O Xpeng P7+ recarrega em instantes, entrega um conforto de alto nível e traz uma lista de equipamentos digna de carro de luxo. Para completar, o consumo ficou mais contido do que em outros modelos da marca. Será que é o pacote perfeito?
Será que tem algo “fora do script”? Ver 20 kWh/100 km bem discretos no painel de instrumentos é, no mínimo, incomum no universo da Xpeng. E vale reforçar: não estamos falando de um número obtido em estrada tranquila, e sim do gasto em rodovia do P7+. O G6, que nós gostamos bastante, chegava sem dificuldade a 25 kWh/100 km. Claro, a medição foi feita em autoestradas espanholas limitadas a 120 km/h. Uma checagem a 130 km/h deve acontecer em breve. Também é verdade que aqui temos um sedã, e não um SUV - mas a diferença é grande demais para que só o formato explique.
Adeus ao apetite de ogro: como o P7+ domou o consumo na rodovia
O conjunto de motores elétricos, antes de tudo, não é o mesmo. Com 313 cv, o P7+ Grande Autonomia é mais potente que o G6 Grande Autonomia, que tem 295 cv. O desempenho não é nada “de outro planeta”: a Xpeng parece ter priorizado a eficiência para entregar algo realmente sustentável do ponto de vista energético. E funciona. Mesmo que o P7+ ainda não seja o melhor da categoria, pelo menos ele não dá margem para críticas quando o assunto é consumo.
Recarga a 446 kW: o sedã que enche de elétrons em um piscar de olhos
Isso complica a vida dos rivais, porque o restante do carro já é muito bom. Por usar uma plataforma de 800 V, o P7+ impressiona na recarga rápida e entra facilmente entre os melhores. Em corrente contínua (DC), são 350 kW na versão Autonomia Standard e 446 kW na Grande Autonomia.
Na prática, no carregador, a experiência é excelente: os 300 kW aparecem rapidamente quando a bateria está em 30%. Ótimo - ainda que um pouco distante dos 400 kW que essa estação da Fastned, nos arredores de Barcelona, entrega como pico.
Foi possível observar um patamar de 200 kW até 50% de carga, e depois a potência começa a cair de forma gradual. Em carregadores mais fortes, não há dúvida de que a potência máxima será atingida, como já tínhamos visto de maneira bem positiva com o G6. Vale registrar que, nesta sessão de recarga, o pré-aquecimento da bateria não foi ativado.
E a outra especialidade do P7+ aparece andando. O que é ótimo, já que é um carro que costuma ser chamado para fazer “vruuum”! Bem, pelo menos na cabeça…
Silêncio de catedral e suspensão flutuante: maciez extrema como objetivo
O isolamento acústico é, de fato, muito competente: na rodovia, entram apenas leves ruídos de vento e de rolamento. O amortecimento também é extremamente macio, a ponto de ficar balançando demais no modo Conforto. Em linha reta isso é ótimo, mas em curvas pode dar enjoo rapidamente.
Ao selecionar o programa Sport, a suspensão adaptativa endurece muito pouco. Continua confortável, porém sem entregar uma condução realmente dinâmica.
Entre-eixos de 3 metros e conforto XXL: quando o espaço traseiro passa do limite
No capítulo conforto, o P7+ aproveita suas medidas generosas (5,07 metros de comprimento, 1,94 metro de largura e exatos 3 metros de entre-eixos) para mimar quem vai a bordo. Atrás, o espaço impressiona, com muita folga para joelhos, ombros e cabeça.
E tem mais: os encostos do banco traseiro podem reclinar eletricamente para aumentar o relaxamento. Melhor ainda, as bases dos assentos contam com aquecimento, massagem e ventilação. Por outro lado, não há qualquer apoio lateral.
Materiais bem escolhidos: a apresentação impecável do P7+
Sem drama: tudo isso é controlável por uma tela traseira de 8 polegadas. O assoalho é plano. O que mais pedir? Talvez um lugar central um pouco mais agradável - mas isso já seria um capricho.
