Depois de relembrarmos o Opel Calibra, hoje voltamos a entrar na «máquina do tempo» para revisitar outro cupê da marca alemã que apareceu alguns anos depois: o seu irmão caçula - e também o mais bem-sucedido -, o Opel Tigra.
Ele foi apresentado como protótipo no Salão de Frankfurt de 1993 (na prática, pouco mais do que o carro de produção «disfarçado») e chegou acompanhado de uma elegante versão roadster. A recepção do público não poderia ter sido melhor. Mesmo sendo uma aposta arriscada em um nicho de baixo volume, parecia claro que a Opel tinha um acerto nas mãos.
Um ano mais tarde, em 1994, o Opel Tigra estreou no mercado e rapidamente juntou uma legião de fãs - e até filas de espera… Embora não tenha sido o primeiro cupê compacto a aparecer, foi ele quem «ressuscitar» o segmento dos pequenos cupês, a ponto de inspirar novos rivais, como o Ford Puma, que acabaria também virando um dos protagonistas desse nicho.
Quem vê caras…
Como tantos outros cupês da história da Opel, o Opel Tigra nasceu a partir de uma base bem mais “pé no chão”.
Assim, se o Manta era derivado do Ascona, o GT aproveitava componentes do Kadett e o Calibra vinha do Vectra, por baixo da carroceria elegante e de linhas dinâmicas, o Opel Tigra era nada menos do que um Corsa B.
Por fora, essa proximidade era quase impossível de perceber, já que Tigra e Corsa B não dividiam sequer um único painel de carroceria. Mas a trena não mente: o entre-eixos (2,44 m) e a largura (1,60 m) eram exatamente os mesmos. O Tigra, porém, era mais comprido (3,91 m contra 3,73 m) e bem mais baixo (1,34 m contra 1,42 m).
As únicas peças externas iguais eram as setas laterais e… as maçanetas das portas (naquele período, elas eram comuns a quase toda a linha Opel).
Por dentro, em compensação, a semelhança era praticamente total. O painel era o mesmo usado no Corsa; as diferenças em relação ao compacto ficavam por conta do quadro de instrumentos com apelo mais esportivo (ainda que com a mesma organização), dos revestimentos distintos e do layout 2+2.
Por fim, a ligação ao chão vinha de uma suspensão idêntica à do “irmão”. Ainda assim, mais adiante, a partir de 1997, tanto Tigra quanto Corsa B passariam a ter uma pegada dinâmica superior graças à intervenção da Lotus - só é uma pena que ela não tenha feito o mesmo que fez com o Lotus Omega.
Mecânica? Herdada é claro!
Do mesmo jeito que a plataforma, o conjunto mecânico do Opel Tigra também vinha do Corsa B. Com isso, o modelo era oferecido com duas motorizações a gasolina, 1.4 l e 1.6 l (esta última disponível apenas até 1998). Ficaram de fora o 1.2 l, reservado às versões de entrada do Corsa, e, como era de se esperar, os conhecidos motores Diesel da Isuzu usados no compacto alemão.
Começando pelo 1.4 l, ele entregava 90 cv e 125 Nm. No topo da gama aparecia o 1.6 l, o mesmo do Corsa GSi da época, com 106 cv e 148 Nm.
Nos dois casos, a transmissão podia ser uma automática de quatro marchas ou uma manual de cinco. Com o 1.4 l, o Tigra fazia 0 a 100 km/h em 11,5s e chegava a 190 km/h. Já com o 1.6 l, os 100 km/h vinham em 9,4s e a velocidade máxima subia para 203 km/h.
Os outros Tigra
Como dá para imaginar, o poder de atração do Opel Tigra era grande - e por isso ele acabou servindo de base para outros projetos. Um deles foi o Tigra V6, um protótipo com tração traseira e um V6 3.0 l de 208 cv em posição central.
Outro trabalho desenvolvido a partir do Opel Tigra foi uma variante picape criada pela Irmscher, construída sobre o projeto de um jovem designer… português (estou escrevendo de memória e deixo um pedido: se souberem o nome, não hesitem em nos procurar, porque gostaríamos de contar essa história com mais detalhes).
O fim e o regresso do Tigra
Lançada em 1994, a primeira geração do Opel Tigra ficou em produção até 2001, quando saiu de linha sem deixar um sucessor direto. Ao todo, foram vendidas 256 392 unidades dessa primeira fase do pequeno cupê alemão - um volume considerável para um carro visto como de nicho.
Só que a trajetória do Opel Tigra não parou na primeira geração. Em 2004, o nome Tigra voltou, retomando a mesma receita de usar a base do Corsa para criar um modelo diferente, com mais estilo - a fórmula voltou, mas o sucesso não…
Seguindo o formato que estava em alta naquele período, o de conversível com teto rígido retrátil, o Tigra Twintop não convenceu e emplacou apenas 90 874 unidades entre 2004 e 2009.
Com um visual bem resolvido, mas distante da elegância, do dinamismo e também da irreverência do primeiro Tigra, o Twintop chegou até a se render aos “encantos” dos motores Diesel (1.3 CDTI e apenas 70 cv) - numa fase em que as vendas desse tipo de motor cresciam expressivamente na Europa -, mas nem isso parece ter ajudado. A verdade é que, ao contrário do primeiro Tigra, o Twintop quase passou despercebido…
Poderá o Tigra regressar?
Considerando que o principal rival do Opel Tigra, o Ford Puma, virou um SUV/crossover compacto, fica a pergunta: será que queremos que o Tigra volte? No mercado atual, dificilmente há espaço para pequenos cupês; parece que só existe espaço para crossovers e SUV.
A palavra fica com vocês: a Opel deveria recuperar o nome Tigra e colocá-lo em um crossover/SUV compacto?
Sobre o “Glórias do Passado.”. Esta é a seção da Razão Automóvel dedicada a modelos e versões que, de alguma forma, se destacaram. Gostamos de lembrar as máquinas que um dia nos fizeram sonhar. Embarque com a gente nesta viagem no tempo aqui na Razão Automóvel.
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