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Ozempic e Wegovy: cientistas pedem mais estudos sobre perda muscular com agonistas do receptor de GLP-1

Mulher segurando o cotovelo com expressão de dor, ao lado de frutas, pesa e halteres na cozinha.

Medicamentos como Ozempic e Wegovy ficaram conhecidos pelos benefícios na perda de peso, mas parte da comunidade científica quer entender melhor de que forma esses remédios podem influenciar a perda de músculos.

Em um novo comentário publicado em The Lancet, um grupo internacional de especialistas afirma que ainda faltam estudos suficientes sobre os efeitos dos agonistas do receptor de GLP-1 na musculatura.

Os autores reconhecem que os agonistas de GLP-1 já “mostraram benefícios substanciais” para muitas pessoas no mundo todo. Pesquisas iniciais indicam que esses medicamentos - aprovados inicialmente para tratar diabetes tipo 2 - também podem facilitar o emagrecimento.

Além disso, mesmo quem não perde peso parece apresentar melhora na saúde dos rins e do coração, com redução do risco de AVC ou parada cardíaca.

O que já se sabe sobre Ozempic, Wegovy e os agonistas do receptor de GLP-1

Apesar das notícias positivas, os pesquisadores chamam atenção para resultados preliminares envolvendo agonistas de GLP-1: eles sugerem taxas ligeiramente maiores de perda de tecido não gorduroso em comparação com a perda de peso obtida por meios não farmacológicos.

A perda de tecido livre de gordura pode não refletir com precisão a perda muscular. E, por outro lado, uma redução de massa muscular nem sempre é necessariamente ruim para a força ou para a mobilidade. Ainda assim, a nutricionista Carla Prado, os pesquisadores biomédicos Stuart Phillips e Steven Heymsfield e a nutricionista Cristina Gonzalez afirmam que não é possível ter certeza sem evidências adicionais.

“Até o momento em que este texto foi escrito, não há dados para estabelecer se o tratamento com agonistas do receptor de GLP-1 está associado à fragilidade física ou [à perda de massa muscular]”, escreve o grupo.

“Esses efeitos exigiriam estudos de longo prazo, que ainda não estão disponíveis, e os estudos realizados até agora não foram desenhados para responder a essas perguntas.”

Por que a perda de massa muscular importa além da força

Embora estudos iniciais sugiram que a força não é afetada pela perda de peso associada aos agonistas de GLP-1, os autores destacam que a força “é apenas um aspecto da importância dos músculos”.

Eles explicam que, além do movimento, os músculos desempenham papéis essenciais no metabolismo do organismo, na função imunológica e na resposta ao estresse e ao trauma.

Além disso, a massa muscular também ajuda o corpo a captar glicose em resposta à insulina.

Os pesquisadores temem que a perda muscular possa estar agravando fatores de risco associados aos agonistas de GLP-1 em alguns pacientes, como disfunção metabólica, inflamação, baixa ingestão alimentar e pouca atividade física.

Estratégias para reduzir risco: nutrição e exercício junto ao GLP-1

Diante desses riscos, os autores concluem que “esses medicamentos altamente eficazes devem ser usados de forma estratégica. Essa estratégia pode ser alcançada com intervenções concomitantes de nutrição e exercício”.

Estudos mostram que, após a perda de peso, a redução de massa muscular esquelética pode ser parcialmente influenciada por maior ingestão de proteína ou por atividade física. Segundo algumas estimativas, o treino de resistência pode atenuar a perda de massa livre de gordura em 50 a 95%.

Esses achados reforçam a ideia de que programas de exercícios e orientações nutricionais deveriam ser prescritos junto com agonistas de GLP-1 para melhores resultados.

Em geral, quando a pessoa interrompe esses medicamentos que suprimem o apetite, ela recupera cerca de dois terços do peso perdido em um ano. Em um ensaio clínico recente, no entanto, participantes que fizeram programas de exercícios supervisionados tiveram melhor desempenho para manter a perda de peso.

“Adicionalmente”, escreve o grupo, “estudos em andamento estão explorando formas de prevenir ou mitigar a perda muscular com medicamentos… o que poderia oferecer soluções para preservar a massa muscular em indivíduos submetidos a tratamentos de perda de peso”.

A possibilidade de perda muscular não significa que pacientes devam parar de usar agonistas de GLP-1, mas, considerando o quanto os músculos são importantes para a saúde humana, os pesquisadores defendem que é necessário entender muito mais.

O comentário foi publicado em The Lancet: Diabetes e Endocrinologia.

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