desfazer em poucas semanas.
A linha de motores boxer também foi mantida, começando pelos 1,5 e 2,0 litros aspirados que dirigimos aqui. Os engenheiros parecem ter baixado um pouco do “ronco” típico do quatro-cilindros horizontal, mas a personalidade ainda aparece se você exigir deles. Só não pergunte sobre emissões - tenho a impressão de que a pauta “verde” ainda não chegou de verdade à Subaru.
O conhecido sistema de tração integral simétrica não ajuda em nada no consumo, mas em troca entrega muita aderência e uma sensação real de segurança em velocidade. Uma suspensão toda nova (multilink atrás) garante um rodar decente, embora macio. Não está no mesmo nível dinâmico de Focus e Golf, mas é bom.
O preço também foi bem posicionado frente a esses rivais. A linha começa em £12,495 e você leva bastante equipamento pelo dinheiro.
As versões mais rápidas - provavelmente o motivo de você estar lendo isto - começam a aparecer em novembro. Um lote limitado de 1.500 WRX deve esgotar antes do Natal, seguido por versões STi de 230bhp no ano que vem. A Subaru também está desenvolvendo um boxer diesel (isso conta como “verde”?) e há conversa sobre fazer uma versão WRX dele.
Então, depois de todo esse esforço, no fundo nada mudou. Quem vai vender mesmo são as versões rápidas e, mesmo depois do face lift apressado previsto para o ano que vem, os Impreza “feijão com arroz” que você vai ver por aí provavelmente terão fardos de feno no porta-malas. Uma pena.
Paul Regan
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