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Como salvar alimentos e reduzir o desperdício sem arriscar a segurança alimentar

Pessoa guardando potes com legumes fatiados em cozinha clara e organizada.

Tem algumas bananas já bem escuras na fruteira ou uma salada murcha na geladeira?

Se a resposta for sim, isso é mais comum do que parece. Estudos indicam que, em média, lares australianos desperdiçam cerca de 30% dos alimentos que compram - algo em torno de 2,5 milhões de toneladas por ano.

E, em meio a uma crise de custo de vida, na qual tudo - do combustível às compras do mercado - fica mais caro, jogar comida fora pesa ainda mais.

Com essa pressão no orçamento, mais australianos têm recorrido a serviços de assistência alimentar. Ao mesmo tempo, muita gente está comprando menos itens frescos e assumindo mais riscos quando o assunto é segurança alimentar.

Ainda assim, com um pouco de informação e alguma criatividade, dá para aproveitar certos alimentos sem colocar a saúde em risco.

Não corra riscos

Vale lembrar: nem todo alimento dá para “salvar”. Em alguns casos, ele pode ter se tornado inseguro para consumo.

A seguir, quatro sinais importantes para ficar atento:

  1. Mofo visível
  2. Gosma
  3. Vazamento de líquido
  4. Cheiro forte ou azedo

Se um alimento apresentar um ou mais desses sinais, o melhor é descartar. Assim, você reduz o risco de intoxicação alimentar, que pode provocar dor abdominal, náusea, vômitos e diarreia.

Por outro lado, características como enrugamento, escurecimento e ressecamento geralmente indicam apenas envelhecimento - e não necessariamente deterioração perigosa.

Frutas

Bananas marrons ou pretas podem parecer pouco apetitosas, mas continuam totalmente seguras para usar em pão de banana, panquecas ou vitaminas.

Só é melhor deixar as bananas mais velhas longe das frescas: quanto mais escuras, mais elas liberam gás etileno, que acelera o amadurecimento de outras frutas.

Maçãs mais antigas tendem a ficar enrugadas porque perdem água com o tempo. Mesmo assim, são ótimas para cozinhar, assar ou ralar.

Cascas de cítricos - como limão e laranja - costumam ficar duras e secas à medida que envelhecem. Ainda assim, as raspas (as “zests”) podem entrar em bolos e marmeladas, e a polpa pode ser usada em bebidas, molhos para salada e marinadas.

Se aparecer mofo em frutas grandes e firmes, em geral é seguro remover a parte afetada. O ideal é cortar a seção mofada com uma boa margem, de pelo menos alguns centímetros.

Já em frutas pequenas ou macias, como as frutas vermelhas, o mais indicado é jogar fora.

Vegetais

Legumes e verduras murchos ou enrugados perderam umidade, mas não necessariamente estragaram. Você pode assar, amassar ou bater em purê, incorporando em preparos que vão de sopas a curries.

Também dá para “reviver” folhas como espinafre e couve com um banho de água com gelo. Para isso, separe as folhas e deixe de molho em água fria por pelo menos 30 minutos, para reidratá-las.

No caso de vegetais firmes, como batata, cenoura e abóbora, muitas vezes dá para retirar as áreas machucadas ou danificadas. Com batatas, porém, observe se há esverdeamento intenso ou muitos brotos, pois isso indica a presença de toxinas naturais, que fazem mal se ingeridas em grandes quantidades.

Você pode notar um “pelinho” branco surgindo em cogumelos. Em geral, isso não é mofo, e sim micélio - parte do sistema de “raízes” do cogumelo.

Mofo pode, sim, crescer em cogumelos, mas costuma aparecer em pontos isolados e bem coloridos, com aspecto azul, verde, cinza ou amarelo.

Grãos

Pão com mofo deve ser descartado. Isso acontece porque o mofo se espalha com mais facilidade em alimentos porosos, como pães e bolos.

Já pão amanhecido, mas sem mofo, pode ser aproveitado ao torrar, transformar em croutons ou fazer farinha de rosca. E guardar o pão em ambientes secos - como uma caixa de pão, saco de pano ou saco de papel - ajuda a desacelerar o crescimento de mofo.

Arroz ou macarrão cozidos que sobraram podem virar refogados ou pratos de forno dentro de alguns dias. Mas é essencial guardar rapidamente e do jeito certo na geladeira e reaquecer completamente, até ficar bem quente (ou, no mínimo, a 60°C). Se for usar micro-ondas, lembre-se de mexer para o aquecimento ficar uniforme.

Ainda assim, descarte sempre sobras que ficaram em temperatura ambiente por duas horas ou mais, porque podem conter bactérias que não são eliminadas apenas com o reaquecimento.

Laticínios

Muitas vezes consumimos leite e iogurte direto da geladeira, sem um passo de cozimento ou reaquecimento que ajude a eliminar bactérias.

Por isso, o mais seguro é descartar laticínios depois da data de validade. E, para evitar que estraguem antes do tempo, use apenas utensílios limpos para servir e devolva rapidamente à geladeira.

Se você gosta de queijos macios e perceber qualquer mofo, jogue fora a peça inteira (o bloco ou a roda). Isso porque as “raízes” do mofo podem penetrar profundamente no queijo.

Queijos duros, como parmesão, não são tão suscetíveis ao mofo; assim, muitas vezes dá para retirar as partes afetadas com uma margem generosa. Armazenar corretamente - por exemplo, embrulhar em papel manteiga ou papel próprio para assar e colocar em um recipiente - também ajuda o queijo a durar mais.

Há várias formas de aproveitar alimentos que já passaram do auge, mas não estragaram. Seguindo algumas regras simples de segurança alimentar e pensando fora do óbvio, é possível reduzir o desperdício e economizar.

Emma Beckett, professora sênior (Senior Lecturer) de Nutrição e Ciência dos Alimentos, Universidade Católica Australiana

Este artigo foi republicado de A Conversa sob uma licença CC. Leia o artigo original.

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