Em 2020, começaram a aparecer os primeiros detalhes sobre a Euro 7, a futura norma de emissões para motores a combustão, voltada para limitar os poluentes liberados pelo escapamento - como partículas, hidrocarbonetos e monóxido de carbono.
Euro 7 e o impacto nos motores a combustão
Assim que as exigências ficaram mais claras, a leitura de parte da indústria e de analistas foi direta: a Euro 7 soava como uma espécie de “sentença de morte” para o motor a combustão interna, com potencial para varrer esse tipo de propulsão principalmente dos modelos mais populares (carros de entrada e compactos familiares).
O problema não seria apenas cumprir a norma do ponto de vista técnico - algo visto como muito difícil -, mas também absorver os custos elevados dessa adaptação. Na prática, isso poderia deixar versões a combustão com preços muito próximos dos modelos 100% elétricos, que costumam ser mais caros.
Cronograma da Euro 7 e sequência de adiamentos
Se a Euro 7 entrasse em vigor já em 2025, como parecia previsto, poderia acelerar o sumiço dos motores a combustão, ainda mais considerando o próprio calendário da União Europeia, que propôs reduzir em 100% as emissões de CO2 (o que, na prática, determina o fim dos motores a combustão) para veículos novos em 2035.
Diante desse cenário, houve um recuo: a AGVES (Advisory Group on Vehicle Emission Standards) apresentou à Comissão Europeia um conjunto revisado de recomendações, mais brando para a futura norma, reconhecendo e aceitando os limites do que é tecnicamente viável.
Depois disso, foi informado que a proposta final da Euro 7 seria divulgada no último trimestre de 2021 - o que não se concretizou - e a data acabou sendo remarcada para 5 de abril de 2022.
Mesmo assim, não será nesse dia que o conteúdo da proposta virá a público, pois a divulgação foi novamente adiada para 20 de julho de 2022.
Adiamento está a gerar apreensão
Uma porta-voz da Comissão Europeia explicou o adiamento à Automotive News Europe: “É importante garantir uma preparação compreensiva desta proposta”. Ela também destacou que é a primeira vez que a Comissão pretende regulamentar, ao mesmo tempo, veículos leves de passageiros e de mercadorias, além de veículos pesados.
A nova mudança de data vem gerando apreensão entre os diferentes envolvidos, que já falam em efeitos indesejados.
Entidades ambientais receiam que o atraso na publicação da proposta da Euro 7 acabe empurrando também a entrada em vigor da norma para depois de 2025, o que poderia até colocar em risco as metas do plano “Green Deal” (para descarbonizar a economia) da União Europeia.
O grupo Transport & Environment afirma não ver motivo para o adiamento, argumentando que o “trabalho preparatório” já teria sido concluído e atribui a decisão à pressão exercida pela indústria automotiva.
Por outro lado, a ACEA (Associação Europeia de Construtores Automóveis) também critica a decisão. A entidade esperava um acordo rápido entre os legisladores ao longo de 2022, de modo a dar à “indústria clareza e o tempo necessário para futuros planos e mudanças na engenharia”.
A ACEA havia dito, em junho de 2021, que contava com a introdução da Euro 7 em 1º de setembro de 2025, garantindo quatro anos de preparação para a indústria - considerando que, inicialmente, a divulgação da proposta final estava prevista para o último trimestre de 2021.
Com a publicação do texto final da Euro 7 empurrada agora para o fim de julho, a associação alerta que esse prazo pode deixar de ser viável.
Vale lembrar que a Euro 6 entrou em vigor em setembro de 2014, mas passou por várias atualizações. A mais recente, a Euro 6D, foi introduzida em janeiro de 2020 para novos modelos e em janeiro de 2021 para todos os veículos novos vendidos na União Europeia.
Fonte: Automotive News Europe
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