O Lexus NX é hoje o carro mais vendido da marca japonesa na Europa e, nesta segunda geração, além do 350h (híbrido convencional que dispensa tomada), passou a contar com uma inédita versão híbrida plug-in, chamada 450h+, que promete consolidar ainda mais essa liderança.
O Diogo Teixeira já tinha "sentido o pulso" desse modelo há cerca de meio ano, em Las Palmas, na Espanha. Agora, finalmente, pude rodar com o Lexus NX 450h+ em estradas brasileiras.
E a questão principal é apenas uma: será que esta nova alternativa híbrida plug-in é, de fato, a compra mais sensata? Percorri 862 km com ele em cinco dias e a resposta está nas próximas linhas.
Maior e mais europeu
Com 4,66 m de comprimento e 1,86 m de largura, a segunda geração do NX cresceu 2 cm tanto no comprimento quanto na largura, ficando bem posicionada entre um Audi Q3 e um Q5 - ou, se preferir, entre um BMW X1 e um X3.
A distância entre eixos também aumentou 3 cm, e isso trouxe ganhos reais de espaço, especialmente para quem vai na segunda fileira. Mas volto a esse ponto mais adiante.
Ainda assim, a mudança que mais salta aos olhos é a evolução do visual: o modelo parece mais alinhado ao gosto europeu do que nunca. A grade dianteira grande continua sendo parte marcante da identidade do SUV, mas é difícil ignorar como as linhas do novo NX ficaram mais suaves - uma escolha que tende a agradar o público do "velho continente".
No habitáculo, uma revolução
Por dentro, o Lexus NX segue a filosofia japonesa omotenashi, que pode ser entendida como hospitalidade japonesa. Isso aparece de forma clara na maneira como comandos e superfícies foram pensados e distribuídos.
A Lexus não hesitou em reinventar por completo o desenho do interior - e isso merece aplausos, principalmente porque o resultado final ficou muito bem resolvido.
O acabamento é de alto nível, e a sensação ao toque dos materiais expostos também agrada.
Ao mesmo tempo, o conjunto é prático e fácil de usar, sobretudo para quem está ao volante. Dá para perceber que o lugar do motorista é o centro das atenções dentro desta cabine.
Foi justamente no interior que este NX mais avançou nesta segunda geração. Vale destacar, em especial, o painel de instrumentos digital e, acima de tudo, a enorme tela de 14”, que no Brasil é oferecida de série em todas as versões do modelo.
Apoiado pela tela central e, principalmente, pelo painel digital, há ainda um sistema de head-up display que simula uma tela de 10”.
E o espaço?
O espaço na segunda fileira é satisfatório e, mais importante, a versão híbrida plug-in não perdeu volume no porta-malas em relação ao híbrido convencional 350h.
Por isso, entrega um volume mínimo de 545 l, que pode chegar a 1436 l com os bancos traseiros rebatidos.
Como se porta em estrada?
Em relação ao NX de primeira geração, as diferenças são evidentes - na verdade, são enormes.
Tudo começa pela posição de dirigir, que é bem confortável. O volante tem ótima pegada, oferece uma faixa muito ampla de ajustes e ajuda a encontrar um "encaixe" correto, bem alinhado com o banco e os pedais.
Outro destaque vai para a suspensão, que transmite mais precisão e entrega um contato bem mais confortável.
A direção também surpreende por ser mais direta e precisa do que eu esperava, embora este NX não seja - nem de longe - um exemplo de SUV com dinâmica esportiva e envolvente. Nesse ponto, os rivais alemães ainda estão à frente.
No geral, o NX 450h+ se comporta de maneira bastante neutra. É estável, previsível e controla bem as oscilações laterais da carroceria.
Ainda assim, ele parece mais à vontade em uma viagem longa de rodovia do que em uma estrada cheia de curvas, onde é natural querer aproveitar os 309 cv de potência máxima combinada oferecidos pelo sistema híbrido.
E por falar em sistema híbrido…
Este é o primeiro híbrido plug-in da Lexus e, por isso, carrega uma responsabilidade extra. Ainda assim, ele usa uma solução já conhecida e testada, herdada do "primo" Toyota RAV4 PHEV - o que, como seria de esperar, é uma excelente notícia.
No coração do conjunto há um motor a gasolina 2.5 l de quatro cilindros em linha, operando no eficiente ciclo Atkinson, com 185 cv, que trabalha em conjunto com dois motores elétricos.
Um deles, com 134 kW (182 cv), fica na dianteira. O outro, menor, com 40 kW (54 cv), atua no eixo traseiro. Para completar, há uma bateria de íons de lítio com 18,1 kWh de capacidade instalada em posição central.
Autonomia e consumos
Com esse pacote, a Lexus declara autonomia máxima no ciclo WLTP de 76 km, um número que dá para atingir sem dificuldade se a condução for mais cuidadosa e o uso for majoritariamente urbano.
E mesmo quando a bateria se esgota, é possível manter médias abaixo de 6,5 l/100 km, o que é bem interessante considerando que estamos falando de um SUV com cerca de duas toneladas e com todo esse "poderio" mecânico.
Ainda assim, em rodovia, o consumo passou de sete litros. E quando adotei uma pegada mais esportiva e mais rápida, cheguei a registrar 7,8 l/100 km.
O ponto menos positivo fica por conta do carregador de bordo, limitado a potência máxima de 6,6 kW (alguns híbridos plug-in já aceitam 11 kW). Com isso, recarregar totalmente a bateria leva aproximadamente duas horas e meia.
É o carro certo para si?
O Lexus NX 450h+ convence logo de início pelo funcionamento silencioso e agradável do conjunto híbrido. Só quando exigimos o motor a gasolina de forma mais "urgente" é que ele se faz ouvir "gritar".
Além disso, graças ao câmbio e-CVT e aos quatro modos de operação - EV (elétrico), HV (híbrido), Auto EV/HV e CHG Mode (carrega a bateria com o motor a combustão) -, fica claro que o sistema sempre administra bem a energia disponível e a cadeia cinemática.
A esse conjunto, é importante somar, novamente, a grande evolução do NX no interior, sobretudo no pacote tecnológico. A imponente tela central de 14” e o novo sistema de infoentretenimento respondem com mais rapidez e, principalmente, de forma mais intuitiva - uma das críticas negativas mais recorrentes ao antecessor.
No fim das contas, este Lexus NX 450h+ é uma proposta muito forte no conjunto e tem tudo para se dar bem na Europa, mantendo o status de modelo mais vendido da marca japonesa no continente - talvez até reforçando essa condição de "best-seller".
Sobre a pergunta do começo do texto, a resposta depende da sua possibilidade de recarga. Se você consegue carregar este 450h+ em casa ou no trabalho, esta é a versão a escolher.
Se você ficar dependente apenas da rede pública de carregadores, então pode fazer mais sentido considerar o híbrido convencional NX 350h, que é marginalmente mais acessível.
Isso porque, apesar de manter consumos simpáticos quando a bateria acaba, este NX 450h+, como qualquer híbrido plug-in, só faz sentido se for carregado com regularidade. Caso contrário, você vai passar a maior parte do tempo "arrastar" um pacote de baterias que não entrega nada em troca.
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