Quando um carro nasce com a missão de ser 100% elétrico, mudar de rota não costuma estar nos planos. Ainda assim, a geração mais recente do FIAT 500 vai mesmo abrir espaço para uma opção com motor a combustão, integrada a um sistema mild-hybrid, com produção prevista na Itália no começo de 2026.
A confirmação veio de Carlos Tavares, diretor executivo da Stellantis, após circularem notícias de que a marca estaria a procurar fornecedores e pedindo orçamentos ligados a um aumento de produção do Fiat 500 na fábrica de Mirafiori, em Turim, Itália.
Pelo que tudo indica, os rumores estavam bem perto da realidade. Apesar de um início muito forte nos dois primeiros anos, as vendas do Fiat 500 elétrico perderam fôlego, chegaram a estagnar e até recuar, ficando abaixo do que a Fiat esperava.
Na prática, o 500 elétrico não vinha alcançando as metas da FIAT. O plano era manter um ritmo anual entre 90 mil e 100 mil unidades. Porém, o «arrefecimento» da procura por elétricos tem pesado na produção do compacto. No ano passado, a marca montou apenas cerca de 80 mil unidades.
Segundo o Automotive News Europe, a Stellantis pretende, assim, elevar a produção anual do Fiat 500 para 200 mil unidades, sendo que 125 mil delas já devem corresponder à versão mild-hybrid, a partir de 2026.
Carlos Tavares, no entanto, reforça que manter modelos mais acessíveis - especialmente os elétricos - não depende apenas dos fabricantes. Existem fatores externos, fora do controlo das marcas, que aumentam a exposição ao risco, como os custos de energia, a expansão da rede de carregamento e até a continuidade de subsídios estatais no longo prazo.
Relação «tensa»
O Fiat 500 mild-hybrid também pode ajudar a reduzir a tensão entre a Stellantis e o governo italiano. Vale lembrar que há conversas entre o grupo e o executivo para elevar a produção de automóveis na Itália para, no mínimo, um milhão de unidades por ano. Em 2023, porém, foram produzidas apenas 750 mil unidades.
Esse clima tenso ficou ainda mais evidente nas últimas semanas: a Alfa Romeo precisou mudar o nome do seu novo SUV de Milano para Junior, e o pequeno Fiat Topolino foi «confiscado» devido ao uso indevido da bandeira italiana.
A perspetiva de um aumento expressivo na produção do Fiat 500 na Itália pode ser determinante para melhorar a relação entre as duas partes, além de abrir caminho para mais vendas e maior rentabilidade do icónico citadino.
Fonte: Automotive News Europe
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