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Em uma cerimónia realizada a bordo do navio quebra-gelo AGB-46 “Almirante Viel”, a Armada do Chile deu início oficial à Comissão Antártica Institucional 2025–2026 (COMANTAR), uma das missões mais exigentes e simbólicas da instituição. O destacamento terá duração aproximada de 160 dias, entre novembro de 2025 e abril de 2026, voltando a assegurar a presença efetiva do país no Território Antártico.
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A solenidade foi conduzida pelo Comandante em Chefe da Terceira Zona Naval, o contra-almirante Jorge Castillo, com a presença de autoridades regionais e de representantes de órgãos públicos e científicos envolvidos no planeamento antártico nacional. No encontro, foram apresentados os pormenores logísticos e operacionais da campanha, que começa nesta quinta-feira, 6 de novembro, data que coincide com o Dia Nacional da Antártica Chilena.
Na sua fala, o contra-almirante Castillo ressaltou a importância do esforço, tanto pela dimensão logística quanto pela contribuição à projeção soberana do Chile no continente austral.
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“Iniciamos uma nova Campanha Antártica de Verão com o compromisso e o profissionalismo que caracterizam as nossas tripulações. O esforço estará concentrado principalmente no trabalho conjunto do Trinómio Antártico: o quebra-gelo ‘Almirante Viel’, o rebocador ‘Lientur’ e o patrulheiro oceânico ‘Marinero Fuentealba’. Essas unidades sustentarão a ponte logística entre Punta Arenas e a Baía Fildes, transportando mais de oito mil toneladas de carga destinada a obras e a pesquisas científicas”, afirmou.
O volume anunciado estabelece um marco na capacidade de transporte e abastecimento na Antártica, sobretudo pelo suporte aos projetos do Ministério de Obras Públicas, voltados à construção do novo cais da Baía Fildes e à conservação da pista do aeródromo Teniente Marsh. As duas frentes representam um avanço relevante na infraestrutura nacional no território antártico, ampliando a autonomia operacional chilena na região.
Coordenação civil-militar para uma presença sustentada
O Governador Regional de Magallanes e da Antártica Chilena, Jorge Flies, destacou o papel da Armada na organização do esforço estatal no extremo sul:
“Magallanes é, por natureza, uma região antártica. Este destacamento não só garante segurança marítima, como também impulsiona projetos científicos e de infraestrutura que consolidam a liderança do Chile no Continente Branco”, declarou.
Já o Delegado Presidencial Regional, José Ruiz, enfatizou o caráter interinstitucional do dispositivo, observando que “a campanha reafirma a soberania e o compromisso do Estado com a presença nacional no território antártico”.
Por sua vez, o Seremi de Obras Públicas, José Luis Hernández, explicou que a transferência de materiais e equipamentos será determinante para o sucesso das obras: “São mais de oito mil toneladas de carga que precisam ser transportadas sob condições extremas. Sem o apoio logístico da Armada, seria impossível executar um projeto desta magnitude”.
Presença operativa e compromisso institucional
A COMANTAR 2025–2026 mobilizará seis unidades navais, com tripulações oriundas de diferentes regiões do país. Ao todo, cerca de 400 servidores navais estarão envolvidos nas tarefas, que incluem o reabastecimento de bases nacionais e internacionais, a abertura de bases de verão, trabalhos hidrográficos e de sinalização marítima, além da realização do Primeiro Cruzeiro CIMAR Antártico, voltado ao estudo científico-oceanográfico da área.
O rebocador ATF-60 “Lientur” permanecerá em território antártico durante as celebrações de Natal e Ano Novo, num gesto que simboliza o compromisso permanente da Armada com a projeção soberana do Chile. “A nossa presença na Antártica não é apenas uma obrigação, mas uma convicção. Cada unidade, cada tripulação, representa o esforço de uma nação que entende que o seu desenvolvimento também está em jogo no extremo sul do planeta”, enfatizou o contra-almirante Castillo.
Soberania ativa e projeção nacional
Para além do aspeto logístico, a COMANTAR funciona como um instrumento de política de Estado. Ela assegura a continuidade operacional das bases, preserva a interoperabilidade com países parceiros no campo científico e fortalece a rede de infraestrutura que sustenta a presença chilena no continente.
O emprego de unidades com porto-base em Punta Arenas, Talcahuano e Valparaíso evidencia o caráter nacional do esforço. A articulação entre a Armada, ministérios setoriais e organismos científicos consolida um modelo de cooperação que vai além da conjuntura política e reforça a visão de longo prazo do país sobre a Antártica.
A campanha 2025–2026 ocorre, ainda, num cenário de crescente interesse internacional pelo continente, tanto pela sua relevância ambiental quanto pela sua projeção geopolítica. Nesse contexto, a presença contínua do Chile no Território Antártico configura uma demonstração concreta de soberania ativa, sustentada por capacidades navais, conhecimento científico e compromisso institucional.
Com esta nova edição da Comissão Antártica, a Armada do Chile reafirma o seu papel como eixo central da política antártica nacional. A atuação no continente não só garante o abastecimento das bases e o apoio à ciência, como também projeta a imagem de um país que entende a Antártica como parte integrante da sua identidade, da sua segurança e do seu futuro.
Imagem de capa ilustrativa. Créditos: Armada do Chile
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