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Volvo S60 T5: hora de revisitar a marca

Carro branco Volvo S60 T5 exposto em showroom moderno com iluminação quente e vidro panorâmico.

Há alguns anos, um vizinho da casa ao lado me chamou, todo orgulhoso, para ver o seu Volvo 360 novinho, topo de linha, esperando que eu ficasse impressionado com a solidez da montagem. A minha reação foi outra: achei surpreendente alguém pagar tanto por um carro com um interior tão desagradável e um pacote de equipamentos tão básico. A opinião se consolidou de vez quando peguei carona nele e o carro rodou numa estradinha rural com uma leve camada de gelo.

Dez anos depois, o cenário mudou bastante - embora nem tudo tenha evoluído na mesma proporção. Hoje, em geral, os carros já não vêm mais com aquela “versão pelada”, mas os interiores da Volvo continuam entre os projetos mais sem graça que existem. O painel é um grande bloco de plástico cinza, com algumas discretas inserções que tentam lembrar madeira, e encarar aquilo à sua frente não faz você se sentir exatamente especial.

Interior e ergonomia do Volvo S60 T5

Apesar do visual pouco inspirador, os instrumentos são muito fáceis de ler, e a ergonomia é um ponto alto. Encontrar uma posição confortável nos bancos grandes de couro é simples, tanto na frente quanto atrás - ainda que o espaço para as pernas no banco traseiro pudesse ser mais generoso.

A visibilidade sofre por causa das colunas B grossas, mas também não dá para esperar que a Volvo abandone todos os seus princípios. Segurança e Volvo sempre foram praticamente sinónimos, e a marca sueca não parece disposta a abrir mão disso.

Som e equipamento a bordo

O que a Volvo deixou para trás foi um entretenimento embarcado vergonhosamente fraco. Embora um bom rádio toca-fitas estéreo fosse o padrão entre os carros do segmento do antigo 360 GLT, aquele modelo tinha de se contentar com um rádio mono bem ruim. Já o sistema instalado no T5 é um dos melhores que se pode encontrar: com trocador automático de CDs e potência de sobra, entrega um som que rivaliza com algumas das melhores instalações do mercado de acessórios.

Porta-malas e modularidade

Mesmo sendo um sedã, o encosto traseiro rebate em 60/40, permitindo aproveitar a capacidade do carro da forma mais útil possível. E o porta-malas em si é enorme - algo que já virou expectativa com a atual geração de carros de traseira alta que domina o mercado.

Ao volante: desempenho, travões e câmbio

Durante muito tempo, a experiência de condução parecia ser a última preocupação dos engenheiros da Volvo; felizmente, isso mudou. Na configuração T5, conduzir o S60 é um prazer: travões extremamente confiáveis combinados com uma aceleração meio insana tornam fácil se divertir ao volante.

Se existe um “problema”, é o carro ser rápido e refinado demais, o que leva a situações frequentes de passar bem do limite de velocidade sem perceber. Ao ultrapassar alguém num trecho de estrada secundária sem restrição específica, dá para chegar facilmente à casa dos três dígitos no velocímetro quando você finalmente conclui a manobra.

Para acompanhar as tendências mais recentes, a Volvo colocou no T5 um câmbio no estilo Tiptronic. Em modo automático, há uma sensação real de urgência quando você afunda o acelerador; recorrendo às trocas manuais, a impressão é de que o carro fica mais rápido ainda.

Discrição sueca no exterior

Por fora, ele é o típico discreto “à moda sueca”: rodas de liga leve aro 17 são praticamente a única pista do desempenho, sem mais nada que denuncie o que o carro é capaz de fazer.

Então, se o último Volvo que você experimentou foi um exemplar do fim dos anos 80 - ou mesmo um S40/V40 - talvez seja hora de revisitar a marca. A surpresa tende a ser bem agradável.

Richard Dredge

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