Ofensiva federal no Havaí contra lasers e aeronaves
Autoridades federais dos Estados Unidos comunicaram o início de uma operação para localizar e levar à responsabilização criminal pessoas que miram feixes de laser em aeronaves em voo. A ação envolve o Escritório do Procurador Federal do Distrito do Havaí, o FBI e a Administração Federal de Aviação (FAA), em resposta ao volume elevado de registros no estado.
De acordo com os órgãos envolvidos, o Havaí está entre os locais com maior índice de episódios de lasers direcionados a aeronaves em todo o país. A conduta é tratada como risco sério à segurança aérea, porque a iluminação desses equipamentos pode afetar a visão de pilotos de forma temporária ou até permanente, especialmente em momentos críticos da operação.
“O Havaí possui uma das maiores taxas de ataques com laser contra aeronaves do país. Isso é simplesmente inaceitável”, afirmou o procurador federal Ken Sorenson. Ele reforçou que apontar laser contra uma aeronave é perigoso e ilegal, e que as autoridades federais vão agir com rigor.
Crime federal e punições previstas
Pela legislação dos Estados Unidos, direcionar de propósito um feixe de laser para uma aeronave - ou para a sua trajetória de voo - é tipificado como crime federal. A pena pode chegar a até cinco anos de prisão. Quando a ocorrência envolve aeronaves operadas pelo governo federal, o caso também pode ser enquadrado como agressão contra um agente federal.
As autoridades acrescentaram que não apenas quem aponta o laser pode ser alvo de acusação: pessoas que ajudem os autores ou prestem auxílio após o fato também estão sujeitas a processo criminal.
Caso Jesse Kong em Maui e alerta sobre apontadores vendidos online
Como exemplo recente, os órgãos citaram o caso de Jesse Kong, de 30 anos, morador da ilha de Maui. Em 15 de abril de 2026, ele se declarou culpado na Justiça Federal por ter atuado como cúmplice depois de um ataque com laser contra um piloto federal.
Segundo os autos, Kong adquiriu o apontador laser pela internet e o emprestou a um conhecido que, na presença dele, direcionou o feixe a uma aeronave federal e para dentro da cabine de comando. O piloto ficou desorientado, e a ação interferiu na operação da aeronave.
Depois do episódio, agentes do FBI encontraram e interrogaram os envolvidos. Durante a apuração, Kong teria mentido ao dizer que os responsáveis já tinham deixado o local, o que ajudou o autor do ataque a evitar a prisão naquele momento. A sentença está prevista para 17 de junho de 2026, e ele poderá ser condenado a até seis meses de prisão.
Para as autoridades, o caso ilustra a capacidade do FBI de identificar rapidamente os responsáveis por ataques desse tipo. Elas também alertaram que gravações de situações semelhantes evidenciam como um simples feixe de laser consegue reduzir de forma relevante o campo de visão do piloto, criando perigo não só para quem está a bordo, como também para pessoas em solo.
O Escritório do Procurador Federal ainda chamou atenção para a venda desses dispositivos na internet. Conforme o órgão, diversos produtos são anunciados com especificações incorretas de potência: apontadores descritos como de baixa intensidade podem emitir radiação laser muito acima do informado pelos fabricantes, elevando o risco de lesões oculares graves e até de incêndios.
As autoridades orientam pilotos e demais profissionais da aviação a informarem imediatamente qualquer iluminação por laser ao controle de tráfego aéreo e à FAA. A população também é incentivada a avisar as forças de segurança sempre que observar alguém apontando lasers para aeronaves.
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