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Grupo Volkswagen avalia IPO da Lamborghini em nova reestruturação

Carro esportivo amarelo exposto em showroom moderno com duas pessoas ao fundo conversando.

O aperto financeiro vivido pelo Grupo Volkswagen já vem de algum tempo. Depois de anunciar um plano de reestruturação em 2024, a montadora alemã se prepara para uma nova rodada de ações que pode acabar se tornando o maior processo de reorganização de toda a sua história.

Segundo informações publicadas pelo Financial Times, a Volkswagen passou recentemente a reavaliar alternativas para seus ativos - movimento que ganhou força após a venda de uma participação majoritária na fabricante de motores aeronáuticos Everllence. A operação deve render à Volkswagen 7,4 bilhões de euros. De acordo com o jornal, conselheiros teriam incentivado a direção a revisitar propostas antigas para a marca de Sant’Agata Bolognese, entre outras.

Nesse contexto, além de cortes que podem chegar a 100 mil empregos e do encerramento da produção em quatro fábricas na Alemanha - Hannover (Volkswagen Comerciais), Zwickau (Volkswagen, CUPRA e Audi), Emden (Volkswagen) e Neckarsulm (Audi) -, o Grupo também estaria considerando a entrada em bolsa da Lamborghini.

Reestruturação do Grupo Volkswagen e hipótese de IPO da Lamborghini

Com a Lamborghini na vitrine, uma abertura de capital poderia se mostrar particularmente vantajosa para a Volkswagen. Nesse desenho, a empresa levantaria recursos com a oferta de ações ao público, mas preservaria o comando da marca por meio da Audi, que hoje detém a fabricante.

Vale lembrar que a Lamborghini está no Grupo desde 1998, quando foi comprada por 110 milhões de dólares (94,6 milhões de euros pela taxa de câmbio da época). Hoje, a avaliação da marca supera 22 bilhões de dólares (cerca de 19,2 bilhões de euros pela cotação atual).

Os números da Lamborghini

Atualmente, a Lamborghini segue como uma das raras marcas do Grupo que continuam entregando lucro. Mesmo com a queda nos resultados, no primeiro trimestre deste ano a empresa registrou lucro operacional de 200 milhões de euros, o que equivale a uma margem operacional de 23,1% - uma das mais altas dentro de todo o Grupo. No total, nesse período foram vendidos 2620 Lamborghini.

Ducati também na mira

Além da marca de superesportivos de luxo, a Ducati - cuja venda já foi cogitada no passado - voltou a aparecer como uma das empresas com a “cabeça a prémio”. Nos três primeiros meses do ano, a fabricante de motocicletas teve lucro operacional de 7 milhões de euros, com margem operacional de 3,5%.

Procurada pela RideApart sobre os comentários envolvendo a Ducati, a Volkswagen não negou a chance de uma reestruturação acionária das suas marcas. Ao contrário: em nota, a empresa alemã disse que todas as suas marcas e subsidiárias precisam “se transformar profundamente”, afirmando também que há um “realinhamento da empresa” em andamento. No mesmo comunicado, a Volkswagen declarou que o “modelo de negócio já não funciona”.

Rumores, posição oficial e o precedente com a Bugatti Rimac

Até agora, a Volkswagen não confirmou nem negou planos para a Lamborghini. Ainda assim, analistas ouvidos pelo Financial Times avaliam ser improvável que a empresa abra mão de marcas que geram lucros de forma consistente.

Esse também não seria um caso inédito de distanciamento entre o Grupo e uma marca de alto desempenho. A Porsche já vendeu sua participação na Bugatti Rimac, o que fez com que a Bugatti deixasse de integrar o Grupo Volkswagen.


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