Você já deve estar a pensar: “Mas vocês não já tinham guiado o XCeed?”
Sim - e mais de uma vez. A novidade, agora, é que a Kia decidiu oferecer o seu crossover mais recente com um conjunto híbrido plug-in (PHEV). A receita é muito parecida com a do Niro PHEV, que é um pouco menos preocupado com estilo: motor 1,6 litro de quatro cilindros, apoiado por um motor elétrico e uma bateria de 8,9 kWh, para um total de 139 bhp e 195 lb ft de binário (cerca de 264 Nm).
Kia XCeed PHEV: o argumento de venda (WLTP, autonomia e imagem)
Dá para entender por que isto é o sonho de qualquer equipa de marketing. Trata-se de um crossover compacto (categoria que as pessoas não param de comprar), com os arcos das rodas em plástico - como manda o figurino - e uma cabine carregada de tecnologia. Além disso, por ser plug-in, ele consegue anunciar números de consumo enormes: 201,8 mpg no ciclo WLTP (aproximadamente 71,4 km/l), com 36,6 milhas de autonomia em modo elétrico (cerca de 58,9 km) se você escolher as rodas menores de 16 polegadas. E ainda abre espaço para mais um trocadilho com “Ceed”. Muito esperto, Kia.
Ao volante: câmbio, modos e travões regenerativos
“Mas ele é bom de verdade?”
A resposta, infelizmente, é: não muito. Começando pela dinâmica - mesmo que a maioria dos compradores nem ligue para isso. O XCeed PHEV vem com câmbio automático DCT de seis marchas, algo que, em tese, seria uma grande vantagem sobre os câmbios continuamente variáveis que dominam muitos híbridos atualmente. No Niro, isso funciona muito bem; aqui, porém, as trocas demoram a acontecer e não há aletas no volante para o condutor assumir o controlo.
Também não existem comandos atrás do volante para ajustar o nível de travagem regenerativa. E o pedal esquerdo sofre: a sensação é pouco comunicativa enquanto o sistema tenta conciliar regeneração com a travagem “de verdade”, com pastilha e disco.
Nos modos de condução, o padrão é o Automático, mas o conjunto às vezes hesita na transição entre eletricidade e gasolina em baixa velocidade. Isso fica mais evidente - e um pouco desconfortável - quando você acelera forte ao sair de uma zona de 30 mph (cerca de 50 km/h). O modo Híbrido faz o motor a combustão entrar mais cedo e deixa tudo mais suave, enquanto o modo Elétrico (EV) dispensa explicações. Há ainda um botão separado para o modo Esportivo, embora dificilmente você vá usá-lo.
Desempenho e números
O XCeed PHEV não tem vocação para ser rápido. Ele precisa de 10,6 segundos para ir de 0 a 62 mph (aproximadamente 100 km/h) e atinge 99 mph de velocidade máxima (cerca de 159 km/h), muito provavelmente por causa do peso extra do sistema de dupla propulsão.
Interior e equipamentos: onde a Kia acerta em cheio
“Não pode ser tudo ruim, certo?”
Não é. Já tínhamos mencionado a qualidade interna, e ela continua a ser um dos pontos altos: a Kia fez outro ótimo trabalho. Mesmo a versão “3” mais simples traz uma tela central de 10,25 polegadas e bancos em tecido muito agradáveis, além de painel e áreas de contacto revestidos com materiais macios, de aparência mais sofisticada.
Os comandos do ar-condicionado são fáceis de alcançar, há bastante espaço de arrumação bem pensado, aquecimento em vários itens e todo o pacote de tecnologias de segurança modernas que se espera hoje.
Praticidade: a conta chega no porta-malas
“Mas tenho a impressão de que há mais coisas que você não gostou…”
Há, sim. A conversão para híbrido plug-in levou a bateria mencionada a ficar instalada sob os bancos traseiros e sob o piso do porta-malas, e isso cobra um preço alto na praticidade. O espaço para as pernas atrás é aceitável (apesar de a posição de sentar ser mais alta), mas o porta-malas fica em apenas 291 litros - ou seja, 135 litros a menos do que no XCeed sem PHEV.
Qual XCeed comprar então?
“Eu ainda quero muito um XCeed - qual devo escolher?”
Claro que quer: ele entrega exatamente o que o público comprador anda a procurar. Só que, nesta configuração, talvez não faça tanto sentido. Nós já testamos os XCeed com motor a combustão e convivemos razoavelmente bem com eles, em especial o 1,0 litro turbo a gasolina, de três cilindros, com câmbio manual de seis marchas (e que pode custar cerca de £10.000 a menos).
A própria Kia também tem elétricos e eletrificados melhores. Se a sua prioridade é mesmo eletrificação, faz mais sentido olhar para o Niro PHEV, o e-Niro ou o Soul EV.
5/10
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