No dia 11 de fevereiro, a Armada Argentina celebrou o 110º aniversário da criação do Parque e Escola de Aeroestação e Aviação da Armada, marco que deu início ao processo de desenvolvimento, amadurecimento e profissionalização da Aviação Naval no país - uma capacidade inédita para aquela época e que, ao longo do século passado e deste, segue evidenciando seu valor estratégico para o Instrumento Militar da Nação.
Ainda assim, o cenário atual do Comando de Aviação - as “asas” da Armada Argentina - está longe do ideal quando o assunto são capacidades. A fase de auge ficou para trás, quando aeronaves que exibiam com orgulho o azul-marinho na fuselagem e a bandeira de guerra na cauda operavam a partir dos porta-aviões que a Argentina chegou a manter.
Hoje, convivem esforços voltados à recomposição e à incorporação de novas capacidades com a desativação de plataformas, ao mesmo tempo em que algumas frotas aguardam definições e uma decisão oficial sobre seus rumos.
A seguir, apresentamos um panorama da situação atual do Comando de Aviação Naval da Armada Argentina e do seu horizonte de curto prazo para os próximos anos, detalhando cada uma das esquadrilhas que o compõem.
Esquadrilha Aeronaval de Exploração
Sediada na Base Aeronaval Almirante Zar e subordinada à Força Aeronaval Nº 3, a Esquadrilha Aeronaval de Exploração (EA6E) concentra, atualmente, as principais capacidades de vigilância e exploração do Comando de Aviação.
Nos últimos anos, essas capacidades foram sustentadas pelo emprego das aeronaves de patrulha marítima P-3 Orion na versão “Bravo”. Contudo, diante da inexistência de operatividade dos P-3B - cujo único exemplar aguarda definição de destino nas instalações da Fábrica Argentina de Aviões Brigadier San Martín (FAdeA) - avançou-se na compra de quatro aeronaves P-3C/N do Reino da Noruega.
Até o momento, a Armada Argentina já recebeu duas unidades no âmbito dos entendimentos firmados com a Noruega, com apoio dos Estados Unidos: o exemplar 6-P-57 - recebido em setembro de 2024 - e o 6-P-58 - recebido em novembro de 2025 -.
Quanto às duas aeronaves restantes, Charly e November, o processo de revitalização e preparação segue nos Estados Unidos pela empresa Rockland, sediada no estado da Flórida. Se não houver mudanças, a previsão é que o último P-3C e o P-3N (este, configurado para missões de apoio, busca e salvamento - SAR) cheguem ao país ao longo de 2026, no primeiro e no segundo semestre, respectivamente.
Esquadrilha Aeronaval de Vigilância Marítima
Com base na Base Aeronaval Punta Indio, a Esquadrilha Aeronaval de Vigilância Marítima (EA1V) é outra capacidade acionada pelo Comando de Aviação Naval para missões de controle e vigilância do mar. Assim como a EA6E, a unidade vem sendo reforçada com novas aeronaves, mantendo a linha adotada e as capacidades já estabelecidas na família Beechcraft B-200.
Em termos de dotação, a EA1V opera Beechcraft B-200 F Super King Air, Beechcraft B-200 M Super King Air e TC-12B Hurón; estes últimos são ex-US Navy e foram incorporados por meio de uma aquisição conjunta com a Força Aérea Argentina.
Além disso, em função do relacionamento bilateral com os Estados Unidos, estariam em curso tratativas para incorporar mais duas aeronaves por doação, dentro da Seção “333” Authority to Build Capacity - programa concebido e executado, segundo o governo norte-americano, “...para conduzir ou apoiar iniciativas que ofereçam treinamento específico e equipamento essencial...”. A referência, nesse caso, é a duas aeronaves Beechcraft King Air 360ER MPA.
Também merece destaque a doação, realizada em agosto de 2025, de um sistema eletroóptico de vigilância e reconhecimento WESCAM MX-10. A expectativa é que ele seja integrado a parte das aeronaves atualmente em serviço na unidade, com chances relevantes de equipar um dos B-200 “Cormorán”.
Esquadrilha Aeronaval Antissubmarino
Diferentemente das unidades citadas anteriormente, a Esquadrilha Aeronaval Antissubmarino (EA2S) atravessa um período de indefinição. No ano passado, foi efetivada a desativação do último de seus aviões antissubmarino Grumman S-2T Turbotracker, encerrando mais de 60 anos de serviço.
Com isso, fechou-se uma etapa importante para a Armada Argentina, como um dos últimos símbolos da operação embarcada em porta-aviões e de uma força naval com real capacidade de projeção oceânica.
2ª Esquadrilha Aeronaval de Caça e Ataque
A 2ª Esquadrilha Aeronaval de Caça e Ataque (EA32) vive um quadro semelhante ao da EA2S, em razão das incertezas que envolvem a condição operacional dos caças-bombardeiros navais Dassault Super Étendard (SUE) e Super Étendard Modernisé (SEM).
De acordo com diferentes relatos, a unidade continua submetendo as aeronaves adquiridas da França a testes, aguardando a autorização para iniciar voos de ensaio e avaliações. Trata-se de um processo que vem sendo adiado há anos e que torna cada vez mais presente uma possibilidade: a de que os SUE/SEM jamais voltem a voar.
O tema permanece em análise, à espera de uma decisão das autoridades navais e ministeriais que defina se as aeronaves podem operar cumprindo todas as exigências e medidas de segurança ou se chegou a hora de encerrar mais um capítulo da aviação naval argentina - marcada pelos laureis conquistados em combate contra a frota britânica na Guerra das Malvinas.
1ª e 2ª Esquadrilha Aeronaval de Helicópteros
A aviação de asas rotativas da Armada Argentina atravessa um cenário desigual. No caso da 1ª Esquadrilha Aeronaval de Helicópteros, o caminho aponta para o início da substituição dos atuais AS-555 SN Fennec pelos mais modernos Leonardo AW109M, que deverão operar a partir dos patrulheiros oceânicos da Divisão de Patrulha da Esquadra de Mar.
Esse ponto é relevante porque a disponibilidade dos Fennec - cuja missão principal é a designação de alvos além do horizonte - é limitada. Além disso, não se trata do meio mais adequado para tarefas de vigilância e patrulha, como operações de busca e salvamento.
A informação mais significativa divulgada oficialmente pelo Ministério da Defesa foi a confirmação da assinatura do contrato para a compra de quatro AW109M, sem apresentar detalhes adicionais sobre prazos e datas de entrega.
Já a 2ª Esquadrilha Aeronaval de Helicópteros, que tem os Sea King como principal vetor, enfrenta uma situação que exige atenção: parte considerável das aeronaves remanescentes, como os UH-3H e PH-3, aproxima-se do limite de vida operacional, com saldo de horas de voo cada vez menor.
Diante disso, e seguindo a lógica adotada na compra dos últimos Sea King junto à empresa norte-americana Carson Helicopters, vem sendo considerada a aquisição de exemplares fabricados e modernizados para elevar a disponibilidade geral da frota. Infelizmente, apesar do quadro operacional - e de esses helicópteros serem um dos principais apoios às Campanhas Antárticas de Verão - não foram registrados avanços relevantes no sentido de viabilizar a incorporação de mais unidades.
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