Mais um SUV. Claro.
Antes de torcer o nariz, vale lembrar: estamos falando de um dos nomes mais antigos e populares entre os carros elétricos, agora repensado para um público mais amplo, mais conectado e bem mais familiarizado com eletrificação.
Eu tinha até esquecido do Leaf.
Dá para entender. Quando a Nissan lançou, em 2010, aquele hatch elétrico que virou referência, ele parecia meio constrangido por existir - afinal, era 2010: os elétricos estavam lá em cima discutindo o futuro, enquanto os motores a gasolina estavam lá em baixo brindando e fazendo barulho.
Corta para 2025. Os EVs não só chegaram à festa: assumiram o som e ainda escolheram a playlist. E, como essa metáfora já está indo longe demais, é melhor acelerar para algo mais concreto: a aceleração do próprio Leaf.
Imagino que ele tenha alguma, né?
Tem, sim - mas com suavidade. O TopGear.com teve acesso a apenas duas voltas num protótipo de pré-produção no campo de provas da Nissan, no Japão. Um circuito que juntava uma reta longa bem convidativa, duas curvas fechadas em grampo e uma sequência de mudanças de direção (por motivos que não sabemos explicar, as fotos acima foram feitas bem mais perto, no… Millbrook Proving Ground).
Não deixaram a gente “ir com tudo” no estilo Tsunoda - principalmente porque o Leaf não é um segundo banco amaldiçoado -, mas o pouco que deu para sentir foi, no geral, bastante tranquilizador.
Por quê?
Porque o Leaf amadureceu. Ele passa uma sensação mais premium, tanto no peso dos comandos de direção quanto no acerto de amortecimento. A carroceria está 28 por cento mais rígida do que a do Leaf de segunda geração, em grande parte por causa da suspensão traseira multilink (de quatro braços). Segundo a Nissan, isso ajuda a manter boa qualidade de rodagem em asfalto ruim sem que o carro “desmonte”.
E funciona?
É verdade que o asfalto do teste era tão liso e limpo que dava para comer sushi nele, mas em poucos metros o Leaf já se mostrou assentado e, mais importante para um carro com essa proposta, confortável.
A Nissan também mexeu nos coxins do motor para cortar vibrações, e a sensação na cabine foi justamente de calma.
Em 2025, ele vai humilhar um M3 antigo no semáforo?
A Nissan fez bem em não cair na tentação de transformar o Leaf numa catapulta: repetindo para quem estiver mais longe, este é um carro familiar sensato, feito para o grande público. E, por isso, precisa ser equilibrado. Foi assim que ele pareceu, ao menos nessas duas voltas.
A marca ainda não divulgou um tempo oficial de 0–62 mph, mas também não faltou disposição. Só não foi rápido a ponto de incomodar um M3 antigo na arrancada.
Então qual é a potência?
Algo em torno de 215 bhp e 262 lb-ft, entregues pelo conjunto “3-em-1” da Nissan. A sigla indica inversor, motor e redutor reunidos numa única carcaça, para ganhar compactação. Esse conjunto é alimentado por uma de duas opções de bateria e traciona as rodas dianteiras.
As duas baterias, naturalmente, são maiores do que as do Leaf de segunda geração que está saindo: uma de entrada com 53 kWh e outra de 75 kWh.
E qual é a autonomia com uma carga?
Cerca de 600 km, ou 373 milhas. É um salto enorme em relação ao que o Leaf de segunda geração costuma entregar, na casa das 260 milhas. Isso vem, em grande parte, dos avanços em tecnologia de eletrificação - e, novamente para quem estiver no fundo, algo que a Nissan vem desbravando há mais de década e meia - e também, em grande parte, do formato da carroceria.
Ah, sim: mais um SUV. Claro.
Desta vez, pelo menos, o carro parece mais seguro de quem é. A equipe de design foi guiada pela aerodinâmica: dianteira lisa, teto mais baixo e alongado, traseira afunilada, assoalho plano, rodas com foco em eficiência. Tudo isso não para “empurrar” o ar na marra como um McLaren W1, e sim para escorregar por ele sem drama.
Agora vem a parte do “vamos esperar para julgar depois que dirigir o carro final”, certo?
Vamos ter de “reservar o julgamento final até dirigirmos direito o carro de produção”, você tem razão.
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