Lançado pela primeira vez em 1959, o MINI original está entre os compactos mais relevantes, icônicos e reconhecidos do planeta - e o MINI Cooper atual tem sabido honrar esse legado com competência.
Ainda assim, é preciso reconhecer que uma fatia importante do êxito do MINI no século XXI - já em sua terceira geração sob o guarda-chuva da BMW - tem ligação direta com a aposta em uma identidade visual de pegada retrô.
A questão é: no formato de cinco portas, o MINI se sustenta apenas na aparência ou há mais motivos para escolhê-lo?
Tipicamente MINI
Por fora, o MINI Cooper faz questão de assumir de onde veio - inclusive nesta configuração de cinco portas, que se distancia um pouco da proposta do modelo original.
Os elementos clássicos continuam ali: desenho inspirado no passado, detalhes cromados e aquele ar que remete tanto ao primeiro MINI quanto às suas origens britânicas. Mesmo sendo familiar, o MINI Cooper segue chamando atenção por onde passa.
Minha percepção sobre o estilo do Cooper também evoluiu. No começo, ele não me atraía tanto; com o tempo e olhando com mais cuidado, passei a admirar soluções que o diferenciam dos rivais - como a linha de janelas mais baixa e bem mais vertical do que a encontrada na concorrência.
MINI no nome e… por dentro
Na cabine, gostei do revestimento colorido dos bancos, com um padrão que me fez lembrar o famoso (e muito britânico) tweed, além de vários comandos. Do acionamento das luzes de cortesia ao botão de dar partida e ao comando para desligar o controle de tração, há peças que parecem saídas do universo da aviação.
No restante, montagem e materiais entregam exatamente o que se espera de um carro do Grupo BMW, colocando o MINI Cooper entre as referências do segmento nesse quesito.
Quando o assunto é espaço, o MINI faz jus ao nome: ele passa longe de ser um dos mais amplos da categoria. O porta-malas, com 278 l, também está entre os menores da classe. A sensação, de fato, é de estar a bordo de um hatch compacto.
Isso não é ajudado pela pequena área envidraçada (visual mente funciona, mas tem um «preço»). Mesmo assim, o MINI consegue levar quatro adultos com conforto, ou atender bem uma família jovem - desde que se seja mais criterioso na hora de decidir o que realmente vale a pena levar.
O melhor lugar é o do condutor
Se em espaço interno o MINI Cooper fica um passo atrás dos concorrentes, em dinamismo ele os deixa a alguma distância - reforçando o status de referência que carrega há alguns anos.
Até então, no segmento B, eu considerava o Ford Fiesta o modelo mais divertido e interessante ao volante. Depois de testar este Cooper, passei a dar esse «título» ao britânico.
Ele não tem a mesma sensação de leveza do Fiesta, mas, em curvas, o MINI responde com enorme eficiência, ótima progressividade e um comportamento envolvente. Com uma direção precisa, direta e comunicativa, o Cooper permite fazer curvas cada vez mais rápido e com uma confiança agradável, bem à «»moda» do… original.
E não é só em estrada de serra que ele se destaca. Coloque o Cooper em uma autoestrada e o MINI entrega estabilidade agradável, uma sensação de rodar típica de modelos de categoria superior e ainda um isolamento condizente com propostas premium.
Curiosamente, foi no uso urbano que o MINI menos me impressionou. A direção, que nas estradas cheias de curvas tem um peso excelente, pode ficar um pouco pesada demais em manobras. E as janelas mais baixas não colaboram quando é preciso enxergar as «1001 coisas» acontecendo ao redor.
Sobre o motor, só cabem elogios. Apesar de ter apenas três cilindros, o 1.5 l de 136 cv e 220 Nm é muito disposto - em grande parte graças ao torque máximo, que aparece já às 1480 rpm e segue assim até às 4100 rpm.
Ele não transforma o MINI Cooper em esportivo (para isso existem outras motorizações), mas combina perfeitamente com os diferentes cenários que o hatch britânico enfrenta. Na cidade, ajudado pelo câmbio automático rápido, porém um tanto longo, dá para rodar com facilidade.
Já em estrada ou autoestrada, o conjunto permite ultrapassagens com tranquilidade, e, nesses trajetos, a relação mais longa da transmissão também contribui para reduzir o consumo.
Falando em consumo, depois de muitos quilômetros ao volante do MINI Cooper em condições variadas, o computador de bordo marcou média de 5,5 l/100 km - um número mais do que aceitável para este modelo.
Aliás, em estrada livre e com uma condução mais calma, não foram poucas as vezes em que esse valor desceu para 4,6 l/100 km.
É o carro certo para si?
O MINI Cooper pode, sim, conquistar muita gente pelo visual, mas seria um erro tratá-lo como apenas estilo sem conteúdo.
Referência em dinâmica, o MINI Cooper dá conta dos desafios do dia a dia esperados de um hatch compacto. Não é o mais espaçoso do segmento, porém consegue ser econômico, tem personalidade no design e, depois de «despachadas» as tarefas rotineiras, ainda recompensa o motorista com diversão no tempo livre.
Por isso, o MINI Cooper merece estar na lista de quem procura um carro capaz de unir uso econômico quando necessário com uma condução divertida sempre que der vontade de «descontrair».
Contra ele pesa o fato de que todo o apelo de estilo e a «etiqueta premium» fazem o preço se aproximar do de modelos do segmento acima ou do de SUVs e crossovers muito disputados.
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