Contexto e rivais no segmento de carro urbano
Se, por algum motivo difícil de explicar, você faz questão de um carro urbano fabricado na Índia, o Tato Nano não é a única alternativa. O Suzuki Alto foi projetado e montado em Délhi pela Maruti - e, no subcontinente, é vendido como A-Star - e se posiciona para enfrentar o trio Aygo/C1/107, além do Hyundai i10 e do Ford Ka (sem esquecer o Nissan Pixo, que estava para chegar e com o qual o Alto divide praticamente tudo, exceto o emblema) num mercado de entrada cada vez mais disputado. Infelizmente, para ceder à metáfora inevitável de Slumdog, o Alto está menos para milionário e mais para o participante que pega os cinco mil e some: correto e sensato, mas fácil de esquecer.
Motor e desempenho do Suzuki Alto
A força do Alto vem de um motor 1,0 litro de três cilindros, com 67 bhp (cerca de 68 cv) e 66 lb ft de torque (aprox. 89 Nm), números quase idênticos aos do trio Toyota-PSA. É um motorzinho divertido, embora esteja longe de ser o mais refinado: na partida, há um tec-tec que lembra motor dois-tempos e, em giros mais altos, bastante vibração.
Ele sobe de giro com disposição e, em vez de reagir de forma “liga/desliga” como muitos três-cilindros, responde de um jeito mais progressivo. Aguenta bem velocidades de estrada e parece levemente mais rápido do que os 14 segundos de 0–96 km/h sugerem - pelo menos até você encher o carro de passageiros. A suspensão - calibrada para vias europeias, segundo a Suzuki - é bem comportada, embora o Alto não seja tão gostoso de guiar quanto o C1 e o Aygo, que são claramente mais espertos.
Cabine e equipamentos
Surpreendentemente, considerando a frente simpática e “olhuda” do Alto, o interior é tão acolhedor quanto Woomwood Scrubs. Mesmo nas versões topo de linha, a cabine é um mar de cinza sem graça que, apesar de oferecer ar-condicionado e vidros elétricos dianteiros, abre mão de mimos como porta-luvas (no lugar, há uma prateleira inclinada e frágil), vidros traseiros manuais ou retrovisores elétricos.
O conjunto é firme e funcional, mas existe uma linha tênue entre “carro de entrada” e “pão-duro” - e a Suzuki caiu do lado errado.
Espaço, porta-malas e uso no dia a dia
E não é como se o estilo tivesse sido trocado por praticidade. Com 129 litros, o porta-malas é pequeno e o acesso não ajuda. Já o banco traseiro fica basicamente reservado a quem tem pernas comicamente curtas. Ou crianças. Você escolhe.
Economia, emissões e custo
O Alto não é um carro ruim. É barato, econômico e, com apenas 103 g/km, registra as menores emissões de CO2 da categoria. O problema é que, se tivesse passado abaixo de 100 g/km e se enquadrado na isenção do imposto de circulação (algo que uma versão planejada com stop-start deve conseguir), o Alto teria uma vantagem concreta sobre os rivais.
Do jeito que está, há opções que fazem melhor o papel de carro urbano de baixo custo e ainda entram na faixa Band B do imposto: o C1 é mais divertido, o Hyundai i10 é mais refinado, e o Ka tem visual mais atraente. Ou seja: mais “lançamento direto para DVD” do que um sucesso premiado no Oscar…
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