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Teste: Ford Transit Custom Trail

Van azul estacionada em estrada rural molhada sob céu nublado com árvore sem folhas ao fundo.

Você não está imaginando: há, sim, um certo perfume de “van de estilo de vida” neste furgão honesto.

A Ford parece ter demorado a perceber que a Volkswagen acertou em cheio: basta ver a multidão de VW T5 que aparece em bike parks, centros de desportos aquáticos e em todo canto onde a turma da “roupa técnica” se encontra. A resposta da Ford veio na forma das novas versões Trail e Active das linhas Transit e Transit Custom.

Linha Ford Transit: onde entram Trail e Active

“Espera aí: qual é a diferença entre elas?”

Se você já acha que as gamas de carros ficam confusas com Sportback isto e Coupe-SUV aquilo, saiba que as gamas de vans conseguem ser ainda mais labirínticas. A família Transit da Ford é organizada primeiro por tamanho (em ordem crescente: Transit Connect, Transit Custom e a Transit “pura”) e, depois, por carroçaria. Nas duas maiores (Transit Custom e Transit), as opções incluem cabine simples, cabine dupla e Kombi - como a cabine dupla, só que sem divisória de carga e com vidros nas portas traseiras.

E ainda há escolhas de entre-eixos e uma lista enorme de variações… eu poderia continuar, mas prefiro não me perder no caminho. O ponto aqui é: para fisgar esse público de “vida ativa”, a Ford lançou as variantes Active e Trail tanto para a Transit Custom quanto para a Transit.

A Active, no essencial, é um pacote visual: mais molduras plásticas na carroçaria e rodas com acabamento brilhante. Já a Trail - a que foi guiada aqui - mexe em mais coisas do que apenas a aparência.

Trail e a mecânica: 4x4 (4WD), diferencial e motores

“Deixa eu adivinhar: é 4x4 (4WD)?”

Só que não como regra. Na Transit maior, a tração 4x4 (4WD) aparece como opcional. A grande mudança técnica, porém, é o diferencial de deslizamento limitado - desenvolvido por ninguém menos que a Quaife, referência no assunto.

O resto do pacote tem bastante elemento estético, mas a grade com o “FORD” em destaque dá à Transit um ar de Raptor. Ainda assim, ela pode vir combinada a um motor de 130 bhp (algo em torno de 132 cv), que, com carga total, eu imagino que mal deve ter fôlego para sair do lugar.

“Mas existem outros motores, certo?”

Sim - e alguns até contam com tecnologia de híbrido leve. De todo modo, todos são diesel, com potência de até 185 bhp (cerca de 188 cv). A unidade deste teste tem 170 bhp (aprox. 172 cv), e dá conta do recado.

Não é tão silenciosa nem tão serena quanto uma VW Transporter equivalente, mas tem uma boa disposição quando você está com duas pessoas e duas bicicletas atrás. O motor chega perto das 5.000 rpm de limite, embora eu nem tenha certeza de que ele realmente vá até lá com vontade. A faixa mais agradável fica entre 1.800 e 3.200 rpm; passando de 4.000 rpm, a sensação é como se você tivesse entrado numa poça funda.

Vale um elogio grande ao câmbio manual de seis marchas: os engates são macios e precisos. E não, não existe opção automática.

Ao volante da Ford Transit Custom Trail

O console onde a alavanca fica instalada também funciona como um apoio prático para o joelho esquerdo, caso você se anime nas curvas. E há uma boa chance disso acontecer, porque esta é uma van que gosta de conversar com quem dirige.

Não há muita sensibilidade no volante, o que pode dar um frio na barriga ao iniciar a esterçada (as VW passam mais ligação com o asfalto). Mas, uma vez dentro da curva, as notícias são boas: a Custom é firme, estável e prazerosa. Mesmo sem carga, o controlo de carroçaria é melhor do que em qualquer rival que eu tenha guiado.

Desconfio que, com um bom peso na traseira, ela fique ainda mais redonda. Vazia, a traseira parece leve, elástica e não exatamente a mais aderente. Na frente, o diferencial faz o que promete: entrega tração e confiança na saída de curva.

“Isso torna a van mais ‘off-road’?”

