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Donald Trump confirma que EUA discutem virar acionista de laboratórios de IA e exige acesso antecipado a modelos de IA

Pessoas em reunião de negócios com dispositivo tecnológico iluminado e videoconferência ao fundo.

Donald Trump confirmou que existem conversas em andamento para que o governo americano possa se tornar acionista de grandes laboratórios de IA nos Estados Unidos. Ao mesmo tempo, ele também assinou um decreto exigindo que essas empresas ofereçam ao governo federal acesso antecipado a novos modelos de IA, com a intenção de avaliar capacidades ligadas à cibersegurança antes do lançamento oficial.

Governo dos EUA pode entrar no capital dos laboratórios de IA

Em um momento em que a Europa já demonstra preocupação com a dependência de tecnologias americanas, surgiu a informação de que Washington estaria considerando participar diretamente do capital dos principais atores de IA do país. Por enquanto, não há anúncio oficial. Ainda assim, segundo a Bloomberg, o presidente Donald Trump afirmou recentemente que as discussões existem.

“Estamos discutindo como os americanos poderiam se beneficiar do sucesso da IA”, disse ele. “Seria fantástico. E isso os enriqueceria.”

Um “Fundo de riqueza pública” proposto por Sam Altman e a ideia de doação de ações

Até aqui, não está claro de que forma o governo americano poderia virar acionista desses laboratórios de IA. De acordo com fontes ouvidas pela Bloomberg, a proposta teria sido levantada por Sam Altman, CEO da OpenAI, em 2025.

Vale lembrar que, em abril, a empresa por trás do ChatGPT publicou um documento defendendo a criação de um “Fundo de riqueza pública”. A proposta permitiria que todos os cidadãos “participem do crescimento econômico impulsionado pela IA”, mesmo que não invistam nos mercados financeiros.

Na prática, isso poderia funcionar como um mecanismo de redistribuição das riquezas geradas pela IA, em um contexto em que segue forte o receio de substituição de trabalhadores de escritório (os chamados white-collars) por essa tecnologia. Nesse cenário, uma das possibilidades discutidas seria simplesmente que laboratórios de IA - como a OpenAI - doem ações.

Decreto de Donald Trump prevê acesso antecipado a novos modelos de IA para testes de cibersegurança

Essa movimentação ganha ainda mais relevância porque Donald Trump acabou de assinar um decreto que obriga empresas de tecnologia a concederem ao governo federal dos Estados Unidos acesso antecipado a seus novos modelos, antes de sua disponibilização pública.

O objetivo declarado é permitir que Washington avalie as capacidades cibernéticas da IA antes que a tecnologia chegue a um público mais amplo. A OpenAI já confirmou que pretende cumprir o decreto assinado por Trump.

Por que isso aumenta a urgência de alternativas europeias - e o papel da França e da Mistral

De todo modo, se a influência dos Estados Unidos sobre seus próprios gigantes de tecnologia aumentar, fica ainda mais importante que a Europa desenvolva tecnologias próprias para reduzir a dependência do país do Tio Sam - ou da China.

Nesse sentido, a França vem ganhando mais autonomia aos poucos. Com a Mistral, o país e a Europa passam a contar com uma alternativa soberana que, em determinados usos, pode substituir tecnologias da OpenAI, do Google ou da Anthropic.

No campo de cibersegurança, a Mistral já trabalha em uma tecnologia que poderia servir como alternativa a modelos como o Claude Mythos ou a versões “cyber” das IAs do ChatGPT. Além disso, por conta da energia nuclear, a França também está bem posicionada para hospedar centros de dados voltados à IA.

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