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Jaguar F-Pace P400e híbrido plug-in: reestilização e desempenho

Carro elétrico branco Jaguar F-Pace P550e carregando em showroom moderno.

O Jaguar F-Pace P400e, híbrido plug-in, é uma das maiores estreias dentro da reestilização do SUV - o primeiro utilitário-esportivo da tradicional marca britânica, lançado em 2016. Assim que chegou às lojas, o F-Pace virou rapidamente o Jaguar mais vendido no mundo: em 2017 foram 76 000 unidades emplacadas, superando, somadas, todas as vendas dos demais modelos da marca naquele ano.

A procura por SUVs é forte em praticamente todos os mercados, então esse bom resultado não surpreendeu. Ainda assim, com o avanço da concorrência nos anos seguintes e um certo “envelhecimento precoce” do visual do F-Pace, o ritmo de vendas acabou caindo pela metade.

Motivo mais do que suficiente para uma atualização profunda - ainda mais num momento em que a eletrificação da linha de motores do SUV virou prioridade.

Mudanças por fora

A base técnica continua sendo a do XE e do XF (plataforma D7a), feita majoritariamente (80%) de alumínio, e as proporções gerais foram mantidas. Mesmo assim, há alterações importantes: o capô ganhou uma saliência central mais pronunciada, para-choques e entradas de ar são novos, os faróis ficaram mais estreitos e passaram a usar uma tecnologia LED mais avançada, e a grade dianteira também foi redesenhada.

Como opcional, dá para escolher o conjunto de iluminação LED Pixel, que oferece mais definição e mais intensidade luminosa, com troca automática entre farol alto e baixo e um recurso que aplica uma “máscara” nos projetores para não ofuscar quem vem no sentido contrário.

Grande evolução nas telas

Por dentro, as mudanças aparecem ainda mais de cara com a adoção de uma nova tela central de 11,4” (no lugar da antiga de 10”). Ela é levemente curva (e traz uma moldura fina em magnésio) e, segundo a Jaguar, é três vezes mais brilhante do que a anterior - a ponto de permitir que os súditos de Sua Majestade usem o reflexo para ajustar, com mais capricho, o nó da gravata Windsor.

Na prática, como vimos, a lógica de uso ficou mais simples e intuitiva (de acordo com os engenheiros britânicos, 90% das funções mais utilizadas podem ser acessadas com dois toques - ou menos - na tela sensível ao toque). Essa nova geração da arquitetura eletrônica (2.0) vem acompanhada de um painel de instrumentos inédito, de 12,3”, em HD, configurável e com gráficos aprimorados.

O efeito geral é claro: agora a tela do multimídia e o quadro de instrumentos parecem fazer parte do mesmo carro - e da mesma década -, algo que não acontecia no F-Pace anterior.

Para reforçar que o F-Pace passou a encarar os principais rivais (Mercedes-Benz GLC, BMW X3, Audi Q5 etc.), há conectividade Apple CarPlay e Android Auto (com ligação sem fio a smartphones), head-up display (opcional), carregamento sem fio do celular, sistema de cancelamento de ruído na cabine e ainda a capacidade de receber atualizações remotas de software (over the air), viabilizadas pela adoção de um segundo cartão SIM.

Dá para perceber o tamanho do esforço para elevar o multimídia, começando por uma bateria auxiliar dedicada, que permite inicialização bem mais rápida e operação mais fluida. Ainda existe espaço para evoluir - como no head-up display, que exibe uma pequena área do mapa de navegação em vez de pictogramas ou até setas “voadoras” -, mas o salto é evidente.

Melhor ergonomia

Outros avanços ficam por conta do novo desenho dos painéis de porta (com porta-objetos maiores) e da mudança dos comandos dos vidros elétricos para uma posição mais fácil de alcançar para os dois ocupantes da frente.

Do I-Pace, o SUV herdou o sistema de ionização do ar e o filtro de pólen, algo que tende a agradar motoristas com alergias. Já o áudio ajuda a diminuir o ruído externo (o de rodagem dos pneus no asfalto, não o de alertas sonoros) por meio de contra-frequências, no mesmo princípio usado em fones de ouvido de alto nível.