Nem de longe tanto quanto colocar um jogo de pneus “de verdade”. Ainda assim, ajuda: evita que uma roda fique patinando e desperdiçando toda a potência quando você decide, com otimismo, seguir um trator da JCB por um canteiro enlameado. Fora isso, ela continua sendo, acima de tudo, uma ferramenta absurdamente útil.

Cabine, espaço e praticidade no dia a dia

“Útil como?”

Para começar, ela leva seis pessoas - com um espaço aceitável, ainda que sem qualquer charme. Eu também não sei bem como a Ford consegue chamar este revestimento de “couro”, porque ele se mistura demais ao restante do interior dominado por plásticos. Pelo menos, tudo parece pensado para ser limpo com um pano (se não com uma mangueira). Então, não: por dentro, ela não é tão agradável ao toque nem tão atraente quanto uma VW, e o motor se faz ouvir mais.

Em compensação, a divisória atrás da segunda fileira tem efeitos positivos: reforça a estrutura, reduz a ressonância de ruído e, na prática, só impede mesmo que você carregue canoas dentro.

Atrás das portas traseiras que abrem para fora, o compartimento segue com quase 1,83 m de comprimento, largura e altura - ou seja, é um espaço que se mede em metros cúbicos, não em litros. Dá para transformar aquilo num escritório, instalar prateleiras e uma mesa, sem falar em suportes para bicicletas.

Só atenção para o detalhe: esta Transit Custom é uma L2 H1. Em outras palavras, ela traz o maior dos dois entre-eixos disponíveis, mas com o teto mais baixo.

“Mais alguma coisa que eu deveria saber?”

Os bancos são planos e não oferecem nenhum apoio lateral. Em contrapartida, os retrovisores grandes ajudam muito na visibilidade - embora os vidros tremam um pouco com o vento. E espaço para pequenos objectos não vai faltar: são 16 nichos e porta-copos na parte da frente.

Consumo, autonomia, equipamentos e preço

Ela também devora quilómetros com facilidade. Acompanha o fluxo sem sofrimento, gira a apenas 1.750 rpm a 70 mph (cerca de 113 km/h) e faz 35 milhas por galão (35 mpg), o que dá aproximadamente 12,4 km/l. Na prática, isso significa abastecer a cada 500 milhas (cerca de 805 km). Os números oficiais são 40.4 mpg (aprox. 14,3 km/l) e 183 g/km.

“E a versão híbrida?”

A Ford até oferece uma variante híbrida plug-in, mas ela é cara (£44,055) e existe apenas como furgão fechado: por enquanto, nada de cabine dupla nem versão Trail.

Depois vem a pergunta inevitável: quanto custa, de facto, esta Custom Trail?

Ela já traz uma lista razoável de itens de série, embora a maioria seja mais “básica” do que parece: ar-condicionado, retrovisores com rebatimento eléctrico, faróis automáticos, faróis de neblina dianteiros, sistema start/stop automático, ESP e para-brisa Quickclear.

Mas, para deixá-la mais agradável de conviver, o mínimo é querer o ICE Pack 25 instalado no carro de teste. Não, não é um compartimento secreto cheio de gelo para tornozelos torcidos: é um pacote de £912 que adiciona controlo de cruzeiro adaptativo, rádio DAB, duas entradas USB, ecrã sensível ao toque de 8 polegadas (cerca de 20,3 cm), navegação, assistente de permanência em faixa e integração com Android Auto/Apple Carplay.

Tudo isso, claro, empurra o valor para cima. As Transit Custom começam - sem o imposto VAT - em £23,090. A cabine dupla sai por £25,340, e a Trail com cabine dupla parte de £29,575. Do jeito que foi testada (motor maior, entre-eixos longo e opcionais), a nossa ficou em £39,855, já com 20% de VAT.

Só que você provavelmente não vai pagar isso. Não apenas por ser uma van de trabalho (com recuperação do VAT), mas porque há boas negociações a fazer com as concessionárias.

Impressão geral

“E no fim das contas?”

Ela é mais utilitária do que uma VW e, embora ainda não tenha o mesmo apelo visual da rival, custa menos, oferece mais combinações e dirige muito bem. Eu, pessoalmente, gosto dela - mas ainda escolheria uma Volkswagen, só que eu não preciso que ela também seja um veículo de trabalho.

Este é um passo forte na direcção certa, Ford. A Trail entrega mais do que apenas cosmética.

Pontuação: 7/10

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