É híbrido plug-in? Quase nem reparava
Em tempos em que a eletrificação costuma vir acompanhada de detalhes chamativos, o BMW X3 xDrive30e segue pelo caminho oposto. Ele se posiciona como uma ponte natural entre os X3 “tradicionais” e o iX3, tentando entregar o equilíbrio clássico da BMW com a praticidade de um híbrido plug-in no dia a dia.
De um lado, há o motor elétrico e a promessa de entre 43 km e 51 km de autonomia em modo 100% elétrico (ciclo WLTP) - um trunfo claro, especialmente para deslocamentos urbanos.
Por outro, contamos com um quatro cilindros em linha a gasolina, com 2.0 l e 184 cv, que nos permite encarar viagens mais longas sem nos termos de preocupar acerca de onde estará o próximo posto de carregamento.
No papel isto até pode parecer a conjugação perfeita, mas será que na realidade o X3 xDrive30e cumpre com tudo aquilo que promete? E quando acaba a bateria? Será que vê os seus argumentos drasticamente reduzidos ou continua a ser uma proposta a ter em conta?
Ora, como é óbvio só há uma forma de descobrir as respostas a estas questões e por isso mesmo pusemos à prova o novo BMW X3 xDrive30e.
Começando pela estética deste X3 xDrive30e, a verdade é que só os mais atentos se deverão aperceber de que esta versão juntou eletrões à sua dieta.
Com exceção de um discreto logótipo e da porta de carregamento, a variante híbrida plug-in do X3 é praticamente igual às restantes, pautando-se pela sobriedade e pelo facto de ainda contar com o famoso “duplo rim” com dimensões que podemos considerar “normais”.
Pessoalmente aprecio o estilo algo clássico do modelo da BMW, com este a conseguir manter-se sóbrio, mas simultaneamente imponente (foram várias as cabeças que vi rodar à sua passagem) sem parecer antiquado ou muito visto.
No interior? “Respira-se” qualidade
Tal como acontece por fora, por dentro o BMW X3 xDrive30e é quase um espelho das versões apenas a combustão. O resultado é um habitáculo de desenho discreto, onde a sensação de qualidade está sempre presente.
Há materiais macios e agradáveis ao toque, e a montagem mostrou-se sólida. Mesmo quando circulamos numa estrada de terra no silencioso modo elétrico, o X3 xDrive30e faz jus à fama da marca neste capítulo.
Já no capítulo ergonómico, de notar que o X3 xDrive30e manteve-se fiel aos comandos físicos - são ainda bastantes os botões que vemos no interior - e isso traduz-se num menor período de habituação à sua utilização. É que além do sistema de climatização e do rádio, também o sistema de infotainment conta com um comando físico (o famoso iDrive), uma mais valia na hora de navegar nos seus muitos menus e sub-menus.
No entanto, há um capítulo no qual esta versão híbrida plug-in perde face às suas congéneres somente alimentadas a gasolina ou gasóleo e é, precisamente, no espaço. Se em termos de cotas de habitabilidade se manteve tudo na mesma, havendo espaço para quatro adultos viajarem confortavelmente, o mesmo não aconteceu na bagageira.
É que ao acomodar a bateria de 12 kWh de capacidade debaixo dos bancos traseiros o depósito de combustível teve de ser reposicionado por cima do eixo traseiro. O resultado? Os outrora 550 litros de capacidade da bagageira desceram para 450 litros, sendo que nesse espaço é ainda preciso albergar o pesado (e grande) carregador.
Económico com bateria…
Como seria de esperar, enquanto a bateria que alimenta o motor elétrico de 109 cv integrado na caixa automática de oito velocidades Steptronic tem carga, o X3 xDrive30e consegue consumos notáveis, com a autonomia real em modo 100% a rondar os 40 km numa condução normal.
Recorrendo, sobretudo, ao modo híbrido, os consumos andaram na casa dos 4 a 4,5 l/100 km, com a boa gestão da carga da bateria feita pelo sistema híbrido plug-in a impressionar.
Ainda assim, o que mais impressiona enquanto temos bateria são mesmo as prestações. São 292 cv de potência máxima combinada e 420 Nm de binário máximo combinado, pelo que este BMW X3 xDrive30e move-se com agradável à vontade.
… e sem ela
Se os consumos enquanto temos a bateria carregada vão ao encontro das expetativas, aqueles que alcançamos quando esta já não tem carga - na realidade, a bateria nunca descarrega totalmente, até para preservar a sua boa saúde -, surpreendem pela positiva.
Num percurso que se dividiu em cerca de 80% em estrada/autoestrada e 20% em cidade, o X3 xDrive30e efetuou consumos balizados entre os 6 e os 7,5 l/100 km, aproveitando todas as descidas ou desacelerações para recarregar a bateria, principalmente nos modos de condução “Normal” e “Eco Pro”.
Dinamicamente é um BMW, é claro
Se há capítulo no qual pouco importa se o BMW X3 xDrive30e tem ou não carga na bateria é no capítulo dinâmico, com o modelo alemão a fazer jus aos pergaminhos dinâmicos que são imagem de marca da BMW. Isto mesmo considerando as mais de duas toneladas de peso deste híbrido plug-in.
Temos uma direção direta e com bom peso (se bem que no modo “Sport” possa ser considerada um pouco pesada) e um chassis que permite uma condução interativa. Tudo isto contribui para que o BMW X3 xDrive30e consiga ser até divertido de conduzir.
Já quando abrandamos o ritmo o SUV alemão retribui com elevados níveis de refinamento e silêncio a bordo, mesmo quando circulamos em autoestrada, local onde se sente como “peixe na água”.
É o carro certo para mim?
O melhor elogio que podemos fazer ao BMW X3 xDrive30e é que este é, mais do que um híbrido plug-in, um típico BMW, juntando a todas as qualidades reconhecidas aos modelos da marca alemã as mais valias deste tipo de mecânica.
Bem construído e confortável, nesta versão o X3 xDrive30e conquista aptidões urbanitas que lhe eram desconhecidas (cortesia do motor elétrico). Quando saímos da cidade temos um bom sistema híbrido plug-in que nos permite alcançar bons consumos ao mesmo tempo que nos divertimos aos comandos de um dos mais dinâmicos SUV do segmento.
Também na tradição da BMW surge o facto de alguns equipamentos serem relegados para a lista de opcionais que não o deveriam ser, como o assistente à manutenção na faixa de rodagem, o cruise control adaptativo ou o leitor de sinais de trânsito - para mais num modelo que vê o seu preço começar acima dos 63 mil euros.
Concluindo, para quem procura um SUV premium, com qualidade, espaçoso q.b. e que lhe permita circular em meio urbano sem gastar “rios” de combustível e de uma forma mais responsável ambientalmente, o BMW X3 xDrive30e é uma das principais opções a ter em conta.
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