Pular para o conteúdo

Condução autônoma: é apenas uma questão de tempo até Bruxelas limitar a condução humana?

Carro esportivo elétrico cinza exposto em showroom com design moderno e aerodinâmico.

A popularização da condução autônoma pode estar andando mais devagar do que os mais otimistas imaginavam, mas a aprovação recente de um regulamento que libera testes de condução autônoma em Portugal recolocou o assunto em destaque.

Condução autônoma volta ao centro do debate

Na China - como lembramos há pouco em uma Auto Talk - isso já vem deixando de ser promessa para virar rotina. O investimento pesado nessa tecnologia por gigantes como BYD, Xpeng e Tesla reforça a sensação de que não se trata de “se”, e sim de “quando” o nosso carro vai conseguir nos levar sem que precisemos fazer nada.

Apesar disso, preciso admitir: esse cenário me incomoda bastante. Eu até reconheço as vantagens e chego a gostar de algum grau de automação (principalmente em trechos longos de rodovia), mas a ideia de perder o “direito” de dirigir me desagrada por completo. Afinal, para mim - e acredito que para muita gente - conduzir não é apenas ir do ponto A ao ponto B; é liberdade, é lazer, e também um momento de relaxamento e de conexão comigo mesmo.

A essa altura, você talvez já esteja pensando: “mas desde quando é que o avanço da condução autónoma leva, obrigatoriamente, à proibição da condução humana?”. Por enquanto, nada aponta diretamente nessa direção - mas também não existe garantia de que não seja esse o caminho.

Uma questão de tempo?

Se tem algo que os tomadores de decisão em Bruxelas parecem apreciar é adotar medidas com um quê de dureza. Basta lembrar movimentos como a eletrificação total da indústria automotiva ou o abandono de tecnologias que nos davam uma independência energética considerável, como a energia nuclear - à qual, depois de milhões gastos na demolição de usinas, decidiram voltar - para entender o padrão.

Segurança viária e a meta de zero fatalidades

Com metas de acidentalidade apontando para algo que, infelizmente, me soa difícil de deixar de ser utopia - zero mortes no trânsito em 2050 -, não me parece tão absurdo imaginar que, em Bruxelas, alguém resolva atacar o fator que mais gera acidentes: a ação humana.

Não é preciso trabalhar no Instituto Nacional de Estatística para concluir que boa parte dos acidentes (sobretudo os mais graves) acontece por erro humano, frequentemente ligado à adoção de comportamentos de risco.

A União Europeia vem tentando reduzir esse problema ao tornar obrigatórios cada vez mais sistemas de segurança e de assistência à condução. O ponto é que a maioria pode ser desligada - de novo, por intervenção humana - e, mesmo ativa, não elimina totalmente o risco.

O “momento Eureka” em Bruxelas: máquinas no lugar de condutores

Conforme a condução autônoma evolui, especialmente com o suporte da inteligência artificial, existe o risco de um dia alguém em Bruxelas ter um “momento Eureka” e soltar algo como: “já sei como acabar com os acidentes, trocamos os condutores por máquinas, que não cometem tantos erros”.

E o pior, para quem gosta de dirigir, é que os burocratas não estariam completamente errados ao pensar assim. Hoje já existem sistemas de condução semi-autônoma que guiam melhor do que algumas pessoas. Basta observar como conseguem manter a distância de segurança do veículo à frente.

E não para por aí. Um carro autônomo não vai “fingir” que não viu o limite de velocidade, como muitos humanos fazem; não vai realizar ultrapassagens perigosas ou em locais proibidos; não dirige bêbado nem ao celular e, para completar, não “esquece” de dar seta, como acontece com tantos motoristas.

Diante de um cenário que parece cada vez mais próximo, sobra torcer para que ninguém em Bruxelas chegue a essa conclusão - ou que a tecnologia ainda leve algum tempo até alcançar a maturidade necessária para nos tirar de vez do volante. Também podemos (e devemos) dirigir de forma mais responsável. Infelizmente, acho difícil que qualquer uma dessas duas possibilidades se concretize.


Comentários

Ainda não há comentários. Seja o primeiro!

Deixar um comentário