Nesta quarta geração do Hyundai Tucson, a eletrificação passou a ocupar um lugar central. Basta ver que não existe nenhuma configuração sem algum tipo de assistência elétrica.
Tanto os conjuntos a gasolina quanto os a diesel vêm acompanhados de um sistema mild-hybrid de 48 V; há também um híbrido convencional - vale seguir o link abaixo para ler ou reler o teste - e, no topo da linha, aparece o híbrido plug-in (PHEV) que testamos aqui.
Com 265 cv de potência máxima combinada, esta é, até a chegada do Tucson N, a versão mais forte do SUV sul-coreano - um bom “cartão de visita”, por si só. Mas será que é a alternativa mais equilibrada? E ela faz sentido pelos 48 731 euros cobrados, um valor bem acima do que é pedido nas outras versões do Tucson?
Hyundai Tucson: ninguém fica indiferente
Por fora e por dentro, o Hyundai Tucson tem um visual que raramente passa batido. Eu, particularmente, gosto da assinatura luminosa, e a carroceria com linhas bem marcadas chamou muita atenção nos dias em que o Tucson ficou comigo.
Na cabine, apesar de eu apreciar a proposta mais minimalista (uma mudança enorme em relação ao anterior), é inevitável sentir falta de parte dos comandos físicos, substituídos por equivalentes táteis que exigem mais tempo de adaptação para usar com naturalidade.
Em termos de espaço interno, as diferenças em relação aos demais Tucson se resumem, essencialmente, à queda no volume do porta-malas. Dos 620 litros máximos declarados nas versões a gasolina, ele passa para 558 litros - ainda assim um número muito bom, que deu conta das demandas da família durante o teste e não me obrigou a abrir mão de nada quando a ideia foi viajar no fim de semana.
Os números do Tucson PHEV são bons, mas ele convence?
Ao assumir o volante do Tucson PHEV, fica claro rapidamente que ele não se comporta como as outras versões. Com uma lógica de funcionamento que prioriza o modo elétrico, o híbrido plug-in impressiona pela suavidade e pela maneira quase imperceptível com que alterna entre o motor a combustão e o elétrico.
São dois modos de condução, “Eco” e “Sport”, aos quais se somam os modos da tração integral - “Snow” (neve), “Mud” (lama) e “Sand” (areia). Com isso, o Hyundai Tucson PHEV se ajusta com facilidade a cenários bem diferentes de uso.
Na cidade, o modo mais “adequado” é o “Eco”. Rodando assim, consegui chegar muito perto dos 62 km de autonomia anunciada em uso 100% elétrico - e isso em um trajeto que misturou engarrafamentos cansativos com vias expressas suburbanas mais rápidas.
Quando saímos do ambiente urbano e selecionamos o modo “Sport”, os 265 cv de potência máxima combinada (o 1.6 l turbo a gasolina com 180 cv trabalha junto de um elétrico de 91 cv) entregam um desempenho competente, mas não diria que chegam a empolgar.
É fato que o 0 a 100 km/h acontece em respeitáveis 8,2s, porém, em desempenho, o Tucson PHEV parece sempre mais próximo do Opel Grandland com 225 cv que testei há alguns meses do que do Peugeot 3008 GT HYBRID4 com 300 cv que também já dirigi. Em outras palavras: ele é rápido, só não é esse o seu foco principal.
Do ponto de vista dinâmico, mesmo preservando a precisão e a eficiência dos outros Tucson, o PHEV deixa transparecer o peso adicional (praticamente duas toneladas, muito por conta do conjunto elétrico e da bateria). Soma-se a isso uma direção que, embora continue direta e precisa, transmite uma sensação mais filtrada quando comparada aos Tucson apenas a combustão.
No fim, a condução não fica tão envolvente - principalmente quando colocamos lado a lado com o Hyundai Tucson da geração anterior, que tinha um tato mais mecânico e bem ajustado, e acabava transmitindo até mais confiança numa tocada mais firme.
Eficiência no Tucson PHEV? Sem dúvida
Se é em algum ponto que esse conjunto híbrido plug-in realmente brilha, é justamente no que muita gente mais valoriza ao escolher esse tipo de mecânica: eficiência.
A forma como a bateria de 13,8 kWh tem sua carga gerenciada reforça a experiência já acumulada pela Hyundai em “esticar” a autonomia dos seus elétricos. E, mesmo rodando em modo híbrido, o Tucson PHEV mostrou um consumo contido. Prova disso foi a média de 5,2 l/100 km ao final de um teste em que usei o carro, na maior parte do tempo, em rodovia e estradas.
Ainda falando de rodovia, o Tucson PHEV entrega uma estabilidade invejável. Por outro lado, há ruídos aerodinâmicos que ficam mais perceptíveis quando estamos no modo mais silencioso de todos, o elétrico - embora não cheguem a incomodar em excesso.
O Hyundai Tucson PHEV é o carro certo para você?
Como acontece com qualquer híbrido plug-in, este Hyundai Tucson PHEV só faz sentido de verdade se você tiver a possibilidade (e a autodisciplina) de recarregá-lo com frequência, aproveitando ao máximo o que esse conjunto pode oferecer.
Se esse for o seu caso e você estiver buscando um SUV que combine boa eficiência (tanto no modo elétrico quanto quando o motor a combustão é “acionado”) com desempenho mais do que adequado para um modelo de proposta familiar, então este Tucson PHEV pode, sim, ser uma ótima escolha.
Além disso, com emissões declaradas de 31 g/km e autonomia elétrica acima de 50 km, este Tucson PHEV acaba se tornando elegível a uma série de benefícios fiscais quando comprado por uma empresa.
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