Quem é exigente com acabamento também terá pouco a apontar: o P7+ cuida muito bem do interior. Mesmo sem ser particularmente original, a apresentação é de qualidade, com materiais bem selecionados e montagem precisa tanto na frente quanto atrás.
O porta-malas de 573 litros comporta até 33 bagagens de cabine com os encostos rebatidos.
Telas sensíveis ao toque: imagens bonitas e uso complicado
A central multimídia de 15,6 polegadas exibe gráficos muito bonitos e responde com fluidez. O problema é que o sistema é relativamente complicado de entender, com menus organizados de um jeito pouco lógico. Os atalhos na parte inferior ajudam a reduzir o incômodo, mas praticamente tudo fica preso na tela.
À frente do motorista, o quadro de instrumentos de 8,8 polegadas é discreto, mostrando apenas o essencial.
Como grande viajante, o Xpeng P7+ precisa destacar a autonomia. Na prática, ela é apenas correta. Os 530 km no ciclo WLTP, vindos da bateria de 74,9 kWh, não têm nada de surpreendente. Considerando o consumo em rodovia, dá para rodar mais de 350 km de uma vez antes de recarregar - e com uma recarga muito rápida.
Sinceramente, eu prefiro isso ao contrário, porque a sensação de ficar parado muito tempo no carregador é insuportável para mim.
Assistências ao motorista: quando a tecnologia vira castigo
Mas será tão insuportável quanto as assistências de condução do P7+? O assistente de permanência em faixa - que mais castiga do que ajuda - dá puxões horríveis no volante para recolocar o carro no caminho.
Mesmo quando você desativa a função, ela volta imediatamente, como um intruso que ninguém chamou. É extremamente desagradável. A condução semiautônoma também não é das mais suaves na direção, embora seja menos brusca do que no G6.
Couro Nappa e portas com “Soft close”: um pacote de limusine para o P7+
Em contrapartida, o P7+ repete o feito do G6 no custo-benefício de preço/equipamentos, que é excelente. O nosso Grande Autonomia traz tanta coisa que é difícil listar tudo. Ainda assim, entre os itens mais chamativos estão as rodas de 20 polegadas, portas com fechamento assistido, retrovisor digital, exibição de ponto cego no head-up display, bancos em couro Nappa, sistema de som com 20 alto-falantes e chave digital com estacionamento remoto.
45 990 €: o preço monumental que faz as marcas europeias tremerem
O grande problema para os concorrentes é que esse pacote chega por um valor realmente agressivo. 45 990 € na versão de entrada e 49 990 € na Grande Autonomia é um posicionamento muito forte.
Um modelo europeu equivalente pode custar tranquilamente o dobro, com equipamentos e capacidade de recarga que, em ambos os casos, ainda podem ser inferiores…
Há também uma versão Performance de 503 cv por 53 990 €. Mas, na nossa visão, isso é dispensável - a menos que exista uma necessidade real de tração nas quatro rodas.
Nossa opinião sobre o Xpeng P7+
A nota máxima fica para os verdadeiros “casos de amor”. O Xpeng P7+ não é isso. Ainda assim, o conjunto é tão bem amarrado que o sedã chinês chega bem perto sem nenhuma contradição.
Como qualidades não faltam, é mais útil destacar os pontos fracos: as assistências ao motorista costumam ser irritantes, a ergonomia ainda pode melhorar e o acerto “gelatina” do chassi joga o prazer ao volante para o segundo plano. O restante é incrivelmente convincente. E, depois de experimentar o excelente G6, era algo esperado.
Entre um equipamento digno de luxo por 45 990 € e assistências ao motorista que às vezes irritam, você toparia dar o passo rumo ao elétrico chinês diante dos gigantes europeus? Queremos sua opinião nos comentários!
Xpeng P7+ Grande Autonomia
49 990 €
Nota: 9
Veredito
9.0/10
O que gostamos
- Recarga rápida no mais alto nível
- Consumo contido
- Conforto de primeira
- Equipamentos ultra completos
- Preço extremamente competitivo
O que gostamos menos
- Assistências ao motorista às vezes insuportáveis
- Ergonomia que ainda precisa de ajuste fino
- Chassi pouco disposto
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