V8 biturbo em estreia na Toyota
Depois de meses alimentando a curiosidade com teasers, a Toyota finalmente tirou o pano do seu novo supercarro: o GR GT. A proposta é clara - resgatar, em pleno 2020+, a essência do lendário Lexus LFA, mas com a assinatura atual da Gazoo Racing.
A estreia aconteceu na Woven City, perto do circuito de Fuji, no Japão, e não foi tímida: a marca mostrou de uma vez só a versão de rua do GR GT e a variante GT3, pensada para as pistas.
Para completar o recado, e como o próprio nome sugere, o GR GT marca a estreia da divisão Gazoo Racing como marca independente. Podem procurar à vontade: não há qualquer emblema da Toyota neste supercarro.
À semelhança do que aconteceu com modelos como o GR Supra, GR Yaris ou GR 86, este GR GT também nasce como uma espécie de projeto pessoal de Akio Toyoda, presidente da Toyota, com o objetivo de criar um carro de corrida que pudesse ser emplacado e rodar nas ruas.
E como veremos mais à frente, este Toyota GR GT também é uma declaração de princípios. Numa era em que quase tudo aposta em motores elétricos com mais de 1500 cv e baterias gigantes, a Toyota Gazoo Racing volta a colocar o foco no que mais importa num esportivo: o tempo de volta.
Por isso, a versão de estrada do GR GT e a variante GT3 foram desenvolvidas em paralelo, o que deixa bem evidente a ambição que a Toyota - ou, neste caso, a Gazoo Racing - tem para este superesportivo.
Apesar de ser um modelo totalmente novo, o GR GT segue uma fórmula bem clássica: motor V8 em posição central dianteira, tração traseira, capô longo e apenas dois lugares. Tudo pensado para brigar com qualquer coisa que tenha GT3 no nome: Porsche, Ferrari, Mercedes, Aston Martin, etc.
Mas vamos ao V8, desenvolvido do zero para este carro. É um 4.0 litros biturbo - montado na configuração Hot V - com lubrificação por cárter seco. Chega de conversa, ouçam os primeiros acordes deste V8:
Esta é, de resto, a primeira vez que a Toyota instala um motor com estas características num carro de produção. Sobre os números, ainda não há dados oficiais, mas a Gazoo Racing quer extrair pelo menos 650 cv de potência e 850 Nm de binário máximo deste conjunto, que ainda conta com a ajuda de um motor elétrico montado no eixo traseiro.
Em termos de performances, a Toyota só confirma uma velocidade máxima acima de 320 km/h. A aceleração de 0 a 100 km/h é… um mistério. Num carro deste tipo, o número que interessa mesmo é o tempo por volta.
Equilíbrio é peça-chave
Mas a história deste V8 não se resume à potência. O motor fica montado atrás do eixo dianteiro para melhorar a distribuição de massas do GR GT, que anuncia uma relação de peso de 45:55 - algo bem raro num modelo com motor central dianteiro.
Isso foi possível, em parte, graças à solução escolhida pela Gazoo Racing para a transmissão automática de oito marchas, com embreagem úmida (em vez do tradicional conversor de torque), posicionada atrás do eixo traseiro.
A ligação ao V8 é feita por um tubo de torção em fibra de carbono, e a transmissão ainda usa um sistema engenhoso de engrenagens helicoidais para redirecionar o movimento para o diferencial.
Somando a tudo isso, o GR GT adota uma suspensão independente com duplos triângulos sobrepostos e braços em alumínio forjado, tão robustos que praticamente não precisaram de alterações na versão GT3.
Para frear, a Gazoo Racing recorreu à Brembo e equipou este GR GT com um conjunto carbocerâmico, que «calça» pneus Michelin Pilot Sport Cup 2 desenvolvidos especificamente para este modelo.
Alumínio e fibra de carbono
Com 4,79 metros de comprimento, o GR GT é cerca de 6 cm mais comprido do que um Mercedes-AMG GT, o que já dá uma boa noção do «porte atlético» deste supercarro que, mesmo assim, deverá pesar menos de 1750 kg.
Para isso, conta muito o uso de uma estrutura inédita em alumínio - material também aplicado em vários painéis da carroceria - em conjunto com diversos elementos em plástico reforçado com fibra de carbono (capô, teto, portas e tampa do porta-malas).
Lexus LFA dos tempos modernos?
No design, é impossível não encontrar pontos em comum com o lendário Lexus LFA, embora este GR GT traga linhas (e superfícies) claramente mais agressivas.
Ainda assim, quando olhamos para a postura do carro e para as suas proporções, as semelhanças com o LFA são mais do que evidentes.
Isso sem falar no cuidado aerodinâmico, bem marcado pelos vincos no capô, pelas enormes entradas de ar no para-choque dianteiro e, claro, pelo grande difusor traseiro, que acomoda quatro ponteiras de escape igualmente enormes, acrescentando uma nota dramática a este supercarro.
Interior focado no condutor
Por dentro, o GR GT foge dos exageros tecnológicos tão comuns hoje em dia e adota uma configuração mais sóbria, claramente voltada para o motorista.
É verdade que há uma enorme tela multimídia ao centro e um painel 100% digital, mas a Toyota manteve vários comandos físicos na console central, que é bem robusta, e um volante de pegada esportiva, que parece trazer a quantidade certa de botões/controles.
Talvez o maior destaque do interior do GR GT sejam mesmo os bancos esportivos em fibra de carbono assinados pela Recaro, bem próximos das bacquets usadas na competição.
Agora resta saber quando chega ao mercado e quanto vai custar. Mas, até lá, é hora de comemorar: não é todo dia que surge um novo supercarro com motor V8! E, se o GR GT entregar tudo o que promete, pode mesmo se tornar um dos modelos mais interessantes da atualidade.
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