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Defesa

Exército Brasileiro avança na aquisição do sistema EMADS da Itália

Dois soldados brasileiros em uniforme camuflado consultam mapas e tablet com viatura militar equipada com artilharia ao fundo
Neste artigo
  1. Exército Brasileiro e o sistema EMADS
  2. Limitações atuais da defesa antiaérea brasileira
  3. Acordo com a Itália e transferência de tecnologia

Exército Brasileiro e o sistema EMADS

Para realizar desdobramentos de grande porte, uma das capacidades essenciais é a defesa antiaérea. Diante da ampliação das ameaças aéreas representadas por sistemas aéreos não tripulados, o Exército Brasileiro está nas fases finais de definição da compra de um novo sistema de defesa antiaérea. A negociação, conduzida atualmente com o governo da Itália, contempla a incorporação do Enhanced Modular Air Defense Solutions (EMADS), desenvolvido pela MBDA em parceria com a Leonardo. A aquisição permitiria à força terrestre obter uma tecnologia inédita na América Latina para interceptar drones inimigos e mísseis de cruzeiro.

O EMADS é uma solução de defesa aérea pontual e de área, apta a empregar mísseis CAMM e CAMM-ER. Esses armamentos podem atingir alvos a até 45 km, em velocidade supersônica e sob quaisquer condições meteorológicas. Sua configuração modular facilita tanto o reposicionamento quanto o reabastecimento de munição. O sistema também se destaca pela interoperabilidade com outros meios de detecção, atributo que o torna uma alternativa flexível e avançada para os cenários contemporâneos.

Limitações atuais da defesa antiaérea brasileira

Hoje, a defesa antiaérea do Exército Brasileiro depende sobretudo de meios de artilharia de tubo, incluindo os sistemas antiaéreos autopropulsados Gepard, as peças Oerlikon GDF e os canhões Bofors L/60 e L/70. No segmento de mísseis antiaéreos, as únicas capacidades disponíveis são os sistemas portáteis russos 9K38 Igla e os suecos RBS-70, ambos limitados quanto ao alcance e à altitude de interceptação.

Com uma eventual entrada em serviço do EMADS, a Força buscaria solucionar uma de suas principais restrições operacionais: a ausência de um sistema de mísseis superfície-ar de médio alcance capaz de enfrentar ameaças mais complexas e modernas.

Segundo informações da CNN Brasil, o chefe do Estado-Maior do Exército, general Francisco Humberto Montenegro, teria assinado recentemente um documento interno que define as diretrizes para a obtenção do sistema. As exigências técnicas e estratégicas estabelecidas no documento deixaram de fora as ofertas das empresas indianas Bharat Dynamics Limited (BDL) e Bharat Electronics (BEL), que propunham o sistema Akash, avaliado como pertencente a uma geração anterior e dotado de tecnologia menos avançada.

Acordo com a Itália e transferência de tecnologia

A previsão é que o entendimento com a Itália seja formalizado no modelo governo a governo, assegurando maior controle sobre os termos contratuais e as compensações industriais (offsets). Nesse contexto, está prevista uma transferência de tecnologia para que a Embraer Defesa e Segurança possa desenvolver a capacidade de fabricar radares de nova geração, componente fundamental da arquitetura do sistema EMADS. A medida também reforçaria a base industrial de defesa do Brasil, elevando a autonomia tecnológica nacional em um setor estratégico.

Pelas projeções vigentes, o Exército pretende desdobrar três grupos de artilharia antiaérea equipados com o novo sistema, cada qual com cerca de 96 mísseis. As duas primeiras unidades seriam instaladas no 12º Grupo de Artilharia Antiaérea, em Jundiaí (São Paulo), e no 11º Grupo, em Brasília (Distrito Federal). Uma terceira unidade seguiria para a região Norte, em local ainda não definido. Essas posições têm o objetivo de proteger os principais centros econômicos e administrativos do país, além de ampliar a cobertura contra possíveis ameaças aéreas.

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Mariana Figueiredo Nascimento

Engenheira eletricista e especialista em transição energética, com atuação em projetos de geração solar e eólica, armazenamento e integração à rede no Brasil. No newenergybrasil.com, acompanha tendências, políticas públicas e inovação em energias renováveis, com foco em eficiência, descarbonização e oportunidades para o mercado brasileiro.

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