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Renault Twingo E-Tech: o negócio da China e o ACDC de Xangai

Carro elétrico branco Renault Novo Twingo exibido em showroom moderno com carregador ao fundo.

Burro velho não aprende línguas? Em alguns casos, aprende sim. E o “burro velho” desta história - com todo o respeito… - é a Renault, que, do alto dos seus 126 anos de trajetória, aprendeu mandarim e vem dando uma aula de velocidade de adaptação para a indústria automotiva europeia.

Antes de qualquer coisa, vamos com calma: como você já percebeu, de burra a Renault não tem nada.

O novo Renault Twingo no centro da história

O personagem principal aqui é o novo Renault Twingo. E ele não é só um rostinho simpático. Trata-se do primeiro Renault cujo desenvolvimento aconteceu com um pé na China e o outro na França. E a marca francesa não tropeçou…

Teoria da evolução das espécies

Fique tranquilo: não vou insistir nos equídeos. Mas, ainda no campo da biologia, preciso recorrer à teoria evolutiva de Charles Darwin para sustentar o ponto principal - em versão bem resumida, ela diz que quem não se adapta, morre. Prometo que isso vai fazer sentido…

Nos últimos anos, o “ambiente” em que as montadoras europeias vivem mudou de forma radical. A pressão ambiental e regulatória, os custos de desenvolvimento e, acima de tudo, a velocidade evolutiva da indústria chinesa criaram um novo ecossistema: mais competitivo, mais rápido e com novas “espécies” (BYD, Geely, XPeng, etc.) que estão mais bem adaptadas aos carros elétricos.

Na Renault, já entenderam que resiliência, sozinha, não resolve: é preciso se adaptar e aprender truques novos. E depressa.

ACDC em Xangai: o novo centro de desenvolvimento da Renault

E onde fazer isso? Em Xangai, o coração do novo ecossistema automotivo chinês. Foi lá que surgiu o ACDC – Advanced China Development Center, o novo centro de pesquisa e desenvolvimento da marca francesa.

Isso não é um call center nem um estúdio de design “exótico” só para render bem nas redes sociais. É, nas palavras de Luca de Meo, ex-CEO do grupo francês, “um laboratório de eficiência”, criado para desenvolver carros três vezes mais rápido e por metade do custo.

Um novo marco para a Renault

O primeiro fruto dessa mutação genética francesa foi justamente o novo Twingo E-Tech, um elétrico que promete custar menos de 20 mil euros.

Neste episódio do Auto Rádio, José Pedro Neves, diretor-geral do Grupo Renault Portugal, fez questão de destacar o peso do ACDC no desenvolvimento, em tempo recorde, desse novo modelo. Vale a pena rever esse momento:

Quando falamos em recorde, é recorde mesmo. O novo Renault Twingo foi feito por completo em apenas 2 anos - metade do tempo que levaria na Europa. Como e por quê? Não sabemos… mas a Renault sabe, a ponto de ter reduzido pela metade o tempo de desenvolvimento desse elétrico.

E, no meio disso, ainda houve tempo para perguntar à Volkswagen se ela queria entrar no projeto. A marca alemã disse que não - ou talvez ainda nem tenha decidido. Todo mundo sabe como, na Europa, demoramos para tomar decisões.

Bateria LFP no Renault Twingo E-Tech

A bateria do novo Renault Twingo E-Tech também adota uma química que é novidade para a Renault, mas bem comum entre as marcas chinesas: LFP (fosfato de ferro-lítio). Ela tem menor densidade energética, porém é mais barata de produzir. E, como sabemos, num carro urbano o preço é quase tudo.

Razões mais do que suficientes para justificar o título desta crônica: o novo Twingo foi um negócio da China. O tempo (pouco…) dirá se vai ser um negócio de sucesso ou não. No fim do primeiro semestre de 2026, vamos ver as primeiras unidades nas estradas portuguesas.

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