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A Austrália passará a receber três submarinos da classe Virginia já em serviço por meio do acordo AUKUS, após um ajuste anunciado por Austrália, Estados Unidos e Reino Unido durante uma reunião ministerial em Singapura. A mudança substitui o plano anterior - que previa a compra de um submarino novo e duas unidades usadas da classe Virginia - e busca tornar mais simples a futura operação da frota australiana.
O anúncio ocorreu no contexto do Diálogo Shangri-La e foi feito pelo secretário de Guerra dos EUA, Pete Hegseth, pelo ministro da Defesa da Austrália, Richard Marles, e pelo secretário de Defesa do Reino Unido, John Healey. Conforme a declaração conjunta divulgada após o encontro, o novo encaminhamento deve facilitar a logística, o ciclo de manutenção e os custos vinculados ao programa australiano de submarinos com propulsão nuclear.
Pelo plano revisado, Canberra comprará três submarinos da classe Virginia atualmente em operação na Marinha dos Estados Unidos (US Navy). A proposta deixa de lado a combinação anteriormente prevista de um submarino novo do Bloco VII e dois submarinos do Bloco IV já operacionais. Em paralelo, segue o desenvolvimento do futuro SSN-AUKUS, projeto conjunto entre Austrália e Reino Unido, com entrada em serviço esperada para a década de 2040.
Austrália busca simplificar a operação de sua futura frota submarina
Em entrevista coletiva, Marles afirmou que a alteração atende à necessidade de diminuir a complexidade operacional da futura força de submarinos do país. O planejamento anterior indicava a manutenção, em serviço, dos submarinos modernizados da classe Collins ao lado de dois Virginia usados, um Virginia novo e, posteriormente, os SSN-AUKUS - o que, na prática, significaria operar quatro classes distintas de submarinos.
“Isso fica bastante complicado em termos de como se opera uma frota de submarinos”, disse Marles. O ministro também observou que a compra de três submarinos usados é um caminho mais direto e eficiente para incorporar as capacidades previstas, embora tenha ressaltado que a economia total de recursos tende a ser relativamente pequena dentro do escopo geral do programa.
Capacidade industrial dos EUA
A atualização acontece enquanto os EUA seguem tentando ampliar o ritmo de produção de submarinos de ataque. Autoridades navais norte-americanas apontaram que a base industrial precisa atingir uma cadência anual de 2,33 submarinos de ataque. Como exemplo, em dezembro de 2025 teve início a construção do USS Barb, o 31º submarino da classe Virginia.
A construção do USS Barb integra um período de atividade contínua do programa. Em 21 de novembro, a Marinha dos EUA recebeu o USS Massachusetts (SSN-798), o 25º submarino da classe e o décimo do Bloco IV. A entrega ocorreu no mesmo estaleiro de Newport News.
Além disso, considera-se a capacidade de construir um submarino estratégico da classe Columbia por ano, com o início da construção do USS Wisconsin - o segundo dessa classe - em setembro do ano passado. Já o USS District of Columbia, cuja construção começou em 2022, ainda não alcançou 70% de progresso.
Mesmo assim, Marles demonstrou confiança na evolução da capacidade industrial dos EUA e destacou o aporte financeiro australiano para apoiar essa expansão. “Estamos plenamente cientes dos desafios da base industrial dos Estados Unidos, mas também estamos desde o começo, quando a via ótima foi anunciada em 2023. Por isso, estamos fazendo uma contribuição financeira para ajudar a aumentar o ritmo de produção”, afirmou.
Enquanto isso, a Austrália segue estruturando os meios humanos e industriais necessários para operar submarinos nucleares. De acordo com Marles, cerca de 200 trabalhadores australianos estão em formação em Pearl Harbor e participam de atividades de manutenção em submarinos da classe Virginia da Marinha dos EUA. Além disso, a Força Rotacional de Submarinos-Oeste (SRF-West) mantém o cronograma para entrar em operação em 2027, viabilizando o rodízio de submarinos nucleares dos EUA e do Reino Unido na base naval HMAS Stirling, na Austrália Ocidental.
AUKUS avança também em drones submarinos não tripulados
Junto com a atualização do programa de submarinos, os três países divulgaram o primeiro projeto conjunto do Pilar II do AUKUS. A iniciativa é voltada ao desenvolvimento de Veículos Submarinos Não Tripulados (UUV, na sigla em inglês) e seus sistemas associados, com entregas previstas a partir de 2027. O programa deve impulsionar sensores, cargas úteis e sistemas de armas interoperáveis para as frotas das três nações.
Segundo a declaração conjunta, os novos UUV devem ajudar a proteger infraestruturas submarinas críticas, ampliar capacidades de vigilância, reconhecimento e ataque, e fortalecer operações de guerra antissubmarino, guerra antissuperfície, guerra eletrônica e contramedidas contra minas. O projeto será conduzido em duas etapas: a primeira, focada em cargas úteis nacionais compatíveis entre si; e a segunda, voltada ao desenvolvimento e à produção conjunta de sistemas trilaterais de nova geração.
Imagens meramente ilustrativas.
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