Mais Sciroccos desembarcam dos navios nos cais do Reino Unido do que em qualquer outro mercado europeu. Pelo visto, por aqui há uma queda pelo cupê com jeito de hatch baseado no Golf - então as notícias de atualizações tendem a interessar. Só não espere perceber as mudanças de primeira.
Facelift do Volkswagen Scirocco: mudanças quase invisíveis
A equipe de design da VW foi extremamente conservadora neste facelift: os faróis ganharam um novo contorno e agora ficam acima de um para-choque redesenhado. Na traseira, novas luzes em LED aparecem sobre outro para-choque também revisto.
Por dentro, o painel de instrumentos recebeu molduras mais profundas e há um conjunto de três mostradores no topo do painel que faz referência direta ao Scirocco original - com um relógio digital vermelho que talvez se aproxime demais do carro dos anos setenta que pretende homenagear. Fora isso, o acabamento continua caprichado, embora o espaço no banco traseiro siga apertado.
Scirocco R e Golf R: potência, tração e a comparação inevitável
As revisões no restante da gama trouxeram mais economia e mais potência, e isso vale também para o Scirocco R, que continua no topo da linha. Assim como o parente Golf R, ele usa um motor a gasolina 4cyl turbo - mas, diferente do hatch “de verdade”, não entrega 296bhp. O Scirocco R fica em 276bhp. Ainda é um ganho de 15bhp, porém, se você estiver numa concessionária Volkswagen com um vendedor insistente e os folhetos do R sobre a mesa, é fácil sentir que ficou devendo.
A sensação piora quando entra na conta o fato de o Golf R trazer tração integral de série, enquanto o Scirocco manda a força só para um lado: as rodas dianteiras. Aqui, o ESP também não pode ser totalmente desativado. E, para completar, o Golf custa menos.
A Volkswagen rebate com uma lista de equipamentos mais generosa no Scirocco: bancos revestidos em couro e DCC (Dynamic Chassis Control) de série. Ainda assim, até agora não encontramos no Reino Unido um asfalto liso o bastante para valer a pena ficar ajustando o DCC - o melhor é deixar no modo Normal, em que ele roda com boa compostura.
Motor, DSG e comportamento: rápido, mas pouco envolvente
A ficha do motor pode não soar especialmente exótica, mas ele entrega um borbulhar malcriado que engana muita gente, fazendo parecer que há mais cilindrada e mais cilindros. O desempenho é forte, e a faixa intermediária do R, em particular, é daquelas que arrancam sorriso o tempo todo.
Quase ninguém vai escolher assim, mas o R é mais bem aproveitado com câmbio manual: o apetite do DSG por giros altos torna o avanço mais frenético, em vez de explorar a maior qualidade do motor - a força no meio do conta-giros.
O chassi tem boa aderência, freios poderosos e bastante tração. Ele é rápido o tempo inteiro, mas a direção sem vida faz pouco para envolver quem está ao volante; por isso, apesar do poder de fogo, o R não é exatamente empolgante de guiar. Isso sempre foi verdade, mas diante de concorrentes bem mais interessantes - e mais novos - vira um problema. E a sombra do Golf R pesa, sobretudo considerando a especificação mais atraente e o preço mais fácil de engolir.
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