Empresas dizem enfrentar dificuldade para completar seus quadros, mas, ao mesmo tempo, milhões de jovens esbarram em barreiras para conseguir uma vaga. Esse descompasso entre talentos e oportunidades é um dos pontos centrais de um estudo que será conduzido em 15 países da América Latina, Caribe e Canadá.
Intitulada “Talento jovem e empresas: oportunidades e desafios 2026”, a pesquisa é uma iniciativa da ONG Junior Achievement Américas em parceria com a ManpowerGroup. O objetivo é identificar o que dificulta a entrada de jovens de 18 a 29 anos no mercado de trabalho e entender por que organizações relatam problemas para contratar pessoas com as competências de que precisam. No Brasil, o levantamento é coordenado pela Junior Achievement Brasil.
A proposta é observar os dois lados do mercado: de um lado, as expectativas e as dificuldades enfrentadas por jovens; de outro, os desafios das empresas ao contratar, desenvolver e reter novos talentos. A coleta de respostas segue aberta até 31 de julho (basta acessar aqui para responder o questionario).
No Brasil, a pesquisa será aplicada pela rede Junior Achievement Brasil e deve reunir participantes com trajetórias educacionais e profissionais variadas - incluindo estudantes, pessoas em busca do primeiro emprego, trabalhadores que pretendem migrar de área e jovens que, atualmente, estão fora do mercado.
Pelo lado das organizações, o estudo ouvirá empregadores, profissionais de Recursos Humanos e pessoas que atuam em recrutamento e desenvolvimento de talentos (acessar aqui).
Pesquisa “Talento jovem e empresas: oportunidades e desafios 2026” avalia formação, habilidades e expectativas
Entre os assuntos analisados estão a escolaridade, vivências profissionais, competências técnicas e socioemocionais, pretensões salariais, condições de trabalho consideradas ideais e como os jovens avaliam o próprio nível de preparo para o mundo profissional.
O levantamento também vai mapear quais competências são mais demandadas pelas empresas, quais obstáculos surgem com mais frequência nos processos seletivos e que elementos alimentam a distância entre quem se candidata e as vagas disponíveis.
A pesquisa parte de uma constatação recorrente em diferentes contextos: organizações afirmam não encontrar profissionais com determinados perfis, enquanto jovens relatam dificuldade para conseguir a primeira chance ou acessar oportunidades compatíveis com o que esperam.
Entre os fatores que tendem a aumentar esse afastamento estão a exigência de experiência prévia em cargos de entrada, a falta de clareza sobre profissões e habilidades mais procuradas, processos seletivos longos e a oferta limitada de caminhos de desenvolvimento para quem está no começo da carreira.
“Quando uma empresa afirma que não encontra profissionais e, ao mesmo tempo, milhares de jovens dizem não encontrar oportunidades, existe um problema estrutural que precisa ser investigado. O estudo ajudará a identificar em quais etapas esse encontro deixa de acontecer e quais mudanças podem ser adotadas por empresas, instituições educacionais, organizações sociais e pelo poder público”, afirma Alexandre Mutran, diretor-executivo da Junior Achievement Brasil.
Inteligência Artificial passa a fazer parte do levantamento
Na edição de 2026, entram perguntas sobre competências digitais, inteligência artificial e mudanças no recrutamento. A intenção é entender de que maneira os jovens usam essas tecnologias e se estão prontos para aplicá-las de forma crítica e produtiva no dia a dia de trabalho.
O estudo ainda vai medir o grau de conhecimento dos participantes sobre carreiras em expansão e sobre as competências exigidas pelas empresas, além de verificar se as organizações estão dispostas a formar candidatos que ainda não atendem a todos os requisitos vistos como necessários.
“A tecnologia está transformando as ocupações e os processos de seleção, mas o verdadeiro desafio não se resume à capacidade de usar novas ferramentas. Este estudo busca gerar evidências que fortaleçam o diálogo entre jovens, empregadores, educadores e tomadores de decisão”, afirma Noël Zemborain, presidenta da Junior Achievement Americas.
Resultados devem orientar políticas de qualificação
A pesquisa preserva a metodologia usada na edição de 2024, o que permite observar, ao longo do tempo, como evoluem as percepções de jovens e empregadores. Os resultados devem ajudar empresas a repensar estratégias de contratação e de desenvolvimento de profissionais em início de trajetória.
Para escolas, instituições educacionais e organizações de capacitação, os dados podem apoiar a criação de programas mais conectados às necessidades do mercado. O levantamento também pode servir de base para governos, empresas e organizações sociais desenharem ações voltadas à qualificação e à inserção profissional.
Jovens de 18 a 29 anos podem responder à pesquisa em qualquer situação - empregados, desempregados, estudantes, pessoas interessadas em mudar de área ou que buscam a primeira oportunidade.
Comentários
Ainda não há comentários. Seja o primeiro!
Deixar um comentário