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Lanchas rápidas são "a principal ameaça" para Portugal, diz Artur Vaz da PJ

Pessoa em barco com binóculo observa outra embarcação cheia de pessoas em alto mar sob céu claro.

Lanchas rápidas e o corredor do Atlântico

O diretor da Unidade Nacional de Combate ao Tráfico de Estupefacientes (UNCTE) da Polícia Judiciária (PJ), Artur Vaz, afirmou que o uso de lanchas rápidas "é a principal ameaça" enfrentada por Portugal.

Em declarações publicadas na edição de hoje do jornal Público, o responsável explicou que as embarcações de alta velocidade (EAV) representam "a principal ameaça com que Portugal, Espanha e também a Europa se estão a debater neste momento" no âmbito do tráfico de drogas.

Segundo Vaz, essas lanchas vêm sendo empregadas para levar entorpecentes pelo oceano Atlântico, num corredor entre os Açores, a Madeira e as Canárias, com destino à costa da Península Ibérica.

As EAV também são usadas para recolher cocaína em alto-mar, a partir de embarcações que trazem a droga da América Latina em grandes quantidades, e para fazer deslocamentos até Marrocos e o Norte da África a fim de buscar haxixe.

Vaz caracterizou essa forma de atuação como um problema em expansão e como uma "autêntica pirataria do mar", acrescentando que isso tem tornado Portugal "uma porta de entrada relevante de cocaína na Europa".

Apreensões recentes e nova legislação

No dia 24 de março, a GNR apreendeu uma lancha de alta velocidade que estava sendo transportada em um veículo no município de Grândola, por existirem "fortes suspeitas" de ligação com o tráfico internacional de drogas, e prendeu um homem de 55 anos.

A ocorrência aconteceu antes de entrar em vigor, hoje, uma nova lei que estabelece pena de prisão de um a quatro anos para quem mantiver lanchas rápidas sem registro, transportar numa EAV mais combustível do que o permitido ou usar métodos para escapar de radares.

Na sexta-feira, a Polícia Marítima apreendeu no estuário do Tejo, no sentido da saída do Porto de Lisboa, uma lancha com 6,5 toneladas de combustível, conforme lembrou o Público. "Todas as evidências apontam para que se tratava de uma 'narcolancha', disse a Marinha.

Dificuldade de interceptação e dados da PJ

Conforme dados da PJ citados pelo Público, as autoridades portuguesas apreenderam mais de 200 lanchas rápidas desde 2020 - em alto-mar, em rios, durante transporte por via terrestre ou em armazenagem -, incluindo 11 apenas no primeiro trimestre deste ano.

Artur Vaz destacou que as EAV "atingem uma velocidade brutal, o que provoca muita ondulação, e têm grande manobralidade, o que torna muito difícil a perseguição e a apreensão por parte das embarcações que vêm no seu encalço".

Em 31 de março, a Polícia Marítima e a Marinha Portuguesa apreenderam duas lanchas de alta velocidade ao sul do Algarve, que suspeitam estar ligadas ao tráfico de drogas, e detiveram sete pessoas - seis de nacionalidade espanhola e uma de nacionalidade marroquina.

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