Também surgem novos acabamentos em alumínio, preto piano envernizado e couro, dependendo da versão. Outro destaque é o novo seletor da transmissão automática (ZF de oito marchas), com construção mais caprichada (metal e couro com costuras) e melhor pegada, substituindo o antigo comando rotativo.

Há ainda um novo seletor, metalizado, dos modos de condução (Comfort, Eco, Rain/Ice/Snow e Dynamic), que também permite acionar o sistema auto-hold. Ele foi aprimorado: agora segura o carro parado numa subida forte até o motorista voltar a acelerar, enquanto o sistema anterior mantinha o veículo retido só por alguns segundos. Tudo isso entra no lugar de botões em plástico preto que pouco contribuíam para a sensação de qualidade esperada de um interior com proposta premium.

Os bancos ficaram mais largos e houve evolução nos recursos de massagem e de aquecimento/ventilação, quando disponíveis. O conjunto combina bem com a melhora geral do acabamento e da percepção de qualidade a bordo - um ponto em que o Jaguar F-Pace original não convencia.

Segunda fila espaçosa

Quando foi lançado em 2016, o Jaguar F-Pace era um dos SUVs mais amplos da categoria, em parte por ter o maior entre-eixos e também por ser o mais comprido. Esses dois atributos foram preservados (o entre-eixos é igualado apenas pelo Mercedes-Benz GLC), então ele segue entre os melhores em espaço para passageiros, sobretudo no comprimento para quem vai na segunda fileira.

Em largura, ele fica dentro da média do segmento, e perde um pouco em altura. Ainda assim, pessoas com até 1,90 m viajam sem aperto. A exceção é o ocupante central do banco traseiro, que precisa conviver com um túnel de transmissão volumoso entre as pernas (todos os F-Pace têm tração integral).

O porta-malas aparece na média da categoria em capacidade, mas no híbrido plug-in (P400e) o volume é de 485 litros: são 16 litros a menos do que no MHEV (mild-hybrid, ou hibridização leve - opcional nos quatro cilindros e de série nos seis cilindros) e 128 litros a menos do que no F-Pace sem qualquer tipo de assistência ou propulsão elétrica.

F-Pace P400e, o mais potente do segmento

E a principal novidade do Jaguar F-Pace reestilizado é justamente este híbrido plug-in: o P400e (o mesmo conjunto do novo Land Rover Defender, embora lá ele use uma bateria maior), que foi o que dirigimos - e que se soma às outras mudanças nas motorizações. Aqui, o 2,0 litros de quatro cilindros com 300 cv trabalha com um motor elétrico de 105 kW (143 cv), resultando em 404 cv e 640 Nm no pico do sistema.

O motor elétrico (de ímã permanente) recebe energia de uma bateria de íons de lítio com 13,6 kWh utilizáveis (17,1 kWh “brutos”). Com ela, a autonomia em modo 100% elétrico chega a 53 km e o consumo médio homologado é de 2,2 l/100 km. A recarga pode ser feita a 7,4 kW (corrente alternada, AC), exigindo 1h40min para ir de 0 a 80%, ou a 32 kW (corrente contínua, DC), caso em que 30 minutos bastam para levar a bateria a 4/5 da carga máxima.

Depois de sair de forma suave em modo totalmente elétrico, dá para valorizar o silêncio interno - mérito do sistema de cancelamento de ruído -, além do jeito macio como o stop/start atua nos dois sentidos e como a conhecida caixa automática ZF troca marchas “para cima e para baixo”. Isso fica ainda mais evidente porque o empurrão elétrico ajuda no andamento em “pezinhos de lá” quando rodamos no modo híbrido. O motorista pode escolher entre “hybrid”, “electric” (desde que haja carga suficiente) e “save”, para preservar bateria e, por exemplo, usar eletricidade no fim do trajeto em áreas urbanas.

A resposta ao acelerador é sempre forte, mesmo no modo Eco e em baixos giros, já que os 640 Nm totais aparecem logo a 1500 rpm, pouco acima da marcha lenta. Isso acontece porque o torque do motor a gasolina (400 Nm) chega nesse giro, e o do motor elétrico vem antes.

