Após a recente visita à Diretoria de Arsenais do Exército Argentino - ocasião em que Zona Militar pôde entrevistar o Diretor-Geral de Material - foi possível abordar quais são as expectativas da Força quanto à incorporação de novas capacidades, impulsionadas por iniciativas de aquisição, recuperação e modernização. Um dos exemplos citados é o TAM 2C-A2, programa que deve contar com um segundo esquadrão operacional ainda neste ano.
Programa TAM 2C-A2 e expectativas do Exército Argentino
O TAM 2C-A2 está entre os projetos mais relevantes de modernização e recuperação das capacidades de cavalaria blindada do Exército Argentino. A iniciativa busca disponibilizar um sistema de armas blindado atualizado, tanto pela incorporação de tecnologias de ponta quanto pela extensão de vida útil proporcionada pelos trabalhos executados pelo Batalhão de Arsenais 602.
As expectativas em torno do programa se desdobram em diferentes frentes: da entrega de um novo esquadrão operacional de TAM 2C-A2 em 2026 à possibilidade de ampliação do projeto, o que beneficiaria não apenas a frota de viaturas de combate blindadas TAM, como também poderia ser replicado para outros integrantes da família. Embora essas alternativas sigam em avaliação - incluindo projetos que ainda aguardam execução - elas são vistas como um desdobramento natural do próprio programa.
Cabe destacar que o Exército Argentino iniciou a modernização e a recuperação do TAM com um horizonte bem definido: incorporar novas capacidades, prolongar a vida em serviço e equilibrar a relação custo-benefício do investimento a ser enfrentado. Esse mesmo caminho poderia ser repetido caso se decida avançar com os demais membros da família, com atenção especial ao VCTP.
Resultados do TAM 2C-A2 e treinamento constante
Superados os desafios inerentes a um programa desse porte, o Exército Argentino alcançou diferentes marcos e resultados com o TAM 2C-A2, consolidados durante as etapas de certificação e depois que as viaturas de combate foram entregues à unidade operacional.
A partir da DGID, foi ressaltado que, com o TAM 2C-A2, “foram obtidos resultados excelentes, tanto em tiro diurno quanto noturno, em movimento e contra alvos fixos e móveis…” “Estamos em comunicação constante com o 8º Regimento, em Magdalena…” - referência ao intercâmbio entre as guarnições e os distintos elementos do Exército envolvidos no projeto.
“As mudanças aplicadas foram sendo ajustadas à medida que se aprendia a operar os novos sistemas, (um processo que ocorreu) enquanto as tripulações eram treinadas para operá-los da forma mais eficiente possível… Durante o processo de certificação, também é realizado treinamento em manutenção de comunicações, manutenção mecânica e instrução de tripulação… isso também faz parte do processo de certificação, para que tudo seja entregue como um sistema de armas completo…” explicou o Coronel-Major Nadale, da DGID.
O conjunto de cursos e alternativas de capacitação continua se ampliando, em função das necessidades que surgem quando os TAM 2C-A2 já estão em sua unidade operacional. Com a entrega de um novo esquadrão, é esperado que aumente a demanda por pessoal treinado em manutenção de primeiro escalão, com o objetivo de ampliar a autossuficiência local. Ainda assim, para intervenções mais complexas, o suporte de escalões superiores seguirá sendo necessário.
Modernização e recuperação do TAM 2C-A2: torre e casco
Os trabalhos de modernização e recuperação do TAM 2C-A2 são organizados em dois grandes componentes: a torre e o casco. A recuperação do casco é realizada pela Diretoria de Arsenais, subordinada à Direção-Geral de Material. A recondicionamento e a revisão geral do casco abrangem diversos aspectos, incluindo uma nova instalação elétrica, saias laterais para proteção adicional, um sistema de visão do motorista, entre outros itens.
Já a DGID conduz as intervenções na torre, em uma modificação que substitui e integra novas tecnologias: do sistema de estabilização e do acionamento elétrico da torre e do canhão ao sistema de controle de tiro, que incorpora novas miras panorâmicas para o atirador e para o comandante do carro. A atualização da torre também inclui um novo sistema de alerta laser, um sistema interno de supressão de incêndio da viatura, uma unidade de potência auxiliar, proteção térmica do canhão, além de outras melhorias.
Vale lembrar que a modificação e a incorporação de aperfeiçoamentos na torre (cesto de equipamentos, diferentes suportes e adaptações) são executadas pela empresa IMPSA. À medida que a companhia sediada em Mendoza libera as torres modificadas, elas recebem os sistemas mencionados nas instalações do Batalhão de Arsenais 602.
Em paralelo, o chassi do TAM também passa por trabalhos para voltar à condição operacional, por meio da substituição ou do reparo dos diversos componentes que o compõem. Isso inclui peças móveis como a roda motriz, a roda guia e as rodas de apoio, além dos amortecedores. “O Batalhão de Arsenais 602 tem sido historicamente responsável por executar a manutenção de mais alto nível de toda a família TAM… conta com pessoal de ampla experiência…” explicou o Major Javier Aguirre, subcomandante do Batalhão.
Dentro do processo, e ao lado da modernização da torre conduzida pela DGID, o Batalhão de Arsenais 602 atua no chassi em suas diferentes estações de trabalho. “Uma equipe que trabalha em um TAM, a primeira coisa que faz é desmontá-lo por completo… Há peças que são compradas novas e reinstaladas. Há peças que são recuperadas… Trabalho semelhante é realizado no sistema elétrico, no sistema de combustível, no sistema do motor… o casco é totalmente recuperado…” relatou o Major Aguirre à ZM.
2030 como meta e possível ampliação do programa
Com um acordo que prevê a recuperação e a modernização de 74 viaturas de combate blindadas TAM para o padrão TAM 2C-A2, a continuidade dos trabalhos está projetada até 2030. E, pelo que se observa, a intenção é que as entregas ocorram em unidades completas (esquadrões), e não em lotes menores.
Como já mencionado, uma próxima etapa pode significar estender o processo de recuperação e modernização aos outros integrantes da família TAM. Um dos casos considerados entre os Projetos de Investimento Público é a modernização do VCTP, um processo de atualização e recondicionamento que pode se beneficiar de forma significativa da experiência acumulada com o TAM 2C-A2.
Ainda assim, essas possíveis iniciativas são tratadas com cautela, pois, para garantir sua execução adequada, será necessária a alocação e a disponibilidade dos recursos exigidos: orçamentários, técnicos, humanos e de infraestrutura.
Agradecimentos: Exército Argentino; Secretaria-Geral do Exército; Direção-Geral de Material; Diretoria de Arsenais; Batalhões de Arsenais 601 e 602.
Você também pode gostar: O Exército Argentino envia uma delegação aos Estados Unidos para avaliar a incorporação de mais de cinquenta viaturas blindadas 8×8 Stryker
Comentários
Ainda não há comentários. Seja o primeiro!
Deixar um comentário