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Mercedes Classe C 100% elétrica pode não ter versão break

Carro elétrico Mercedes-Benz C-Class EV branco exibido em salão com design moderno e rodas aerodinâmicas.

A Mercedes revelou a nova Classe C 100% elétrica, um sedã de visual refinado e alinhado ao know-how de Stuttgart. Só que a estreia do modelo vem acompanhada de uma decisão capaz de gerar discussão entre os entusiastas da marca.

Meio século de Classe C e a tradição do break

Desde a Mercedes 190 (W201), apresentada no início dos anos 1980 e frequentemente apontada como a antecessora direta da Classe C, todas as gerações do sedã compacto de Stuttgart tiveram uma versão break. Por cinquenta anos, a marca ofereceu a quem precisava de espaço uma carroceria com porta-malas XXL e perfil alongado. Era a solução ideal para levar com dignidade o cão encharcado, acomodar os esquis sem virar um jogo de Tetris, não ouvir (tanto) as crianças gritando no fundo do banco traseiro ou ir até o ecoponto/centro de descarte com o carro carregado como um burro de carga.

A nova Classe C elétrica e o possível fim do break

A Classe C elétrica recém-apresentada sinaliza uma quebra nessa continuidade, porque provavelmente não vai ganhar a sua variação break. Desta vez, a fabricante pode até estar considerando deixar esse formato para trás de vez - algo que parecia inseparável do seu ADN. Não se trata de um capricho estético, mas de uma constatação comercial: nas palavras do próprio designer Robert Lesnik, “no fim das contas, ninguém compra”. A eletrificação na Mercedes vira, assim, também uma mudança cultural: a de uma empresa que admite, com algum pesar, que os breaks perderam apelo.

O break da Classe C diante de um mercado que virou as costas

Isso é pouco comum no mundo do automóvel: um designer interno assumir em público que aquilo de que ele gosta já não encontra compradores. Robert Lesnik, que liderou o estilo desta nova Classe C, é fã declarado do gênero - afinal, seu primeiro carro foi uma Alfa Romeo 156 Sportwagon, um emblema da Dolce Vita acelerada. Mesmo achando que a última interpretação do compacto está “quase perfeita”, quem decidiu foi o mercado. Como sempre.

A Mercedes não planeja oferecer uma variante break, embora a sua rival de sempre, a BMW, tenha confirmado que uma versão Touring da nova i3 está, sim, nos planos. Dentro desse segmento, os dois concorrentes históricos olharam para a mesma realidade e chegaram a conclusões exatamente opostas.

Nós estamos em três mercados. A América não quer, o shooting brake do CLS provou isso por conta própria. A China não entende o conceito. Já na Europa, basta olhar o preço de uma Classe E para se perguntar quem, na prática, ainda consegue pagar”, explica Lesnik.

O GLC elétrico como alternativa para quem precisa de espaço

Para famílias que queriam unir o emblema da estrela a um verdadeiro volume de carga, a Mercedes as direciona para o GLC elétrico. Os dois carros usam a mesma plataforma e os mesmos conjuntos de suspensão, e o GLC é, do ponto de vista técnico, uma Classe C mais alta.

Por ser um SUV, a tendência é vender melhor, e ele passa a ter a missão de acolher os “órfãos” do break - uma herança que surge por circunstância. E ainda oferece maior altura do solo, naturalmente, que hoje parece ser o único argumento que convence em três continentes. Mesmo que ninguém vá levar um GLC elétrico para fazer offroad, esse é o tipo de detalhe que não pesa para as equipas comerciais de Stuttgart.

Lesnik resume: “Eu digo que a gente deveria ter breaks - mas a realidade é um pouco diferente”. E completa, com diplomacia, que não se deve “nunca dizer nunca”, a última concessão à esperança numa decisão que, ainda assim, soa como ponto final. Por ora, a Mercedes escolheu o seu lado: a nova Classe C será um sedã fastback, de linhas muito bem resolvidas, que não vai precisar de uma versão break para se vender.


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