Por isso, não surpreende que, apesar dos 2190 kg de massa (quase 200 kg a mais do que a versão apenas a gasolina com este motor), o F-Pace P400e precise de só 5,3s para ir a 100 km/h e de apenas 3,3s para retomar de 80 a 120 km/h - um número mais comum em esportivos de alto desempenho do que em SUVs, assim como a velocidade máxima de 240 km/h.

Quando a estrada pede mais, dá para colocar em Dynamic (e pode fazer sentido usar as aletas atrás do volante para controlar a caixa manualmente). Já em piso escorregadio, o modo Rain/Ice/Snow ajuda com entrega de torque limitada, maior viés de tração traseira ou saídas em 2ª marcha.

Os modos alteram a calibração da direção (que poderia transmitir um pouco mais), da caixa, do acelerador e dos amortecedores eletrônicos de controle variável (com tendência a serem “secos”). Ainda assim, eles mantêm o controle da inclinação da carroceria e sustentam a agilidade do F-Pace P400e, mesmo sem a veia esportiva de um Porsche Macan.

Quanto consome?

Como acontece em qualquer híbrido plug-in, o consumo médio depende muito do nível de carga e da disciplina de recarga. No cenário ideal, dá para passar a semana só na eletricidade (autonomia na casa dos 50 km), até porque bastam 1h40min (7,4 kW) ou 30 minutos (32 kW) para voltar a 80% de “suco”. Mas mesmo num uso misto (ou seja, híbrido) com trecho de rodovia, como neste caso, é possível ver médias interessantes entre 5,5 e 6,5 l/100 km, ainda que longe dos 2,2 divulgados pela Jaguar.

O novo Jaguar F-Pace P400e já está à venda com preços a partir de 75 479 euros.

É verdade que a Jaguar é uma marca premium, mas vale notar que, quando comparado aos rivais citados nas versões plug-in, ele custa de 10 000 a 12 000 euros a mais (com exceção do Audi Q5, que fica apenas 3000 euros abaixo na versão mais potente 55 TFSIe). Isso pode levar muitos interessados a optar por uma das três alternativas alemãs.

Especificações técnicas

Jaguar F-Pace P400e

Item Dados
Motor a combustão
Arquitetura 4 cilindros em linha
Posicionamento Dianteiro longitudinal
Capacidade 1997 cm³
Distribuição DOHC, 4 válv./cil., 16 válvulas
Alimentação Inj. direta, turbocompressor
Potência 300 cv às 5500 rpm
Binário 400 Nm entre 1500-4000 rpm
Motor elétrico
Potência 105 kW (143 cv)
Binário N.D.
Rendimento máximo combinado
Potência máxima combinada 404 cv
Binário máximo combinado 640 Nm
Bateria
Química Íons de lítio
Capacidade 13,6 kWh (17,1 kWh brutos)
Potência de carga Corrente alternada (AC): 7,4 kW; Corrente contínua (DC): 32 kW.
Carregamento 7,4 kW (AC): 1h40min (0-80%); 32 kW (DC): 30min (0-80%)
Transmissão
Tração Integral (4 rodas)
Câmbio Automático (conversor de torque) de 8 marchas
Chassi
Suspensão Dianteira: Independente de duplos triângulos sobrepostos; Traseira: Independente multilink
Freios Dianteira: Discos ventilados; Traseira: Discos
Direção / Voltas do volante Assistência elétrica/2,52
Diâmetro de giro 11,93 m
Dimensões e capacidades
Comp. x Larg. x Alt. 4,747 m x 1,936 m x 1,664 m
Entre-eixos 2,874 m
Porta-malas 485 l
Tanque 69 l
Peso 2189 kg
Capacidade de reboque 2000 kg
Pneus 255/55 R19
Aptidões fora de estrada
Ângulos Ataque: 22,5º; Saída: 22,9º; Ventral: 19,0º;
Distância do solo 213 mm
Capacidade de travessia de água 500 mm
Desempenho, consumos e emissões
Velocidade máxima 240 km/h (145 km/h em modo elétrico)
0-100 km/h 5,3s
80-120 km/h 3,3s
Autonomia elétrica Combinada: 53 km
Consumo misto 2,2 l/100 km; 17,6 kWh/100 km
Emissões de CO₂ 49 g/km

Autores: Joaquim Oliveira/Press-Inform.


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