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Passados quase dez anos desde que a Armada Argentina perdeu sua capacidade operacional submarina, e ainda sem uma definição precisa sobre o futuro programa de aquisição de novas unidades, a proposta alemã baseada no Tipo 209NG segue figurando entre as principais alternativas analisadas. Em um cenário no qual as limitações orçamentárias afetam qualquer compra de grande porte, a oferta da ThyssenKrupp Marine Systems (TKMS) reúne um projeto desenvolvido ao longo de décadas, um custo de aquisição possivelmente menor que o de outras propostas e ampla experiência internacional. Ao mesmo tempo, apresenta restrições que deverão ser avaliadas conforme os requisitos operacionais definidos pela força.
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Atualmente, o plano de recuperação da Força de Submarinos considera duas propostas centrais. De um lado, a francesa Naval Group oferece três submarinos da classe Scorpène; de outro, a alemã TKMS propõe três unidades Tipo 209NG, com ambas as ofertas contando com o apoio de seus respectivos governos. Nesse processo, o financiamento e as condições de crédito se mostram tão decisivos quanto as capacidades técnicas de cada plataforma.
No caso da Alemanha, a proposta preserva uma tradição construída ao longo de várias décadas. O submarino Tipo 209 tornou-se um dos maiores êxitos de exportação da indústria naval militar, sendo empregado por inúmeras marinhas em todo o mundo, sobretudo na América Latina. Sua chegada substituiu os antigos submarinos da classe Balao modernizados pelo programa GUPPY, permitindo que diversos países estabelecessem uma nova doutrina de emprego baseada em uma plataforma moderna, confiável e com uma relação equilibrada entre custo e desempenho.
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Para a Argentina, a família Tipo 209 também carrega um forte valor histórico. Seu episódio mais marcante foi a atuação do submarino ARA San Luis (S-32) durante a Guerra das Malvinas. Mesmo diante de graves falhas em seus sistemas de geração de energia elétrica e no computador de controle de tiro, a embarcação cumpriu uma patrulha de guerra de 39 dias e enfrentou sozinha a Task Force britânica. Essa experiência consolidou um relevante conhecimento doutrinário sobre submarinos de projeto alemão, posteriormente reforçado pela incorporação da classe TR-1700.
Um clássico em evolução: as capacidades do Tipo 209NG
A versão HDW Classe 209NG é a evolução mais atual de um projeto amplamente comprovado. Ela mantém as qualidades centrais do tradicional Tipo 209, ao mesmo tempo que agrega novos sistemas de combate, automação e tecnologias voltadas ao aumento da segurança, da capacidade de sobrevivência e da eficiência operacional. Entre seus principais avanços está a integração do sistema de combate ORCCA, acompanhado de sensores e atuadores de última geração, além de novos sistemas de propulsão, lemes e mastros com acionamento elétrico.
Outro ponto de destaque do 209NG é sua flexibilidade tecnológica. O submarino pode operar tanto com baterias convencionais de chumbo-ácido quanto com baterias de íons de lítio, sem demandar alterações estruturais, o que facilita futuras modernizações. Também conta com grupos geradores a diesel de nova geração, capazes de ampliar a autonomia e diminuir o consumo de energia. A assinatura acústica permanece muito baixa graças a um sistema propulsivo mais silencioso e a um projeto desenvolvido para maximizar a discrição durante as operações.
Tipo 209NG: custos, dimensões e limitações operacionais
Os pontos fortes da oferta alemã não se resumem às suas características técnicas. O Tipo 209NG representa uma opção de custo mais acessível em comparação com outras alternativas disponíveis no mercado, em grande parte devido a um casco de menor porte e a uma concepção orientada para otimizar a relação entre custos e capacidades. Contudo, essa mesma característica é uma de suas principais restrições: o espaço interno reduzido limita a margem para integrar determinadas tecnologias ou aumentar de forma significativa a autonomia e o raio de ação operacional quando comparado a submarinos maiores, como o Scorpène francês.
Enquanto as análises prosseguem sem uma decisão oficial, a escolha final dependerá não apenas do desempenho de cada proposta, mas também das condições de financiamento e da disponibilidade orçamentária do Estado argentino. Nesse contexto, o Tipo 209NG permanece uma alternativa plenamente válida: um submarino amparado por extensa trajetória internacional, atualizado com tecnologias de nova geração e apresentado com uma proposta econômica competitiva, embora sujeito às limitações inerentes a um projeto mais compacto que precisará atender às futuras necessidades operacionais da Armada Argentina.
Créditos da capa: TKMS
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