Posicionamento e proposta do BMW Série 6 Gran Coupé
Ele não chega exatamente para bater de frente com o Mercedes CLS - e ainda bem, porque esse bonde já passou há algum tempo. A ideia aqui é outra: o BMW Série 6 Gran Coupé é maior e mais caro, entrando na faixa do Panamera. Com isso, acaba parecendo um pouco mais solene do que o Benz (seria algo discreto, não fosse este exemplar com o acabamento opcional em branco chamativo e um marrom enjoativo; há outras combinações de revestimentos).
O tamanho avantajado cobra seu preço ao tentar encaixá-lo em ruas estreitas. Em compensação, ele é daqueles carros que dão prazer de olhar. As proporções são baixas, largas e bem assentadas no chão, e os designers da BMW aproveitaram esse formato ao trabalhar vincos e volumes com capricho, além de aplicar detalhes elegantes e bem ricos.
Na dianteira e na traseira - assim como no painel e nos bancos dianteiros - ele herda elementos do cupê da Série 6, mas o entre-eixos foi esticado para acomodar as portas extras e garantir um banco traseiro de verdade.
Galeria: BMW Série 6 Gran Coupé
Sensação ao volante e comportamento em estrada
Como um tubarão, o Gran Coupé parece ter sido desenhado para nadar rápido e por longas distâncias. E é exatamente essa a sensação ao dirigir. Ele se enfia por uma estrada secundária com autoridade sem esforço e, depois, devora trechos imensos de rodovia sem dar o menor sinal de cansaço.
Durante tudo isso, você fica num ambiente mais refinado do que o típico interior da BMW e com a carroceria mais rente ao asfalto. E, embora quem vai atrás não consiga se esparramar como em um Série 7, também não precisa viajar espremido e contrariando a própria coluna.
Motores 640i e 640d: potência e câmbio
Em termos de motor, há as opções 640i e 640d, ambas com seis-em-linha turbo. O a gasolina entrega 320bhp, não demonstra atraso perceptível do turbo e sobe de giro com uma musicalidade impressionante. Já o diesel, com 313bhp - bem próximo - também vale a pena ser ouvido e ainda bebe menos combustível ao fazer isso. Nos dois casos, o câmbio automático de oito marchas trabalha muito bem.
Apesar de ser um sedã grande, uma escolha cuidadosa de materiais mantém o peso sob controle. Ele usa capô e portas de alumínio, plásticos nos para-lamas dianteiros e na tampa do porta-malas, além de bastante alumínio na estrutura da suspensão. Esse conjunto ajuda a preservar um desempenho à altura da proposta. Com qualquer um dos motores, ele chega a 60 milhas por hora (cerca de 97 km/h) em aproximadamente cinco segundos.
Direção, suspensão e conforto em pisos irregulares
Dirigi carros equipados com a direção ativa opcional. Ela elimina informação demais do volante - na verdade, praticamente toda. Assim, você não tem aquela sensação de ligação com o carro que um Porsche Panamera consegue oferecer. Ainda assim, agilidade e precisão estão ali, disponíveis.
O melhor, porém, é como a suspensão - com amortecedores adaptativos e o Dynamic Drive, com barras estabilizadoras ativas - se mantém composta em pisos tipicamente remendados e ondulados. Ele faz curvas e filtra irregularidades com uma fluidez despretensiosa.
No ano passado, eu não consegui entender direito o cupê 640 de duas portas. Ele não é um esportivo, mas, ao mesmo tempo, parecia grande e desajeitado demais para um 2+2. Já este derivado Gran Coupé é mais bonito e anda tão bem quanto. Por dentro, ele passa uma sensação especial - e divide esse “algo a mais” entre quatro adultos, não apenas dois. Um carro grandioso e generoso.
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