Antes do Fiat Punto virar assunto de capa e encher vitrines de prêmios, quem carregava essa ambição era o Uno - enorme sucesso de público, mas que em Portugal chegou a disputar o Carro do Ano sem nunca levar a taça. Quando o Punto apareceu, a conversa mudou: foi recebido com entusiasmo pela imprensa e pelos mercados, e os troféus que acumulou serviram como confirmação.
Ele não só conquistou o título de Carro do Ano em Portugal, como também levou o de Carro do Ano Europeu no mesmo período, superando o rival Volkswagen Polo. E apesar de o ano do prêmio ser 1995, o Punto já tinha sido revelado bem antes, no fim de 1993, chegando a Portugal no ano seguinte.
O Fiat Punto marcou uma ruptura clara com o Uno. O desenho era bem diferente e, logo de início, gerou polêmica sobretudo pelo posicionamento alto das lanternas traseiras - uma solução que, na época, só era vista na então recente perua Volvo 850.
O Fiat Punto, tal como o Uno, foi novamente desenhado por Giugiaro, que também assinou o contemporâneo e rival SEAT Ibiza (6K), ele próprio Carro do Ano em Portugal em 1994.
O visual mais utilitário do Uno dava lugar a formas e linhas mais suaves e fluidas, com a gama a incluir três carrocerias: três portas, cinco portas e ainda um conversível.
Curiosamente, o Punto Cabriolet levava a assinatura da Bertone, sendo igualmente produzido por ela, e distinguia-se pelas lanternas traseiras em uma posição mais convencional e com desenho horizontal - reaproveitamento de uma das soluções rejeitadas durante o desenvolvimento do design do Fiat Punto.
Desde 2016 que a Razão Automóvel integra o painel de jurados do Carro do Ano em Portugal
Diversidade
Além do estilo marcante, mantinha a fama do Uno de ser um dos mais espaçosos do segmento, e dava a sensação de existir um Punto “sob medida” para cada tipo de motorista. Havia várias motorizações, em sua maioria a gasolina: desde o simples 1.1 Fire com 54 cv, passando pelo 1.2 de 75 cv, até chegar ao míssil Punto GT, com o 1.4 Turbo herdado do Uno Turbo i.e., entregando 133 cv, capaz de ir de 0 a 100 km/h em 7,9 s e alcançar 200 km/h - tornando-o um dos mais rápidos da categoria. A Diesel, eram duas variantes 1.7 l, com e sem turbo.
Também em transmissões não faltavam alternativas - além da tradicional caixa manual de cinco marchas, o modelo inaugurava no segmento uma manual de seis marchas, usada no Punto 6Speed. Para completar, havia ainda a opção automática via uma caixa de variação contínua, com CVT.
Sucesso
Entre os outros pontos fortes estava o chassi com suspensão independente nos dois eixos, e a versão HSD (High Safety Drive), bem recheada de itens para aumentar a segurança ao volante - duplo airbag, direção assistida, apoios de cabeça traseiros (raridade na época), ar condicionado e ABS, equipamentos pouco comuns nos compactos daquele período.
A atualização no meio do ciclo trouxe uma nova motorização multiválvulas (16v), única na gama, derivada do já conhecido 1.2, com expressivos 86 cv - o mais potente do mercado nessa cilindrada.
O sucesso do Fiat Punto foi imediato: em 18 meses de vendas, somaria 1,5 milhões de unidades, chegando a mais de 3,3 milhões ao longo da carreira, que terminaria em 1999, quando o sucessor foi lançado.
O nome Punto atravessaria três gerações, com a última permanecendo em produção por longos 13 anos. O fim da sua fabricação acontece este ano, em 2018, e, por mais surpreendente que pareça, não terá um sucessor direto, sendo o último representante da Fiat num segmento de importância histórica para ela.
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