Depois de já termos avaliado o modelo na configuração Xperience, era hora de colocar o SEAT Arona renovado à prova na opção mais esportiva da gama, a FR.
E a comparação faz todo sentido: entre os dois testes, até o motor 1.0 TSI com 110 cv é exatamente o mesmo. Além de ser um FR, a única diferença relevante está no conjunto de transmissão: o Xperience testado pelo João Tomé vinha com câmbio DSG de sete velocidades; o «meu» FR tinha câmbio manual de seis marchas.
Como as versões FR carregam sempre uma expectativa maior no acerto dinâmico, foi nessa direção que conduzi este teste.
Dinâmica apurada
O SEAT Arona não é, para mim, o carro mais divertido de guiar no segmento - esse lugar continua com o Ford Puma -, mas chega bem perto. E isso aparece com clareza na versão FR.
Com uma posição de dirigir mais baixa do que a de boa parte dos rivais, pneus de perfil baixo e uma direção bem direta e precisa, o Arona é interativo na medida certa e não decepciona quando a estrada começa a exigir nas curvas.
O chassi é competente - e sempre foi… -, o que ajuda a entender o ótimo comportamento do Arona. Mesmo assim, ele consegue equilibrar conforto e dinamismo com muito acerto, sem cair num ajuste excessivamente duro.
Por isso, quando a condução fica mais tranquila, a agilidade e a «genica» dão lugar a um conjunto previsível e estável, e este Arona se mostra uma opção segura e muito equilibrada.
Mas há um senão…
Os pneus de perfil baixo e a calibragem mais firme da suspensão - que fazem maravilhas pela dinâmica deste B-SUV - cobram seu preço quando o asfalto está em pior estado.
Não tanto pelos solavancos em si, mas principalmente pelo ruído de rodagem, que fica mais evidente. E vale mencionar também o barulho do motor, que nem sempre é dos mais agradáveis.
É preciso mais motor?
Na reestilização mais recente, este 1.0 TSI do Arona perdeu 5 cv e passou a entregar 110 cv. Ainda assim, não senti falta de mais potência.
Os 200 Nm aparecem com facilidade e permitem manter ritmos altos em estradas que pedem isso, além de garantir ultrapassagens sem qualquer hesitação.
E isso continua valendo mesmo com porta-malas cheio e passageiros no banco traseiro. Nesse ponto, este Arona me surpreendeu bastante.
Mas (quase sempre existe um mas…) também é preciso dizer que este conjunto motor/câmbio exige alguma “ginástica” para extrair o máximo do que ele tem a oferecer.
Não contem com ele para «atacar» subidas mais íngremes sem colocar «uma abaixo». E o modo “Eco” é melhor deixar para a rodovia, por exemplo.
E os consumos?
No capítulo de consumo, ao fim de uma semana ao volante deste SEAT Arona, o computador de bordo registrou 6,6 l/100 km de média - um número interessante considerando a variedade de situações que enfrentei.
Rodei muitos quilômetros em rodovia, encarei o anda-e-para da cidade e ainda deu para esticar este motor e este chassi numa estrada com uma sequência de curvas bastante convidativa.
Aqui, vale um destaque para o desempenho em rodovia: em velocidades moderadas, foi possível ver consumo perto de 5 l/100 km.
É o carro certo para você?
Ele não é, nem de longe, um dos mais espaçosos do segmento. E, apesar de a aparência ter recebido retoques, ainda fica um pouco atrás de propostas mais recentes, com visual mais atual. Mas nada disso apaga as qualidades deste Arona - e são várias.
A direção passa boa informação, ele é ágil e conta com um chassi muito competente, características que o colocam entre os B-SUV mais divertidos de guiar atualmente.
Somam-se a isso o consumo contido, a vocação natural para a cidade (também por conta das dimensões compactas), um bom pacote de assistências ao motorista e, por fim, uma oferta tecnológica bem interessante.
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