O Mazda MX-5 e o MX-5 RF não são nenhuma novidade, seja no mercado, seja na garagem da Razão Automóvel - mas é difícil dizer não a mais uma chance de sentar ao volante de um.
Só que, neste reencontro com o icônico roadster, a ideia não é falar apenas da diversão que ele entrega. Com porte compacto, ótima agilidade e consumo contido, fica a pergunta: será que o MX-5 também pode funcionar como carro do dia a dia?
Para responder, durante uma semana o Mazda MX-5 RF foi meu único carro. Com ele, fui trabalhar, saí para passear e até encarei as compras do cotidiano. No fim, não restou dúvida sobre o quanto ele pode ser versátil.
Pequeno por fora…
Antes de cravar que um carro como o Mazda MX-5 RF não serve para a rotina, vale olhar para alguns números.
Com 3915 mm de comprimento e 1735 mm de largura, o MX-5 RF é menor do que modelos como Renault Clio, Peugeot 208 e até o Mazda2 Hybrid - a proposta da marca japonesa feita para a correria urbana.
Esse tamanho reduzido ajudou muito na hora de estacionar. É verdade que uma câmera de ré faria falta, mas basta abrir a capota (não é tão simples nesta versão RF, admito) para melhorar o campo de visão e, assim, manobrar com mais tranquilidade.
Além do porte compacto, o Mazda MX-5 ainda tem a história a seu favor, "jogando a seu favor" quando o assunto é uso diário. Afinal, ele é o sucessor espiritual de carros como MG B, Triumph Spitfire e o primeiro Toyota MR2, que eram divulgados nos EUA como "commuter cars" - isto é, usados no trajeto tradicional casa-trabalho-casa.
… e por dentro
Se por fora o Mazda MX-5 consegue disputar com qualquer compacto a "caça por vagas de estacionamento", é na cabine que ele cede mais espaço (literalmente) para alternativas mais convencionais.
A área interna é justa, sem chegar a ser claustrofóbica, e os porta-objetos também: são poucos e pequenos - o que obriga a selecionar bem o que vai com a gente.
Por exemplo, porta-luvas aqui só na teoria: ele não existe, e o compartimento entre os bancos que faz as vezes dele não é prático de acessar enquanto dirigimos.
O porta-malas também não impressiona. Com 127 l de capacidade, fica abaixo do que se vê em vários carros urbanos, então a recomendação é viajar com pouca bagagem.
É na parte interna, ainda, que a idade do projeto aparece com mais clareza - esta geração ND chegou em 2015.
Em compensação, a qualidade dos materiais está em nível alto (nenhum compacto chega perto), e a sensação de robustez também agrada.
Ainda assim, os comandos de ventilação são os mesmos do antigo Mazda2, e o sistema de infoentretenimento deixa evidente que o desenho já tem alguns anos.
Igual a si mesmo
Não dá para falar do Mazda MX-5 sem entrar na experiência ao volante - e este teste não seria a exceção.
A direção é rápida e precisa, o chassi reage com prontidão e a tração traseira garante um prazer de dirigir com o qual os compactos comuns só podem sonhar.
Quanto ao motor, o 1.5 Skyactiv-G de 132 cv se mostrou uma escolha muito acertada para quem quer usar o MX-5 no dia a dia.
Mesmo gostando de girar alto - a potência máxima aparece às 7000 rpm -, este quatro-cilindros a gasolina aceita bem uma tocada tranquila, com o conta-giros sem passar das 2500 rpm.
Quando a condução fica mais animada, o motor se mostrou "cheio" e linear, crescendo de forma progressiva desde baixa rotação até lá em cima, entregando aquele comportamento típico dos aspirados que temos "perdido" com a "turbo-dependência".
Nisso, a caixa manual de seis marchas tem papel central. O engate é curto, e o escalonamento é bem pensado - a ponto de servir como "lição" para outros Mazda, em que as relações acabam sendo longas demais.
Vale destacar também o bom "toque" mecânico, daqueles que dão vontade de trocar marcha mesmo quando não é necessário.
Divertido, mas econômico
Ao longo do teste, é claro que eu não dirigi o Mazda MX-5 RF como se fosse um "brinquedo novo de Natal", ignorando totalmente o consumo.
Como o objetivo era entender se o MX-5 pode ser um "carro do dia a dia", usei o carro nas mesmas condições que enfrento normalmente - de viagens em rodovia ao anda-e-para urbano.
E… ele convenceu. No fim do período, devolvi o MX-5 RF com média de 5,8 l/100 km. Cheguei até a anotar 5,3 l/100 km, mas nesse caso eu tinha rodado principalmente em "estrada aberta".
Já quando fui explorar o chassi do roadster japonês, naturalmente o consumo subiu - ainda assim, os números continuaram aceitáveis, ficando abaixo de 8 l/100 km.
Fazendo as contas dos dias em que fiquei ao volante do Mazda MX-5 RF, obtive médias parecidas com as de um compacto qualquer - só que me diverti muito mais dirigindo.
É a escolha certa para você?
Depois de quase uma semana com o Mazda MX-5 RF, deu pena devolvê-lo. O roadster japonês é bem mais do que um brinquedo e pode, sim, ser uma alternativa viável a um compacto tradicional para quem não depende tanto de espaço.
Não é a decisão mais racional - e o preço também não ajuda -, mas para quem pode, ele vira uma opção muito interessante para o uso diário, especialmente com este motor 1.5.
Dá até para encarar como um empurrãozinho na produtividade: se o caminho até o escritório for feito ao volante dele, acordar cedo e ir trabalhar passa a exigir bem menos esforço.
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