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Guerra no Irã, Estreito de Ormuz e o impacto nos preços dos combustíveis e no mercado automotivo

Carro esportivo elétrico cinza futurista em showroom com luzes de LED ligadas e placa "ORMUZ-2024".

A guerra no Irã, iniciada em 28 de fevereiro, passou a mexer com muito mais do que só o preço dos combustíveis. No começo, a expectativa era de um conflito com quatro a cinco semanas de duração, mas o cenário mudou: a disputa já se aproxima de três meses e, por enquanto, não existe qualquer previsão de término.

Guerra no Irã e o Estreito de Ormuz: o gatilho da crise

O momento mais delicado veio logo nos primeiros dias, quando o governo iraniano anunciou o fechamento do Estreito de Ormuz e emitiu ameaças diretas a qualquer embarcação que tentasse cruzar a área. Desde então, o tráfego marítimo nessa que é a principal artéria do comércio mundial de energia ficou interrompido.

Evolução dos preços dos combustíveis desde 6 de março

Os efeitos apareceram praticamente na hora. Em 6 de março (sexta-feira), o preço dos combustíveis estava em 1,635 €/l para o diesel simples e 1,704 €/l para a gasolina simples. Já na segunda-feira seguinte - a primeira semana após o início do conflito -, os valores chegaram a 1,817 €/l no diesel simples e 1,776 €/l na gasolina simples.

Por que o Estreito de Ormuz é estratégico além do petróleo

O Estreito de Ormuz é o principal canal por onde escoa o petróleo do Golfo Pérsico - e funciona como rota de passagem para cerca de 20% do petróleo mundial. Só que a relevância do estreito vai além do setor petrolífero. Além do petróleo bruto, essa via também é a principal saída para Gás Natural Liquefeito (GNL), alumínio, insumos para a indústria siderúrgica e polímeros essenciais (como etileno, polietileno e polipropileno).

Impacto no mercado automotivo e sua causa

Além do efeito direto sobre as cadeias de logística - já que materiais como polímeros são indispensáveis na fabricação de componentes automotivos -, a guerra no Irã e a instabilidade gerada por ela, especialmente no preço dos combustíveis, vêm derrubando as vendas de automóveis em diversos mercados.

No maior mercado automotivo do planeta, o baque é expressivo. Na China, as vendas de carros recuaram 22% em abril, e as entregas de veículos leves de passageiros a gasolina caíram para 1,4 milhões de unidades. De acordo com a China Passenger Car Association, os veículos com motor a combustão interna registraram queda de 33%, enquanto os veículos de novas energias (NEV) diminuíram 6,8%. No acumulado do ano, o mercado já encolheu 18,5%.

Historicamente, a compra de automóveis respondia por algo entre 9,8% e 10,4% do consumo dos cidadãos chineses. Esse patamar agora caiu para 7,8%. “Se esse valor voltar a ficar acima de 9%, então a queda no primeiro trimestre é uma flutuação sazonal. Mas se permanecer abaixo de 8% durante o resto do ano, devemos ficar atentos à possibilidade do consumo de automóveis estar entrando numa profunda recessão estrutural”, alertou Li Yanwei, consultor da China Automobile Dealers Association.

Ainda assim, há um indicador que vai na contramão e reforça a leitura de que a retração nas vendas de modelos a combustão tem mais relação com a instabilidade dos preços dos combustíveis fósseis do que com uma queda generalizada da demanda: a taxa de penetração de veículos elétricos e híbridos plug-in superou 60% das vendas de carros novos - o maior resultado mensal já registrado na China continental. Mesmo com esse avanço, ele não foi suficiente para evitar a contração do mercado como um todo.

E na Europa?

No Velho Continente, o quadro é menos preocupante. Segundo números da ACEA, até março o mercado europeu avançava 4,1% em comparação com o mesmo período do ano anterior, puxado pelo crescimento dos elétricos (+26,2%), dos híbridos plug-in (+32,4%) e dos híbridos (+11,4%). Em sentido oposto, os carros a gasolina e a diesel caíram 17% e 16,4%, respectivamente.

Em abril, as vendas de elétricos subiram 37%, depois de já terem crescido 43% em março. Em janeiro e fevereiro, a alta havia sido mais moderada: 15% e 19%, respectivamente, conforme a Jefferies.

A consultoria Jefferies resume essa tendência com um ponto direto: com os combustíveis nos níveis atuais, recarregar um elétrico em casa ficou 53% mais barato do que abastecer um carro a gasolina - algo em torno de 6,50 €/100 km contra 13,25 €/100 km.


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