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Marinha Argentina avalia submarinos Scorpène e Tipo 209NG com apoio do Brasil

Oficial da marinha ao lado de submarino, analisando desenhos técnicos em pranchetas na doca.

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Recuperação da capacidade de submarinos da Marinha Argentina

Definida há anos como prioridade pela Marinha Argentina, a retomada da capacidade de submarinos é vista como um objetivo estratégico para assegurar o controle dos espaços marítimos, o monitoramento da Zona Econômica Exclusiva e a projeção naval que o país conseguiu sustentar décadas atrás. Dentro desse cenário, apesar da possível incorporação de unidades de segunda mão para reduzir, de forma temporária, a falta de meios operacionais, o planejamento segue concentrado em um programa voltado à compra de submarinos novos, com ampla vida útil projetada.

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A preferência por plataformas recém-construídas responde à necessidade de reconstruir a capacidade submarina nacional depois de anos de inatividade da Força de Submarinos - um quadro que atingiu nível crítico com a tragédia do ARA San Juan, em 2017. A ausência desse componente impacta diretamente o poder naval argentino e restringe a vigilância, o controle e a dissuasão sobre os vastos espaços marítimos sob jurisdição nacional, conferindo caráter prioritário a qualquer iniciativa destinada a restabelecer essa capacidade.

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Propostas em análise: Scorpène (Naval Group) e Tipo 209NG (TKMS)

No momento, a avaliação argentina considera diferentes fornecedores internacionais. Entre os destaques estão a oferta francesa, liderada pela Naval Group com a classe Scorpène, e a proposta alemã apresentada pela TKMS com o Tipo 209NG. As duas alternativas procuram atender à demanda argentina com submarinos convencionais de nova geração, projetados para alta disponibilidade operacional, grande margem de modernização e uma vida útil extensa - pontos tratados como essenciais para uma futura incorporação.

Entre as opções sob análise, a alternativa francesa baseada no Scorpène permanece entre as mais relevantes. Embora o processo siga em aberto e contemple outras propostas - como a do Tipo 209NG alemão -, a iniciativa impulsionada pela França ganha peso adicional pela possibilidade de contar com apoio industrial, financeiro e logístico do Brasil. Isso se deve ao fato de o país já empregar uma variante desse projeto e dispor da infraestrutura necessária para construir e sustentar esse tipo de meio.

De forma específica, a proposta francesa traz atributos que vão além do desempenho intrínseco do submarino. O Scorpène foi concebido como um submarino oceânico de ataque, com arquitetura moderna e significativa capacidade de evolução, enquanto a configuração oferecida inclui tecnologias alinhadas aos padrões mais recentes disponíveis para esse tipo de plataforma, permitindo projetar seu emprego por várias décadas.

O papel do Brasil: PROSUB, infraestrutura e cooperação industrial

Um dos principais diferenciais dessa alternativa está no papel que o Brasil pode desempenhar. Como referência central da indústria naval militar na América do Sul, o país levou adiante alguns dos programas mais ambiciosos da região, incluindo o Programa de Desenvolvimento de Submarinos (PROSUB) e o Programa de Fragatas Classe Tamandaré (PFCT). Apesar de diferenças de matiz ideológico entre os dois governos, a visita a Buenos Aires, no fim de maio de 2026, do ministro da Defesa do Brasil, José Múcio Monteiro - que realizou um encontro bilateral com o seu homólogo argentino, o tenente-general Carlos Alberto Presti - foi entendida como mais um sinal de aproximação entre os dois países. Nesse contexto, o Brasil aparece como um ator capaz de oferecer não apenas a experiência industrial acumulada, mas também suporte estatal em um eventual modelo de financiamento associado à proposta francesa.

A possível participação brasileira se apoia na experiência adquirida ao longo do PROSUB. A Marinha do Brasil já incorporou os submarinos convencionais Riachuelo (S40), Humaitá (S41), Tonelero (S42) e prevê adicionar em breve o Almirante Karam (S43), todos derivados do projeto Scorpène. Em paralelo, o país consolidou um polo relevante de construção e manutenção, com centro na Base de Submarinos Ilha da Madeira, situada no Complexo Naval de Itaguaí (Rio de Janeiro, Brasil), criado para sustentar o programa e dotado de capacidades que poderiam ser aproveitadas caso a Argentina avance com uma compra. Isso permitiria manter elevado o nível de atividade nessas instalações nos próximos anos, ao mesmo tempo em que ampliaria a cooperação industrial bilateral.

Outro ponto favorável dessa alternativa está relacionado ao custo do ciclo de vida dos futuros submarinos argentinos. A possibilidade de fabricar as unidades no Brasil reduziria os custos em comparação com uma construção inteiramente realizada na França. Soma-se a isso o fato de que as atividades de grande manutenção, modernização e sustentação poderiam ser executadas em instalações brasileiras, evitando o envio dos submarinos à Europa e reduzindo de forma significativa os custos logísticos e operacionais ao longo de toda a vida útil, além de favorecer maior disponibilidade dos meios.

Situação das negociações e continuidade da avaliação

Até aqui, o processo de análise segue aberto e sem decisão oficial. Em 2024, a Argentina assinou uma Carta de Intenção com a França para a aquisição de submarinos Scorpène construídos pela Naval Group, enquanto a Alemanha apresentou sua oferta pelo Tipo 209NG com respaldo estatal para facilitar o financiamento. Ainda assim, no início de 2026 o governo argentino indicou que não havia avanços concretos nas negociações, mantendo as duas propostas no cenário de avaliação. Dentro desse quadro, a combinação entre a oferta francesa, a capacidade industrial desenvolvida pelo Brasil e um eventual arranjo de financiamento com suporte do Estado brasileiro coloca o eixo franco-brasileiro como um dos elementos de maior relevância para o futuro programa de recuperação da capacidade de submarinos da Marinha Argentina.

Imagens utilizadas apenas para fins ilustrativos.


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