O Município de Ponte de Lima já começou a multar quem faz deposição indevida de lixo. Nesta fase inicial, estão sendo lavradas, em média, cerca de dez multas por semana, com valores que vão de 50 a 500 euros, informou ao JN o presidente da Câmara Municipal, Vasco Ferraz. O autarca considera que “o caminho deve ser o da sensibilização”, mas admite que “a aplicação de uma coima é, muita vezes, um elemento dissuasor” para evitar que se repita a “falta de civismo”.
Multas em Ponte de Lima por deposição indevida de lixo
Vasco Ferraz afirma que a gestão de resíduos hoje é “complexa”, tanto para a empresa encarregada da coleta e do tratamento, a Resulima, quanto para os municípios que fazem parte do sistema.
Na avaliação do presidente, a falta de civismo também pode ser alimentada pela insuficiência de meios. “O civismo também falta quando depois escasseiam os meios para que as pessoas cumpram”, diz, relatando uma experiência pessoal recente que o incomodou. “Passei em nove pontos de recolha de lixo diferenciado e todos estavam cheios. Ou seja, há uma falha por parte da Resulima, que, depois, acaba por fazer com que haja um aumento de pressão nos contentores. Se as pessoas forem despejar os diferenciados e o contentor não tiver espaço, vão deixar no contentor normal”.
Investimentos do Município de Ponte de Lima e ações de conscientização
O autarca lembra que o Município de Ponte de Lima “tem vindo a fazer um investimento grande” na substituição de contêineres e na instalação de novos, um trabalho iniciado ainda no mandato anterior. Além disso, houve reforço das equipes de limpeza aos fins de semana.
Em paralelo, a prefeitura tem apostado na conscientização da população para a separação de resíduos urbanos. Mesmo assim, segundo Vasco Ferraz, “temos muitas vezes o lixo mal depositado”, o que levou à decisão de aplicar multas aos infratores.
“Começamos, agora, a passar as coimas, mas, apesar de tudo, são relativamente poucas: em média, umas dez por semana. Tenho a certeza de que as pessoas que pagam a coima uma vez não voltam a fazer. Às vezes, resulta melhor do que muita sensibilização, mas não é isso que queremos. Acho que o caminho deve ser pela formação das pessoas e não através das coimas”, defende o presidente da Câmara.
Falta de pessoal
De acordo com Vasco Ferraz, alguns municípios atendidos pela Resulima têm levado suas reclamações à empresa responsável pela coleta e pelo tratamento de resíduos sólidos.
“Sempre que nos queixamos, eles são mais céleres a tentar resolver as questões. Mas sabemos que a dificuldade deles será a nossa, com a escala que a empresa tem. Não é fácil contratar pessoas para fazer a gestão com salários baixos”, explicou.
O presidente afirma que a empresa tem dificuldade para preencher vagas. “Não conseguem contratar pessoal. Nesta altura do verão, fazem sempre um reforço de 30% das equipas, com subcontratações, e sei que, por exemplo, no ano passado, tiveram grande dificuldade, porque abriram concurso e não conseguiram ninguém que concorresse”.
Para o autarca de Ponte de Lima, o problema da gestão de resíduos sólidos, somado à falta de mão de obra, é um tema que precisa de intervenção do Estado, sobretudo por causa dos salários baixos pagos no setor.
“O Estado tem de arranjar maneira de tornar estas carreiras mais atrativas. Eu diria que para termos trabalhadores suficientes nesta área, é preciso pagar mais”, concluiu.
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