Enquanto muita gente ainda “seca as lágrimas” pelo fim da Renault Sport, começam a surgir histórias de projetos secretos de antes mesmo da divisão existir - e todos com a mesma obsessão: desempenho.
E quem imaginaria que, no meio desses planos, havia um Renault 19 Turbo pensado para encarar os ralis? Sim: a ideia era ter um francês pronto para brigar com Lancia Delta Integrale, Ford Escort RS Cosworth e Toyota Celica GT-Four.
No começo dos anos 1990, a Renault também queria seu espaço no Grupo A do WRC. Foi uma fase que colocou na rua e nas especiais alguns dos carros mais marcantes e desejados daquele período - e que seguem cultuados até hoje.
O problema é que quase nada sobrou como evidência dessa ambição: apenas duas imagens, e não exatamente nítidas. Elas mostram um modelo estático em escala real, assimétrico, usado para analisar o desenho.
Renault 19 Turbo. O que sabemos?
Mesmo com a baixa qualidade, o que aparece nas fotos já dá “água na boca”. Dá para reconhecer um Renault 19, mas bem mais parrudo, com uma dianteira diferente do 19 vendido na época. As imagens não deixam ver, porém a outra metade do modelo tinha alargamentos distintos - numa solução parecida com a do Delta Integrale.
Os dados disponíveis sobre o projeto são poucos, mas reveladores. Naquele momento, a Renault Sport ainda estava voltada essencialmente às competições; por isso, o trabalho ficou nas mãos da BEREX (Bureau d’Etudes et de Recherches Exploratoires), a divisão de pesquisa experimental da Renault. E boa parte do que ela desenvolvia tinha um foco evidente em performance.
A proposta de levar o Renault 19 Turbo ao WRC fez a equipe criar dois protótipos: um com tração em duas rodas e outro com tração nas quatro rodas, recorrendo ao sistema Quadra que já equipava modelos como Espace e 21.
A grande virada, nos dois casos, era colocar um turbocompressor no motor F7P do Renault 19 16V (1.8 16 válvulas com 140 cv). Com isso, a potência subia de forma importante, chegando a 180–190 cv na configuração de tração em duas rodas.
Sobre o Renault 19 Turbo com tração integral, sabe-se apenas que a versão de competição entregaria algo em torno de 300 cv - exatamente na mesma faixa dos rivais.
Já a versão de rua precisaria, no mínimo, passar de 200 cv para ficar à altura do Delta Integrale e do Escort RS Cosworth. Também estava em estudo um câmbio manual de seis marchas, uma escolha ainda pouco comum naquela época.
Só dá para especular que tipo de carro teria nascido desse pacote. Mas, olhando para os adversários que ele mirava, a expectativa natural seria que fosse, no mínimo, tão competente quanto eles.
Clio Williams era outro candidato a receber 1.8 Turbo
O 1.8 Turbo planejado para o Renault 19 Turbo não era o único destino considerado. Esse motor também entrou na lista de possibilidades para o Clio Williams, que estava sendo desenvolvido ao mesmo tempo. No fim, o Williams se tornou o último projeto da BEREX a chegar ao público, antes do encerramento da divisão em 1995.
No desfecho, a opção escolhida foi o F7R - o 2.0 aspirado de 150 cv. Ainda assim, é difícil não imaginar como seria um Clio Williams Turbo com 180–190 cv, um patamar de potência que só apareceria no Clio na geração seguinte.
O outro rival do Renault 19 Turbo que ficou pelo caminho
Não se sabe ao certo o motivo final que levou ao cancelamento do Renault 19 Turbo. Ainda assim, a Renault não abandonou desempenho nem WRC durante os anos 1990 - muito pelo contrário.
No Mundial, a marca preferiu “atacar” a categoria Kit-Car 2 Litros, com Clio Maxi e Mégane Maxi de tração em duas rodas. E, depois do Clio Williams, começaria a era Renault Sport, que deixaria como legado alguns dos melhores hot hatches de todos os tempos.
Dá para colocar o francês Renault 19 Turbo ao lado de outro projeto abortado de um “monstro” dos ralis nos anos 1990: o alemão Volkswagen Golf A59. Nesse caso, ao menos existe um protótipo 100% funcional - e alguns jornalistas já puderam guiá-lo. Conheça-o:
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