Quase foi um teste para esquecer. Foi assim: o novíssimo M37 S, a cartada da Infiniti para encarar a BMW Série 5, aparece no autódromo. A curiosidade é grande; tem até quem se empolgue. Depois de algumas voltas ao volante e de muitos “ombros levantados à francesa”, a pergunta que fica no ar é por que todo mundo se deu ao trabalho. Passados alguns dias, eu ainda não tenho uma resposta melhor.
Primeiras impressões do Infiniti M37 S
A lista de pequenas irritações - nada realmente grave - não é curta. Antes, por educação, vale dizer que o visual é… desafiador. Chamativo ele é (embora a Dama Edna Everage também fosse).
Em segundos após girar a chave, já dá para perceber que conforto não será o ponto forte. Tem quem compare o M aos AT-AT de O Império Contra-Ataca, porque ele não “flui” pela estrada: ele parece caminhar, mastigando as irregularidades entre um solavanco e outro. Em defesa dele, o “S” no nome significa esportivo (surpresa, surpresa), então uma suspensão mais firme deveria ser perdoável.
Conforto, desempenho e a sensação de lentidão
E seria - se o carro entregasse mais urgência. Pise fundo em velocidade de rodovia e o motor precisa se esforçar mais do que você imagina para ultrapassar o tráfego a cerca de 105 km/h, especialmente considerando que são 316 hp. Uma versão a diesel chega no fim deste ano e, tomara, traga mais sensação de “soco”.
Até aqui, o cenário é pouco animador. Mas, literalmente, a história melhora quando encontramos um bom trecho de estrada secundária vazia.
Em estrada vazia, o M37 S finalmente faz sentido
De repente, o M encontra um motivo para existir e acorda. A direção passa a ser precisa e o carro responde bem ao que acontece sob você - a direção nas quatro rodas deixa tudo muito clínico, recortando as curvas com competência. Não há transferência de peso grotesca, e ele não parece o sedã grande que de fato é: aderência não falta. Até o câmbio, que antes não encantava, fica mais agradável, e o modo esportivo finalmente parece ter propósito.
Equipamentos, tecnologias e consumo
Outro ponto a favor é a lista generosa de itens de série - couro, GPS, sistema de som premium - somada a algumas tecnologias extras, como o software de cancelamento de ruído e o Controle de Climatização Forest Air. Ele espalha aromas amadeirados pela cabine; pode soar como truque, mas não há nenhum resquício de “cheiro químico” de pot-pourri.
O Pedal Eco, acessado pelo seletor de modos do câmbio, também é uma solução esperta. A sensação é como se houvesse uma bola de tênis presa sob o acelerador, com bastante resistência quando você tenta acelerar forte demais. É estranho, mas faz você pensar em economia - o que só ajuda, já que, no nosso teste, o M marcou pouco mais de 20 mpg (cerca de 7 km/l).
Ao fim da avaliação, a redenção não se completa. Talvez a versão a diesel aproxime o carro do gosto mais comum, mas Infiniti costuma ser marca de nicho - e este modelo, em especial, parece um vinil bem obscuro. Nas nossas vias cheias, é um sedã “lado B” para situações “lado B”: uma estrada secundária vazia.
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