Mesmo com uma valorização nas alturas, esta start-up parece economizar onde não deveria e, ao que tudo indica, não quer bancar um espaço próprio para testar seus robôs. Mais fácil (e mais barato) é ir ocupar o endereço dos outros.
Quem é a Bot Company e o que ela diz querer fazer
A empresa citada é a Bot Company, apontada como a “queridinha do momento” no setor de robótica. A start-up de San Francisco foi cofundada em 2024 por Kyle Vogt, captou 150 milhões de dólares para iniciar as operações e hoje é avaliada em cerca de dois bilhões de dólares. O objetivo declarado é criar robôs domésticos capazes de ajudar pessoas em tarefas rotineiras, como a limpeza.
Como acontece com qualquer robô, protótipos precisam passar por testes. O problema é que, segundo as acusações, a Bot Company não parece entender “laboratório de robótica” do mesmo jeito que o resto do mundo.
Uma casa transformada em laboratório clandestino para robôs
Sean Donovan, anfitrião do Airbnb, acusa a empresa de ter reservado seu imóvel para experimentar protótipos às escondidas. A casa fica em Portola, bairro residencial no sudeste de San Francisco, e é a residência em que ele cresceu. Após a estadia, Donovan afirma ter encontrado o lugar revirado - e a reserva teria sido feita com identidade falsa, o que viola as regras da plataforma.
O episódio também reacende a controvérsia em torno de Kyle Vogt. Antes da Bot Company, ele comandava a Cruise, unidade de robotáxis da General Motors, quando a licença na Califórnia foi suspensa depois de um acidente envolvendo um dos veículos autônomos da companhia.
O que a queixa relata sobre a estadia e o prejuízo
De acordo com a ação apresentada por Donovan em 26 de maio no tribunal superior do condado de San Francisco, a Bot Company alugou a casa por onze noites. O resultado, afirma a queixa, foi um prejuízo estimado em 12 383,50 dólares.
Desde o começo, Donovan diz ter estranhado o movimento: entre 12 e 25 de abril, pelas câmaras de segurança instaladas no imóvel, ele viu mais de trinta pessoas entrarem e saírem. Em certo dia, ao levar o lixo para fora, notou feixes de cabos pretos seguindo para dentro da casa. Ao acompanhar os cabos, ele se deparou com um equipamento de quase dois metros, próximo a um homem inclinado sobre um notebook - algo que ele descreveu como “um Roomba sobre esteiras” e também como um “Borg” que teria escapado de Star Trek.
Danos e objetos desaparecidos após a passagem do grupo
A denúncia detalha uma série de avarias: os azulejos do banheiro teriam ficado completamente lascados; uma mesa de centro teria sido danificada; uma caneca foi quebrada e colada às pressas; e uma peça de um conjunto de cerâmica desapareceu, assim como um organizador de sapatos. A máquina de lavar louça, o frigorífico e a máquina de lavar roupa apresentavam riscos profundos; as grades da lava-louças foram entortadas e, depois, removidas. Ainda pior, uma mesa de jantar que permanecia havia mais de setenta anos na família teria ficado com a superfície arranhada e marcada por humidade.
O cenário, segundo a narrativa, foi de desordem total - como se o imóvel tivesse sido abandonado após um fim de semana de excessos.
Apesar da indignação, Donovan afirmou: “Se eles tivessem vindo falar comigo com franqueza, dizendo que queriam alugar a minha casa para testar o robô deles, a gente poderia ter encontrado um acordo”. E acrescentou: “Mas é a mentira e a dissimulação que me fazem sentir que fui desrespeitado”. Princípios éticos e morais básicos que, no retrato apresentado, a Bot Company teria ignorado, preferindo agir como ocupantes oportunistas.
E Donovan não seria o único caso. Segundo o Tom’s Hardware, “vários anfitriões do Airbnb relatam que os seus imóveis foram deixados em estado deplorável; os danos semelhantes observados sugerem um método recorrente no setor”. Dois bilhões de dólares de valorização, ao que parece, não garantem decência nem respeito.
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